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05/06/2017 às 07:44
Câmara Municipal de SP pagará PMs por 'bico oficial' no entorno do prédio

 

Dias após começar a exigir documento com foto de visitantes, a Câmara Municipal de São Paulo decidiu contratar 30 PMs para fazer a segurança do entorno do Legislativo.

 

Os policiais farão ali o chamado "bico oficial" –pagamento extra à PM, medida iniciada na gestão de Gilberto Kassab (PSD), prefeito de 2006 a 2012. O valor gasto agora, no entanto, sairá do orçamento da Câmara.

 

A decisão foi publicada no "Diário Oficial" da Cidade no mês passado, mas ainda falta definir quando começará o trabalho extra, cujo nome oficial é Operação Delegada.

 

A contratação desses PMs vai custar R$ 2.800 por policial por mês, totalizando em torno de R$ 1 milhão por ano.

 

Agora, eles também farão policiamento no entorno –como viadutos Jacareí e 9 de Julho, ruas no quadrilátero que cerca o edifício e as passarelas que dão acesso ao terminal de ônibus Bandeira.

 

A medida é polêmica, já que a vigilância seria obrigação da PM independentemente do pagamento extra.

 

Essa é a segunda vez que a Mesa Diretora faz mudanças para reforçar a segurança da Câmara. Desde o último dia 11, só é possível entrar no prédio após apresentar documento com foto a funcionários posicionados em balcões.

 

A nova determinação ocorreu após casos de furto no Legislativo e acusações de invasões em gabinetes durante reuniões da Casa –casos relatados por Juliana Cardoso (PT) e pelo opositor dela, Fernando Holiday (DEM).

 

O motivo da nova medida são crimes ocorridos dentro e fora da Câmara, segundo o presidente, Milton Leite (DEM). "Temos um número significativo de casos [de roubos e furtos] dentro e fora da Câmara. No passado, houve mais de 80 ocorrências [a maioria delas são furtos]."

 

GASTO EXTRA

 

O presidente da Casa diz que o gasto extra não será problema. "Como estamos reduzindo custos na Câmara desde o começo do mandato, podemos gastar com isso."

 

Segundo a Câmara, no início deste ano houve redução do número de guardas municipais, de 96 para 77, gerando queda de gastos da ordem de R$ 51 mil por mês -de

R$ 311,6 mil para R$ 260,3 mil.

 

Além disso, diz que irá economizar R$ 6,3 milhões ao longo do ano após a aposentadoria de 14 servidores com altos salários e 15 que atuavam na TV Câmara.

 

Analista criminal e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Guaracy Mingardi considera que a medida não faz sentido. "Não sei porque precisa da PM se a Guarda Civil Metropolitana já faz a segurança do prédio. Isso me parece só uma forma de gastar dinheiro", diz.

 

Para o consultor, que é crítico da Operação Delegada, o policiamento no entorno do Legislativo deve ser feito pela PM independentemente de pagamento extra. "A área central da cidade já tem policiamento. Não é certo pagar a mais para a PM por algo que ela já é paga para fazer."

 

A reportagem procurou a PM para comentar o convênio com a Câmara Municipal, mas não obteve retorno. 

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