Entidades empresariais e de saúde de SC avaliam discurso de Bolsonaro

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Fiesc e Fecomércio defendem a volta gradativa de setores do comércio, enquanto Sociedade Catarinense de Infectologia direciona críticas ao discurso do presidente e defende quarentena

A pandemia no novo coronavírus (Covid-19) tem gerado impactos na saúde e na economia. A reportagem do nd+ entrou em contato com entidades empresariais e da área da saúde de Santa Catarina para entender os impactos que atuais e novas medidas possam gerar na população.

Em pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na noite desta terça-feira (24), o político defende que escolas e comércios sejam reabertos e haja apenas uma quarentena vertical, onde apenas pessoas do grupo risco permaneceriam isoladas, a discussão foi novamente reaberta.

 

Comércio catarinense cumpre determinação do governo do estado em restringir atendimento – Foto: Anderson Coelho/ND

Economia

Para o presidente da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Mario Cezar de Aguiar, neste momento é possível começar a pensar em uma flexibilização, preservando os grupos de risco, liberando as atividades de maneira gradativa para que se encontre um equilíbrio.

“Essas medidas impactam a sociedade de forma econômica e social”, diz presidente da Fiesc – Foto: Fiesc/Divulgação/ND

Segundo a Fiesc a primeira preocupação das indústrias sempre foi proteger a população. “Porém, temos que entender que essas medidas impactam a sociedade de forma econômica e social”, explica o presidente.

“Certamente que as medidas mais restritivas num primeiro momento foram importantes para preservar o sistema de saúde catarinense, onde você conseguiu não impactar a saúde de grande parte da população”, afirma Aguiar.

O presidente acredita que seja possível a flexibilização do decreto, preservando os protocolos de segurança, como o distanciamento mínimo e os cuidados com a higiene.

“Santa Catarina sempre foi um estado organizado, a população já sofreu com muitos desastres. Acredito que com a troca de informações entre a própria população consigamos chegar a um bom senso. Temos mantido contatos com os governantes para encontrarmos uma solução”, completa.

Federação segue a mesma linha

A Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina) segue a mesma linha de raciocínio. Em ofício enviado ao governo do Estado, a entidade afirma que este é o “momento oportuno” para iniciar de forma planejada o retorno as atividades econômicas de comércio e serviços.

Fecomércio SC considera acertadas as medidas tomadas pelo Estado – Foto: Reprodução/RICTV Record TV

“Pedimos também para que sejam tomadas medidas no sentido de aliviar as obrigações tributárias, dando fôlego ao caixa das empresas e possibilitando um melhor planejamento da crise”, afirma a entidade em nota.

A Fecomércio reitera que é necessário manter as medidas que preservem os grupos de maior risco, especialmente a população de idosos.

Em ofício enviado ao governo, a Federação cita a quebra de micro, pequenas e médias empresas e agravamento do desemprego, por exemplo. Além disso, aponta questões como a redução do poder aquisitivo do catarinense, perda de confiança por parte dos consumidores e empresas para a busca de crédito e realização de investimentos.

Outro ponto considerado é a redução do caixa dos governos municipais e estaduais para os investimentos necessários no combate do vírus, como fatores para o retorno das atividades.

A entidade ainda afirma que considera acertadas as medidas tomadas pelo governo do Estado para o combate à pandemia.

Saúde

A reportagem entrou em contato com o Sindicato dos Médicos de Santa Catarina para entender o posicionamento da entidade diante da situação.

O sindicato apenas afirmou que entende o lado da economia, e que é necessário encontrar um equilíbrio para que aos poucos o país volte a se estruturar na parte da saúde e da economia.

Já a Sociedade Catarinense de Infectologia segue a linha de raciocínio da Sociedade Brasileira de Infectologia e se pronunciou através de nota oficial.

A entidade afirma que o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro trouxe preocupação por afirmar “ser contra o fechamento das escolas e ao se referir a doença como um ‘resfriadinho'”.

A sociedade ainda pontua a respeito do posicionamento do presidente. Isso porque a declaração de Bolsonaro pode passar “uma falsa impressão à população de que as medidas de contenção social são inadequadas e que a Covid-19 é semelhante a um resfriado comum”.

Elogios a Mandetta

A sociedade diz concordar com o presidente apenas “quando elogia o trabalho do Ministro da Saúde, Dr. Luiz Henrique Mandetta, e sua equipe, cujas ações têm sido de grande gestor na mais grave epidemia que o Brasil já enfrentou em
sua história recente”.

“Também concordamos que devemos ter enorme preocupação com o impacto socioeconômico desta pandemia e a preocupação com os empregos e sustento das famílias”, diz em nota.

O documento prossegue, afirmando que “entretanto, do ponto de vista científico-epidemiológico, o distanciamento social é fundamental para conter a disseminação do novo coronavírus, quando ele atinge a fase de transmissão comunitária”.

A entidade finaliza afirmando que a medida de isolamento está sendo tomada “em países europeus desenvolvidos e nos Estados Unidos”, e deve ser mantida.

Médico defende medidas

Para o infectologista, Dr. Gustavo Pinto, de todas as medidas tomadas em países onde a pandemia aconteceu com força, o isolamento social continua sendo o método mais eficaz.

“Nós entendemos que a vida fica muito dificultada para indivíduos que não tem suporte social. Porém, o preço que o país vai pagar caso afrouxe as medidas de contenção é muito maior”, afirma o médico.

Para o profissional nenhuma medida deve ser tomada através de emoção ou pressão de grupos econômicos. O médico afirma que as pessoas devem permanecer nas suas casas, em locais arejados, mantendo as medidas de higiene.


Fonte: Com Agências