Dois jornalistas da AFP são brutalmente detidos na RCA

<p>Dois jornalistas franceses que trabalham para a Agência France-Presse (AFP) na República Centro-Africana foram brutalmente detidos e seus equipamentos confiscados ou destruídos no sábado (15) durante a dispersão de uma manifestação da oposição em Bangui.</p><p>Os dois correspondentes, Charles Bouessel (28 anos) e Florent Vergnes (30 anos), relataram que foram mantidos em detenção por mais de seis horas e interrogados três vezes depois de terem sido presos e espancados por membros do Escritório Centro-Africano para a Repressão do Banditismo (OCRB).</p><p>Acreditados para trabalhar neste país, os dois jornalistas foram presos no sábado por volta das 15h00. Primeiro foram mantidos pelo OCRB e depois transferidos para as instalações da Direção dos Serviços da Polícia Judiciária (DSPJ) em Bangui, de acordo com fontes diplomáticas, o ministro da Justiça centro-africano e os dois jornalistas da AFP.</p><p>”A manifestação estava indo bem. A polícia nos deixou filmar e viu que estávamos fora do protesto”, testemunhou Charles Bouessel, confirmando a versão do outro jornalista da AFP, Florent Vergnes.</p><p>”Então, os manifestantes foram rapidamente dispersos. Caminhonetes do OCRB chegaram. Ouvimos tiros”.</p><p>”Eu e Florent tentamos partir (…) Agentes do OCRB nos viram e pareceram furiosos por termos filmado a cena. Então vieram para cima da gente”, acrescentou. “Um deles pegou minha câmera e a jogou no chão. Coloquei minhas mãos para cima, mas recebi um primeiro tapa na cabeça. Minha mochila (com documentos, passaporte, credenciamento de imprensa…) foi arrancada e jogada no chão. Pedi para pegá-la, mas só recebi golpes”.</p><p>”Fomos levados para a recepção do OCRB, onde me disseram para esvaziar meus bolsos para notificar o que tinha comigo. Expliquei a eles que não tinha mais nada, que os policiais tiraram tudo de mim”.</p><p>”Fomos liberados às 20h48. Fiquei sem documentos, sem dinheiro ou telefone. A polícia propôs devolver nossas coisas, mas pediu 10 mil francos (15 euros) ‘para a gasolina'”, relatou Charles Bouessel.</p><p>Por sua parte, Florent Vergnes afirmou ter “sido cingido pela garganta” e ter “tomado tapas, golpes nas costas”. “Eles pegaram minha mochila, minha câmera e meu telefone” durante a prisão.</p><p>”Meu nariz ficou sangrando, minhas costas e o maxilar doem”, acrescentou Vergnes, que relatou ter ido a um médico em Bangui esta manhã.</p><p>”Apresenta um grande hematoma temporal direito, um hematoma no ombro direito, um hematoma na base do nariz e dor na articulação temporomandibular esquerda e um distúrbio articulatório dental”, de acordo com termos do atestado médico.</p><p>Florent Vergnes salientou que, no momento de sua prisão, havia declarado ser devidamente credenciado: “Eu disse a eles que era jornalista e que estava credenciado, eles me disseram ‘telefone a seu ministro'”.</p><p>Segundo o ministro da Justiça do país, Flavien Mbata, os dois jornalistas “foram presos pela polícia porque estavam presentes no local de uma manifestação proibida pela polícia”.</p><p>”Pedimos que fossem libertados ontem, o que foi feito. Amanhã (segunda-feira), quando teremos todos os elementos e as atas, vamos decidir sobre o processo”, acrescentou o ministro.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense.