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27/06/2017 às 19:35
'Adeus às armas', declaram Farc em uma Colômbia sedenta de paz
A guerrilha das Farc, a mais antiga da América, proclamou nesta terça-feira o seu "adeus às armas" depois de mais de meio século de luta armada na Colômbia, em um ato no qual o presidente Juan Manuel Santos assegurou que a paz é "irreversível".
"Adeus às armas, adeus às guerras. Bem-vinda, paz", exclamou o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, durante uma cerimônia em Mesetas, onde foi celebrado o fim do desarme de 7.000 combatentes desta guerrilha.
"Não falhamos com a Colômbia, hoje deixamos as armas", acrescentou Timochenko em Mesetas, onde esta guerrilha, criada em 1964 após uma sublevação camponesa, se consolidou e instalou o seu centro de operações.
Com a entrega das armas, Santos assegurou que agora "os colombianos e o mundo inteiro sabem que a nossa paz é real e irreversível". "É o fim desta guerra absurda", acrescentou.
No ato participaram o chefe da missão da ONU, Jean Arnault, a cargo do processo de desarme; representantes dos países patrocinadores do acordo de paz, Noruega e Cuba; a cúpula da guerrilha, delegados do Congresso, entre outros.
"Consideramos que o compromisso com a deposição das armas individuais [...] foi honrado", expressou Arnault, após recordar na segunda-feira que a ONU certificou a entrega de 7.132 armas nas 26 zonas onde estão concentrados os agora ex-combatentes.
Enquanto isso, o Exército de Libertação Nacional (ELN), a única guerrilha ativa do país, se somou à comemoração. "O ELN envia um abraço fraterno às companheiras e aos companheiros das @FARC_EPueblo que, com imensa confiança, hoje dão um passo transcendental. Bom vento e bom mar!", expressou nas redes sociais.
O conflito armado colombiano, do qual também participaram outras guerrilhas, grupos paramilitares e agentes estatais, deixou 260.000 mortos, 60.000 desaparecidos e 7,1 milhões de deslocados.
- Destruição das armas -
A deposição das armas "significa o fim da principal guerrilha armada no hemisfério ocidental, o início de um pós-conflito [...] e de um processo difícil de reconciliação no país", fortemente dividido em relação ao acordo de paz, disse à AFP o analista Jorge Restrepo.
Até 1º de agosto, 700 armas ficarão nas mãos de alguns guerrilheiros para assegurar as zonas de concentração, disse Arnault. Nessa data, a missão prevê retirar os contêineres onde está o arsenal nos campos.
Paralelamente, a ONU continuará localizando mais de 900 esconderijos de armas das Farc, uma tarefa que deverá terminar em 1º de setembro. Até este momento, foram verificados 77, dos quais retiraram "o armamento e destruíram munições, explosivos e armamento instável".
As armas das Farc serão fundidas para criar três monumentos que serão colocados na sede da ONU em Nova York, na Colômbia e em Cuba.
- Desafios das Farc -
Após o seu desarme, as Farc têm pelos menos dois desafios à frente: a justiça transitória e o seu futuro político.
O primeiro ponto preocupa as Farc devido à demora nas anistias e indultos aos 3.400 guerrilheiros presos, segundo a guerrilha, assim como na aplicação de um sistema de justiça especial.
"É lamentável que boa parte dos guerrilheiros, milicianos, simpatizantes e acusados de pertencer a nossas fileiras permaneçam na prisão a seis meses da expedição de uma lei de anistia e indulto que lhes garanta a sua liberdade em 10 dias", reclamou Timochenko.
Este ponto gera mal-estar em vários setores. O partido de direita Centro Democrático, do senador e ex-presidente Álvaro Uribe, é um ferrenho opositor ao acordo de paz por considerar que dá muita concessão aos guerrilheiros.
"É bom que tenham entregue as armas, mas espero que tenham entregue todas", afirmou Juan David Giraldo, um motorista de 26 anos no município de Rionegro, departamento de Antioquia, reduto político de Uribe.
O futuro político dos ex-combatentes será definido em um congresso previsto para agosto. "Quais serão as suas bandeiras políticas, em qual ideologia vão se basear? É uma pergunta que vai definir o seu sucesso político", afirmou Restrepo, diretor do centro de análises de conflito Cerac.
Enquanto isso, para o analista do Crisis Group na Colômbia, Kyle Johnson, surgem outras preocupações como "a proteção aos ex-combatentes, a substituição dos cultivos de coca [base da cocaína] que promovem grupos armados, o tráfico e a corrupção" e "que o Estado preencha os espaços deixados pelas Farc para que outros grupos armados" não os ocupem.

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