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27/06/2017 às 19:09
Temer diz que acusações são "ilações" e que está em curso um "atentado contra o país"

 

O presidente Michel Temer fez um pronunciamento nesta terça-feira (26), no qual rebateu as acusações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e afirmou que a denúncia contra ele são "ilações". "Nesse momento em que colocamos o país nos trilhos, somos vítimas dessa infâmia de natureza politica", disparou, acrescentando. "Há um atentado contra nosso país."

 

Temer menosprezou o aspecto jurídico da acusação. "Reinventaram o código penal e incluíram uma nova categoria: a denúncia por ilação. Se alguém cometeu um crime, e eu o conheço, logo a relação é que eu sou também criminoso. Abriu-se portanto um precedente perigosíssimo. Esse tipo de trabalho trôpego permite as mais variadas conclusões sobre pessoas de bem e honestas", disse. 

 

 

Temer partiu para o enfrentamento com Janot, citando inclusive o caso do ex-procurador Marcelo Miller, que deixou a força-tarefa da Lava Jato em março deste ano e passou a trabalhar no escritório de advocacia que negociou os termos da leniência do grupo JBS com a Procuradoria-Geral da República. 

 

"Esta ilação permitiria construir a seguinte hipótese: um assessor próximo ao procurador-geral da República, e dou seu nome, porque meu nome foi usado deslavadamente, inúmeras vezes na denúncia, havia até o desejo de ressaltar meu nome, dou o nome de Marcelo Miller, da mais restrita confiança de Procuradoria-Geral da República. Ele saiu e já foi trabalhar para esta empresa. E ganhou verdadeiros milhões em poucos meses. O que talvez levaria décadas para poupar. Garantiu ao seu novo patrão um acordo benevolente, que o tira das garras da Justiça, e gera uma impunidade nunca antes vista. Ninguém saiu com tanta imunidade, e tudo ratificado, assegurado pelo procurador-geral da República. Pelas novas leis da ilação, poderíamos concluir que os milhões de honorários recebidos não seriam para ele", disse, prosseguindo: "Mas tenho responsabilidade, não farei ilações. Tenho a mais absoluta convicção que não posso denunciar sem provas. E no caso do senhor grampeador [referindo-se a Joesley Batista, dono da JBS], o desespero de se safar da cadeia moveu ele e seus capangas para, depois, haver a delação e o prêmio da impunidade." 

 

Temer afirmou que as acusações contra ele não têm fundamentos jurídicos. "Sou da área jurídica. Não me impressiono com fundamentos ou, quem sabe, até com a falta de fundamentos jurídicos, porque advoguei por muitos anos. Sei quando uma matéria tem fundamentos jurídicos e quando não tem. Sob o foco jurídico, minha preocupação é minima", afirmou. 

 

O presidente prosseguiu destacando que seu esclarecimento era em função da repercussão política da acusação. "É um ataque injurioso, indigno, infamante à minha pessoa. Tive uma vida limpa e produtiva. Nesse momento em que colocamos o país nos trilhos, somos vítimas dessa infâmia de natureza política. Fui denunciado por corrupção passiva a esta altura da vida, sem jamais ter recebido valores. Nunca vi dinheiro e não participei de acordos para receber ilícitos. Onde estão as provas concretas de recebimento de valores? Inexistem."

 

Temer continuou afirmando que a denúncia era uma "ficção", e que devia uma explicação aos brasileiros e especialmente à sua família e amigos. "Não posso criar falsos fatos para atingir objetivos subalternos. Eu acredito na justiça. Tentaram imputar a mim um ato criminoso que não existe. Quem deveria estar na cadeia está solto, para voar e voltar ao país para criar uma nova história. Ele foi trazido até de boné para se disfarçar. Eu não preciso me disfarçar. Ele foi preparado, treinado para fazer provas induzidas", afirmou, se referindo ao retorno de Joesley ao Brasil para prestar novos depoimentos.

 

"Me criticaram por ter recebido tarde da noite o Joesley. Recebi naquela oportunidade o maior produtor de carne do Brasil e, quem sabe, do mundo. Conheci o bandido confesso quando ele revelou os crimes cometidos ao Ministério Público, sem nenhuma punição. O produto dessa conversa é uma prova ilícita", afirmou, acrescentando ainda que quando usou a expressão "mantenha isso", no momento em que Joesley falava de seu acordo com o deputado cassado Eduardo Cunha, falava em manter a amizade.

 

Temer afirmou ainda que está sendo vítima de uma "revanche, destruição e vingança", destacando a tendência, ainda não concretizada, de que as denúncias contra ele sejam apresentadas em etapas. "Ainda se fatiam as denúncias para fabricar atos semanais. Querem parar o país com denúncias frágeis, e atingem a Presidência da República. É preciso ter provas comprovadas para atingir esta instituição. Tem que ter provas concretas. Há um atentado contra nosso país", afirmou. 

 

O presidente destacou ainda as medidas econômicas que seu governo tem tomado, e disse que estava se pronunciando em defesa da instituição Presidência da República e da sua honra. "Tenho honra de ser o presidente, pelos avanços que meu governo praticou, e não permitirei que me acusem de crimes que nunca cometi. Quero continuar a trabalhar pelo Brasil. Não fugirei das batalhas nem da guerra que temos pela frente. Minha disposição não diminuirá com ataques irresponsáveis", concluiu.

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