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06/06/2017 às 05:55
Emilio Odebrecht depõe em processo que tem Lula como réu

 

Segundo MP, na Presidência Lula ganhou apartamento como propina.

Delator diz que Lula não gostou do terreno onde seria sede de instituto,

 

O dono da Odebrecht, Emílio Odebrecht, e outros dois ex-executivos do grupo prestaram depoimento nesta segunda-feira (5) na ação sobre um terreno e um apartamento que, segundo a força-tarefa da Lava Jato, seriam pagamento de propina para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa do ex-presidente queria suspender os depoimentos e o tribunal da segunda instância decidiu que as testemunhas terão que falar novamente.

Nessa ação, Lula responde por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo os procuradores da Lava Jato, enquanto ainda era presidente, Lula recebeu como propina da Odebrecht o apartamento vizinho ao que ele mora em São Bernardo do Campo e também um terreno de R$ 12 milhões onde seria construída a nova sede do Instituto Lula.

A compra foi feita pela DAG, empresa ligada à Odebrecht. A obra acabou não saindo do papel. Os imóveis, segundo as investigações, eram em troca de oito contratos da Odebrecht com a Petrobras.

O ex-executivo da Odebrecht e delator Alexandrino Alencar explicou nesta segunda a compra do terreno.

Moro: Por que a Odebrecht adquiriria um imóvel para o Instituto Lula?

Alexandrino: Eu entendo que em retribuição, a contrapartida ao que o próprio presidente Lula fez no passado, eu acho também, em função da importância dele no então governo e, também, no futuro político do próprio ex-presidente Lula, na época.

Alexandrino disse que a obra do instituto não foi feita porque, segundo ele, Lula não gostou do terreno e que apresentou outras propostas ao presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Alexandrino falou que o valor está registrado na planilha Italiano, usada para controlar os pagamentos ao PT no departamento de propina da Odebrecht.

O dono da Odebrecht, Emilio Odebrecht, também prestou depoimento. Voltou a falar da relação de proximidade com o ex-presidente Lula e que se reuniu várias com ele, inclusive para discutir apoio financeiro ao Partido dos Trabalhadores.

Emilio Odebrecht falou ainda que orientou o ex-presidente na criação do Instituto Lula e que também tratou desse assunto com outros ex-presidentes, tanto no Brasil como no exterior. Mas disse não saber nada sobre o processo de compra do terreno.

O ex-executivo João Alberto Lovera disse que a indicação do endereço para a compra foi feita pelo advogado do ex-presidente Roberto Teixeira, também réu na ação. Que o terreno tinha pendências e que o departamento jurídico da Odebrecht não aconselhou a compra, que acabou sendo feita pela DAG. Lovera afirmou ainda que acompanhou Lula, dona Marisa Letícia e Paulo Okamotto numa visita ao terreno.

“Aí chegaram dois carros, aí desceu o ex-presidente Lula, a senhora Marisa, Paulo Okamotto e mais um quarto que eu não posso precisar quem era porque eu não conhecia”, contou João Alberto Lovera em depoimento.

A defesa do ex-presidente Lula tentou adiar os depoimentos, alegando que só tomou conhecimento nesta segunda de manhã dos vídeos da delação da Odebrecht anexados ao processo. O juiz Sérgio Moro negou a suspensão, mas se comprometeu a aceitar um eventual pedido para que as testemunhas sejam reinterrogadas.

Os advogados do ex-presidente recorreram e, no início da noite desta segunda, o desembargador João Gebran atendeu parcialmente o pedido da defesa do ex-presidente. O desembargador não anulou os depoimentos, mas fixou um prazo de três dias para que os advogados de Lula analisem os vídeos das delações e depois as testemunhas sejam ouvidas novamente.

O advogado do ex-presidente Lula afirmou que a liminar concedida na noite desta segunda mostra que a defesa tinha razão. Segundo o advogado, os depoimentos prestados nesta segunda mostraram o caráter irreal da acusação e o Ministério Público Federal tenta atribuir a Lula ou a pessoa a ele relacionada um imóvel que ele jamais solicitou ou recebeu.

A defesa de Lula afirmou ainda que João Alberto Lovera relatou que o interesse da diretoria do instituto no terreno não se materializou e que a operação das empresas envolvidas não teve qualquer relação com os contratos com a Petrobras.

A defesa do ex-presidente disse também que Emilio Odebrecht afirmou jamais ter tratado de valores com Lula e que o Instituto Lula não teve interesse por qualquer das supostas sugestões de Alexandrino Alencar.

Roberto Teixeira afirmou que os depoimentos reconheceram que ele exerceu atos relacionados à condição de advogado e que a inclusão do nome dele na ação é uma tentativa do Ministério Público de criminalizar a advocacia.

O Instituto Lula afirmou que a acusação é absurda e parte de uma perseguição política de alguns procuradores; que nem o Instituto Lula nem o ex-presidente jamais solicitaram ou receberam qualquer terreno da Odebrecht; que Lula não é dono do apartamento vizinho àquele em que mora; que o aluguel do imóvel não tem nenhuma relação com a empresa Odebrecht e que todas as propriedades do ex-presidente estão no nome dele e devidamente declaradas.

O Jornal Nacional não conseguiu entrar em contato com as defesas da DAG e de Paulo Okamotto.

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