Erick Jacquin estreia programa que salva estabelecimentos à beira da falência
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Erick Jacquin estreia programa que salva estabelecimentos à beira da falência

Gabriel Sobreira

– Chef também revela que em ‘Pesadelo na Cozinha’ pode xingar e mandar embora –

Rio – Em 2013, o restaurante de alta gastronomia francesa La Brasserie — um dos melhores e mais premiados do país — fechou as portas em São Paulo. O estabelecimento acumulava dívidas entre fornecedores e ações trabalhistas. À frente do estabelecimento estava o chef Erick Jacquin. Amanhã, às 22h30, quatro anos depois desse episódio, Jacquin estreia o ‘Pesadelo na Cozinha’, na Band, em que justamente ajuda a recuperar restaurantes que estão à beira da falência. “Como um cara pode fazer um programa desse se ele já fechou um restaurante dele? A experiência que eu passei, na realidade, me ajudou muito. Acho que a pessoa que passa, sabe. Não abri um restaurante para brincar ou para me divertir. Eu abri um restaurante porque eu amo esse negócio. Me apaixonei, nunca me imaginei fazendo outra coisa. Eu tento ajudar as pessoas com minha experiência, que é forte. Só as pessoas que têm experiência podem ajudar os outros. Um padre que não acredita em Deus não pode fazer uma missa”, justifica.

DINÂMICA DO PROGRAMA

Na atração, o chef vai até o restaurante e identifica os problemas que a pequena empresa possui. Pode ser desde desde relacionamento de sócios, administração, cardápio, cozinha, limpeza, funcionários que não estão dispostos a ajudar, de tudo um pouco. “Ele identifica, administra, levanta, resolve, e entrega o restaurante com sobrevida para o mercado”, explica Fernando Sugueno, diretor de programação da Band.

Considerado durão, carrasco e exigente, Jacquin garante que não será nenhum personagem na atração. Será ele mesmo na frente e atrás das câmeras. “É como eu falo: antigamente, eu xingava o cara, dava bronca, madava embora e pegava um processo trabalhista. Hoje eu xingo, mando embora, e nada. Esse é o paraíso, felicidade”, completa o chef. “Já ouvi falar que sou capeta, inferno na cozinha. Eu sou um carrasco mesmo. O único lugar do mundo que não combina com democracia é dentro de uma cozinha. Ela tem um chef só. No final se tudo dá errado, quem vai pagar é o chef. O chef decide o caminho, o chef faz o caminho, o chef que se arrisca. Os outros depois vão trabalhar em outro lugar. Um dia vão ser chef e vão pensar a mesma coisa que estou falando para você hoje”, salienta.

Nas ruas e nos restaurantes, o chef se diverte com a repercussão adquirida com o reality ‘MasterChef’. “Nunca imaginei fazer televisão”, garante. Mas o retorno tem sido cada vez melhor. “Uma vez uma mulher falou para mim: ‘Você é o homem que faz o programa?’. Eu olhei para ela e brinquei: ‘Sim, sou homem de programa. A senhora me liga, e eu vou na sua casa’. Mas eu gosto disso. Nao é um papel, não é novela, é realidade. Quando a gente entra na cozinha, a gente não sabe se vai queimar ou se a cozinha vai pegar fogo”, completa.

PERFIS DOS PARTICIPANTES

A primeira temporada — uma segunda já é avaliada pela emissora — terá 13 episódios, sendo que apenas um deles se passa no Rio (os demais são em São Paulo). Entre os participantes, um restaurante italiano, um de comida espanhola, outro de japonesa, mexicana, brasileira, árabe. Há ainda uma hamburgueria e também uma lanchonete. No Rio, o estabelecimento escolhido fica em Jacarepaguá, na Zona Oeste. “Foi muito legal porque são dois jovens, que queriam um restaurante sem trabalhar lá. Morando longe do restaurante e conversando só pelo WhatsApp. Foi uma experiência muito divertida. A gente começou tudo de novo lá”, conta.

SOBRE O LA BRASSERIE

Ainda sobre a sua experiência em fechar as portas do La Brasserie, Jacquin diz que seu caso foi à parte e que as pessoas devem, sim, investir em seus negócios. “Tem gente que compra restaurante sem dinheiro e pensa que vai dar certo. Eu fiz o contrário. Comprei um restaurante com um dinheiro de investidor, coloquei minha parte também. Tinha 90 funcionários. Eu montei um barco. É muito diferente de um cara que tem cinco ou seis funcionários. Se amanhã eu abro um restaurante vai ser com a minha esposa, meus colegas de trabalho e pronto. Nunca mais assino carteira de trabalho”, salienta.

O chef ainda deixa claro que seu antigo restaurante só fechou as portas por causa de problemas financeiros. “Quem passou por um problema assim, sabe como é. Eu já passei e dei a volta por cima. Nunca fechei um restaurante por falta de qualidade. Quem passa por esse problema pode ajudar os outros. Quem não sabe, não pode”, reforça.

A ideia original da emissora era exibir o ‘Pesadelo na Cozinha’ antes do sucesso ‘MasterChef’, mas só agora o programa saiu do papel. A escolha de Jacquin como comandante da atração nunca foi uma dúvida para o canal. “O Jacquin foi nossa primeira escolha no processo. Ele é o chefe mais renomado de SP e nasceu para isso. Tem energia necessária para poder cobrar, doçura para incentivar e dar força. Caiu do ceu”, comemora Sugueno.

MAIS TEMPO LIVRE

Um dos pontos altos do programa é quando o chef leva o dono — ou os donos — do estabelecimento para um dia de distração como passeio de barco ou aula de judô. Pois muitos deles, a vida se resume praticamente a “respirar” o restaurante de manhã até de noite. “A vida não é só isso. Eu tinha minha esposa que me ajudou muito. Mas tem gente que não tem essa sorte. Então a gente precisa fazer esse momento grande”, derrete-se o chef sobre a mulher, Rosângela.

Para Jacquin, o mais chocante foi ver a perda da confiança nos olhos dos profissionais empreendedores. “Quando o ser humano está no meio do tunel, desesperado, deprimido, e fala ‘não sou ninguém’. Eu passei por essa fase. Mas eu não senti essa fase na minha vida. Só a Rosangela pode falar disso”, confessa.

‘É PRECISO LUTAR’

Mas não só de as mudanças na estética ou no cardápio ou na filosofia dos gestores que serão garantia de sucesso a partir do momento em que a equipe sai. “Depende muito da dívida do restaurante. A gente grava uma semana com eles. Imagina que uma semana para trás a dívida seja de R$ 500 mil. A gente fica uma semana com eles. Coloca uma lavada de cara no lugar, dá uma outra energia, um outro lugar, na sexta-feira a gente vai embora, depois depende dele. Se depois o negocio fale, o que tenho que fazer?”, pergunta o diretor. Jacquin responde: “É preciso lutar”.

Fonte: O Dia

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