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05/06/2017 às 10:38
Defesa Civil de SC está em alerta diante da previsão de altos volumes de chuva no Estado
Defesa Civil de SC está em alerta diante da previsão de altos volumes de chuva no Estado Nilton Wolff/O Goleador

Em Lages, chuva causou inundação na noite deste domingo

Foto: Nilton Wolff / O Goleador

Os altos volumes de chuva previstos para esta semana em Santa Catarina deixam a Defesa Civil em alerta no Estado. Desde este domingo até sexta-feira, a previsão aponta acumulados de até 200 milímetros em alguns pontos, o que representa o índice normalmente registrado no mês inteiro. A maior preocupação das autoridades é com os locais onde foram registrados grandes volumes nas últimas semanas de maio. Caso se confirme a previsão do tempo, os acumulados podem ultrapassar os 400 milímetros em algumas cidades catarinenses.

A chuva deve se dividir em dois momentos mais intensos por conta de uma frente fria. O primeiro entre ontem e amanhã e o segundo de quinta a sexta-feira. O acumulado de chuva deve ficar entre 40 a 70 mm em média neste período, mas pontualmente, algumas cidades podem ter em torno de 100 mm, especialmente no Oeste, Meio-Oeste, Planalto Norte, Vale do Itajaí, Litoral Sul e Litoral Norte.

Por conta disso, a Defesa Civil faz cálculos e organiza suas estruturas para atender os pontos onde podem ocorrer alagamentos e deslizamentos, considerados os mais preocupantes. Como o solo encharcado por conta da alta quantidade de chuva de maio, a orientação para a população em área de risco é monitorar possíveis movimentação de terra e as condições das residências. Segundo a Epagri/Ciram, órgão oficial do Estado responsável pela emissão da previsão, a chuva começou pelas regiões Oeste e Meio-Oeste e vai se estender pelos demais pontos de forma persistente. O maior volume de chuva está previsto para quinta e sexta-feira devido à formação de uma nova frente fria no Sul do Brasil.

— Todo o Estado preocupa porque serão muitos dias de chuva em volumes muito altos, ainda mais que a precipitação está indo para a terceira semana com o solo que ficou muito saturado. Nas situações de crise, os deslizamentos são os que mais geram mortes, e é com isso que nos preocupamos — admite o secretário de Defesa Civil de SC, Rodrigo Moratelli.

No Alto Vale do Itajaí, região propensa a inundação e deslizamentos, a atenção está voltada para as barragens de Taió, Ituporanga e José Boiteux. Como as duas primeiras ainda estão parcialmente cheias, os técnicos esperam que até o começo da madrugada de hoje elas estejam mais vazias para receber a quantidade de chuva prevista para os próximos dias. As estruturas são responsáveis por amenizar os impactos do Rio Itajaí-Açu na maior parte do Vale, em cidades como Blumenau, Gaspar, Indaial e Itajaí.

Chuva causa alagamentos e cancelas aulas na Serra

A chuva retornou a Santa Catarina na manhã deste domingo. Cidades da Serra tiveram altos volumes acumulados em menos de 24 horas. Em Lages, por exemplo, até o começo da noite havia chovido 114 milímetros, o que causou alagamentos em diferentes bairros e levou a prefeitura a suspender as aulas da rede municipal nesta segunda-feira.

A Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) fez o mesmo nas 44 escolas da rede estadual da regional de Lages. Com isso, são 26 mil alunos e dois mil professores dispensados da atividade nesta segunda-feira. Uma nova reunião deve definir a situação para o restante da semana. O cenário mais complicado ontem em Lages estava nos bairros Passo Fundo, Sagrado, São Sebastião, São Vicente e Guarujá.

A orientação da prefeitura para os moradores é que eles evitem sair de casa e o façam somente em caso de necessidade. A Defesa Civil municipal está mobilizada, com o apoio de outras secretarias. A Polícia Civil também se colocou à disposição do município caso seja necessário o uso dos helicópteros da corporação.

Outra regional da ADR que cancelou as aulas na rede estadual foi Taió, no Alto Vale do Itajaí. No restante do Estado a chuva deixou alagamentos em Agrolândia, onde o Centro da cidade foi atingido, Fraiburgo, Abdon Batista, Correia Pinto, Capinzal e Florianópolis.

Na Capital, a água inundou ruas da região Norte da Ilha. O Corpo de Bombeiros teve que dar apoio em atendimentos na Cachoeira do Bom Jesus e no Santinho. Quedas de árvores foram registradas na BR-470, no Alto Vale , onde o trânsito ficou parcialmente prejudicado. Na SC-350, entre Rio do Sul e Aurora, não havia passagem para veículos ontem à noite.

Foto: Arte DC / Agência RBS

O QUE DIZ A PREVISÃO

Devido ao avanço de uma frente fria sobre o Sul do Brasil, a chuva é esperada para todas as regiões. Segundo a Epagri Ciram, começa pelo Oeste e Meio-Oeste, estendendo-se pelo Estado no decorrer do dia de forma persistente, de moderada a forte 

Acumulado: entre este domingo e segunda-feira, deve chover de 40mm a 60mm em média no Estado. Em algumas localidades, pode chegar a 100 mm, especialmente no Oeste, Meio-Oeste, Planalto Norte, Vale do Itajaí, Litoral Sul e Litoral Norte

Até quando: o tempo instável e a possibilidade de chuva se estende de terça-feira a sexta, mas pode ter períodos de melhoria em algumas regiões. Ao longo de sexta-feira, a chegada de uma massa de ar frio deixa o tempo seco e o sol volta a aparecer.

Alerta: O maior volume de chuva está previsto para quinta e sexta-feira, segundo a Epagri Ciram, devido à formação de uma nova frente fria no Sul do Brasil. Como em algumas regiões o solo estará encharcado – o que reduz a capacidade de absorção da água da chuva, desembocando nos rios – e o nível dos rios estará elevado, a situação exige atenção para eventual ocorrência de enchentes e deslizamentos de terra, segundo a Defesa Civil.

ENTREVISTA COM O SECRETÁRIO DE DEFESA CIVIL DE SANTA CATARINA, RODRIGO MORATELLI:

"Serão muitos dias de chuva e em volumes muito altos"

O cenário dessa semana aponta para um volume maior que o registro nas últimas semana de maio?
O cenário na semana é elevado. A chuva que foi anunciada na previsão de sexta-feira, e que vem sendo refinada durante o final de semana, gera determinadas ações que a Defesa Civil vai tomar, principalmente onde o Estado tem controle, como as barragens do Alto Vale do Itajaí. Também fizemos contato como a ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para usar os reservatórios das hidrelétricas. O boletim dessa semana aponta chuvas distribuída pela semana, com pontuais de 90 a 140 milímetros, com regiões em que pode passar dos 200 milímetros, como no Meio-Oeste. O cenário é muito similar com o que aconteceu na semana passada, porém a distribuição é diferente, porque deve focar mais no Litoral Sul, Serra e Planalto Norte. 

Qual região preocupa mais?
Todo o Estado preocupa porque serão muitos dias de chuva em volumes muito altos, ainda mais que a precipitação está indo para a terceira semana com o solo que ficou muito saturado. Nas situações de crise, os deslizamentos são os que mais geram mortes, e é com isso que nos preocupamos. O solo todo carregado traz riscos principalmente nas áreas onde já teve algum corte, onde teve alteração na encosta. A população precisa ficar atenta a qualquer movimentação, barulho, água barrenta escorrendo. 

Qual é a principal orientação para a população?
Os moradores devem ter as informações corretas. Falo nos órgãos oficiais. As pessoas precisam acompanhar os alertas oficiais que o Estado e o municípios emitem. Os moradores de áreas de risco devem tomar providências, como organizar material de retirada e ficarem atentos aos avisos oficiais. precisam também observar as encostas, prestar atenção, criar consciência de alta potência porque nem sempre a pessoa será alertado do desmoronamento. Essa observação é fundamental para a segurança. É um trabalho conjunto entre Estado, município e população para que a gente passe por esse momento sem um desastre.

Se somarmos os dados de chuva das última semanas com a previsão atual, a que números chegamos?
Tivemos que regiões que chegaram na última semana a 300 milímetros. Se somar, considerando o final de semana, temos cidades com 350 milímetros. Existem regiões mais preocupantes como o Baixo Rio do Peixe, bacia do Rio Uruguai, Planalto Sul, Rio Carahá, Rio Canoas, Vale do Itajaí, bacia do Rio Iguaçu e Litoral Sul. Mas estamos trabalhando com as barragens em contato com a ONS e nos locais que dependem do Estado como Taió, Ituporanga e José Boiteux. Na barragem de Ituporanga temos 63% neste domingo e precisamos de 40% livre para o volume de chuva que estamos esperando. Até a noite deste domingo esperamos liberar o que falta. Na barragem de Taió precisamos de 55% livre e estamos com 45%, mas até a noite deste domingo esperamos diminuir a ocupação. Temos uma operação coordenada para atender os municípios. Estamos em alerta até sexta-feira.

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