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27/06/2017 às 19:45
Após deixar armas, Farc apostam em mulheres e jovens como candidatos

 

Após abandonar as armas, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) usarão o congresso do grupo em agosto para definir a linha de seu partido político e traçar estratégias para conseguir eleitores. A principal tática, segundo analistas, será apostar, pelo menos nas primeiras votações, em mulheres e jovens como candidatos. É uma tentativa de se descolar do histórico de 50 anos de violência e 200 mil mortos.

 

Essa tendência começou a ser delineada no último congresso do grupo, em agosto de 2016. “Considero essa a aposta central do projeto político das Farc. Primeiro, porque muitos dos membros do secretariado manifestaram que não pretendem concorrer, pelo menos por enquanto. Segundo, porque são eles que têm o maior desgaste em questão de imagem”, afirma Juan David Cárdenas Ruiz, professor de Estudos Políticos da Universidade de la Sabana. Ele acrescenta que os líderes guerrilheiros homens são os mais associados às ações armadas.

 

Desde o início das negociações de paz entre as Farc e o governo de Juan Manuel Santos, a guerrilha ressalta o papel da mulher na organização, com vídeos e publicações no Twitter que descrevem as virtudes da “mulher fariana” e contam a história de integrantes do grupo. “Como o grupo tem uma ideologia que não encontra sintonia na maior parte do país, o carisma será uma ferramenta fundamental para romper barreiras e preconceitos. Aí as mulheres das Farc podem ter um papel muito importante”, explica Ruiz.

 

A próxima eleição será a parlamentar de março de 2018, quando se renovam os mandatos de 102 senadores e 166 deputados. As Farc terão em cada Câmara uma cota de 5 assentos, que serão criados caso o grupo não consiga eleger representantes na votação direta. Na eleição presidencial, prevista para maio do próximo ano, o grupo não deverá apresentar candidato, embora possa fazê-lo. 

 

“Pensando em nível nacional, as Farc devem apostar em apoiar algum nome da esquerda num primeiro momento”, afirma o cientista político Frédéric Massé, da Universidade Externado de Colômbia, considerando que seria “contraproducente” para o novo partido investir capital político em uma eleição nacional sem antes conseguir avaliar o respaldo que terá após o processo de paz. O eleitorado do país costuma resistir a nomes da esquerda, mesmo a moderada, justamente pela associação ideológica à guerrilha.

 

A aposta das Farc é ter força para levar às urnas ao menos uma parte daqueles que se abstêm - cerca de 55% da população habilitada. Para Massé, no entanto, o argumento do grupo pode ser falho. “A abstenção não está só em regiões afastadas, onde as Farc tiveram grande atuação. Hoje em dia, já se oferecem ônibus para levar essas pessoas aos centros de votação, por exemplo. E muitas dessas regiões que tradicionalmente não participam das eleições não são muito povoadas.”

 

A entrada das Farc na política deve mexer com a atual polarização entre seguidores do atual presidente e do anterior, Álvaro Uribe. “A esquerda na Colômbia sempre foi muito dividida e a entrada das Farc nessa linha deve complicar o cenário. Líderes da esquerda mais radicais não enxergam a situação com bons olhos porque terão mais concorrentes”, avalia Masse. 

 

Para começar a construir uma legenda, as primeiras campanhas políticas e um instituto para a formação de quadros, as Farc contarão com dinheiro do Fundo do Estado para partidos políticos. Segundo o advogado das Farc Enrique Santiago, o valor nos primeiros anos da existência do partido será de 7% da quantidade do fundo.

 

Segundo a lei colombiana, partidos políticos podem receber doações de empresas privadas para o financiamento de campanhas. O governo colombiano estabelece que qualquer partido perde sua personalidade jurídica se utilizar recursos provenientes de negócios ilícitos. Um dos principais argumentos dos que se opõem à entrada das Farc na vida política é seu histórico financiamento pelo narcotráfico. / COM AP

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