Cúpula no Marrocos para adotar acordo mundial sobre migração

<p>Representantes do mundo todo se preparam para uma grande conferência no Marrocos na qual apoiarão um acordo das Nações Unidas sobre migração, apesar de vários países rejeitarem o pacto.</p><p>O Pacto Mundial para uma Migração Segura, Ordenada e Regular foi concluído em julho na ONU depois de 18 meses de negociações, e será adotado formalmente durante uma cúpula em Marrakesh na segunda e terça-feira.</p><p>Este acordo não vinculativo, que busca promover um enfoque comum sobre os crescentes fluxos migratórios, se tornou alvo de políticos populistas que o consideram uma ofensa à soberania nacional.</p><p>Os Estados Unidos abandonaram as negociações em dezembro passado, sete meses antes de a Hungria fazer o mesmo.</p><p>Desde então, República Dominicana, Austrália, Israel, Polônia, Eslováquia, República Tcheca, Áustria, Suíça e Bulgária rejeitarem publicamente o acordo ou anunciarem à ONU a sua não participação.</p><p>Mas patrocinadores-chave como a Alemanha, da chanceler Angela Merkel, estarão presentes no Marrocos para apoiar o pacto, e a ONU mantém o otimismo em poder ajudar o mundo a lidar melhor com esta questão candente.</p><p>”Estou muito confiante. Um grande número de Estados mantém a sua palavra. Chegaram a um acordo em 13 de julho em Nova York depois de negociações muito sérias e intensas”, disse à AFP Louise Arbour, representante especial da ONU para migrações.</p><p>”Os países que abandonaram o processo haviam obtido concessões durante as negociações, e devo admitir que me parece um pouco surpreendente”, continuou.</p><p>- ‘Texto controverso’ -</p><p>Este acordo global apresenta 23 objetivos para facilitar a migração legal e gerir melhor os fluxos, em um momento no qual o número de pessoas que migram em todo o planeta superou os 250 milhões, algo mais de 3% da população mundial.</p><p>O acordo havia sido apresentado como um exemplo de sucesso diplomático da ONU alcançado sem os Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, põe em dúvida a relevância da organização internacional.</p><p>Depois da conferência de Marrakesh, a Assembleia Geral adotará uma resolução que respalde formalmente o pacto migratório.</p><p>Este não foi atacado unicamente por políticos de extrema direita, mas também por ativistas que consideram que não vai longe o suficiente em termos de ajuda humanitária, serviços e direitos dos migrantes.</p><p>Gotz Schmidt-Bremme, presidente da iniciativa da ONU Fórum Global para a Migração e o Desenvolvimento, admitiu que o acordo se tornou um “texto controverso”, mas insistiu que é necessário um enfoque comum.</p><p>”Talvez os benefícios da migração legal estejam enfatizados em excesso e nos esqueçamos dos desafios (…) Subestimamos a necessidade de que existam comunidades que querem, sobretudo, que os migrantes se integrem”, reconheceu à AFP.</p><p>- ‘Manipulação’ -</p><p>Os defensores do texto atacaram o que consideram uma campanha para desmerecer o acordo e transformá-lo em uma questão política interna que pode atrair eleitores.</p><p>”Estamos testemunhando uma manipulação por parte de alguns setores políticos, de uma tergiversação dos objetivos do pacto”, disse Antonio Vitorino, diretor da Organização Internacional para as Migrações.</p><p>”É claro que há desafios, a imigração irregular é uma ameaça, mas devemos reagir à narrativa negativa nos mobilizando politicamente”, acrescentou.</p><p>Os líderes de Espanha, Alemanha, Grécia e Portugal participarão da conferência, mas o presidente francês, Emmanuel Macron, enviará um representante ministerial para que possa lidar com os protestos contra o governo em seu país.</p><p>O primeiro-ministro belga, o liberal Charles Michel, obteve o apoio do Parlamento para ir ao Marrocos e respaldar o acordo, mas sua coalizão poderia perder o respaldo de um importante partido nacionalista flamenco devido a essa questão.</p><p>Líderes conservadores de todo o mundo tomaram medidas duras nos últimos anos para limitar a migração.</p><p>Donald Trump fez da redução da migração e da construção de um muro na fronteira com o México duas promessas-chave de campanha, e recentemente dirigiu sua raiva contra a caravana de migrantes procedente da América Central.</p><p>O rechaço aos imigrantes levou ao poder na Itália uma coalizão que tomou medidas drásticas contra os navios que resgatam migrantes no mar, e primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, defendeu uma legislação mais restritiva com a imigração.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense