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Ex-líder político do ETA Josu Ternera detido na França

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<p>O ex-líder político do ETA José Antonio Urrutikoetxea Bengoetxea, mais conhecido como Josu Ternera, foi detido nesta quinta-feira na França, depois de passar 17 anos foragido da justiça espanhola.</p><p>A detenção de um dos dirigentes históricos da organização separatista armada basca, dissolvida há um ano, “aconteceu nas primeiras horas do dia na localidade de Sallanches nos Alpes franceses”, anunciou o ministério do Interior espanhol em um comunicado.</p><p>Ternera, 68 anos, é descrito no comunicado como “o militante da organização terrorista ETA mais procurado pelas forças policiais, tanto espanholas como francesas”.</p><p>Durante 40 anos de violência pela independência do País Basco e Navarra, o ETA assassinou mais de 800 pessoas, até abandonar a luta armada em 2011.</p><p>Em maio de 2018 o grupo anunciou a dissolução. Ternera foi o responsável por gravar a chamada “declaração final”, que acabou com o grupo criado na resistência contra a ditadura de Francisco Franco.</p><p>Ao que parece gravemente enfermo – a imprensa afirma que ele tem câncer -, Josu Ternera estava foragido desde 2002 da justiça espanhola, que o vincula ao atentado com bomba 1987 contra um quartel da Guarda Civil em Zaragoza que matou 11 pessoas, incluindo crianças.</p><p>Com grande influência dentro do grupo, Ternera liderou o ETA de 1977 a 1992.</p><p>De acordo com analistas, neste período ele privilegiou a estratégia do terror para forçar o governo espanhol a negociar com o separatismo basco.</p><p>Os especialistas atribuem a Ternera a adoção dos atentados com carros-bomba pelo ETA.</p><p>Ele foi eleito deputado pelo Herri Batasuna, partido nacionalista radical basco considerado por muitos o braço político do grupo separatista.</p><p>Também participou nas fracassadas negociações de paz em 1989 com membros do governo espanhol na Argélia.</p><p>Em 2002 fugiu da justiça depois de ter sido convocado pelo Tribunal Supremo para depor sobre o atentado de 1987.</p><p>Na clandestinidade, participou nas negociações com o governo socialista espanhol durante uma trégua em 2006, mas foi afastado para que integrantes da linha mais dura do grupo assumissem o comando.</p><p>O processo fracassou: em dezembro de 2006 o ETA explodiu uma bomba no aeroporto de Madri, que matou dois equatorianos, e em junho de 2007 deu por encerrado o cessar-fogo.</p><p>As forças de segurança responderam com operações policiais contra a organização, que, sem capacidade operacional, anunciou o fim da violência em 2011.</p><p>A dissolução do ETA não acabou com os esforços da polícia contra a organização, com mais de 350 crimes ainda não solucionados.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense