EUA oferece a palestinos 'oportunidade do século' para paz

<p>O conselheiro da Casa Branca Jared Kushner propôs nesta terça-feira aos palestinos a “oportunidade do século”, caso aceitem os termos econômicos de seu plano de paz, em uma conferência no Bahrein.</p><p>Em seu discurso de abertura na conferência “Da paz à prosperidade”, o genro do presidente Donald Trump afirmou que seu plano econômico para o Oriente Médio é “a oportunidade do século” para os palestinos, mas que sua aceitação é uma “condição prévia para a paz”.</p><p>”Os Estados Unidos não abandonaram vocês”, disse Kushner, dirigindo-se aos palestinos ao inaugurar a reunião de dois dias no Bahrein que foi boicoteada pela Autoridade Palestina.</p><p>”Aceitar um caminho econômico é um condição prévia para resolver as questões políticas sem solução até o momento”, afirmou Kushner.</p><p>”Mas devemos ser claros: o crescimento econômico e a prosperidade para o povo palestino não podem ser alcançados sem uma solução política justa e duradoura que garanta a segurança de Israel e respeite a dignidade do povo palestino”.</p><p>Kushner rejeitou a descrição pejorativa de “acordo do século”, como alguns se referem à proposta. “A este esforço é melhor nos referirmos como a oportunidade do século, caso os líderes tenham a valentia de persegui-la”.</p><p>Os palestinos consideram a abordagem econômica totalmente inoportuna sem uma solução das questões políticas.</p><p>Para isso, os palestinos pedem o fim da ocupação israelense para formar um Estado independente.</p><p>Embora as questões políticas não devam ser abordadas durante os dois dias de trabalho em Manama, Kushner reconheceu que deveriam ser tratadas posteriormente.</p><p>Ele disse ainda aos palestinos que eles estavam em desvantagem em acordos de paz anteriores.</p><p>”Minha mensagem direta ao povo palestino é que, apesar do que aqueles que o abandonaram no passado disseram, o presidente Trump e os Estados Unidos não o abandonaram”, insistiu.</p><p>O encontro começará com um jantar em um hotel de luxo no Bahrein que, juntamente com outros países árabes do Golfo Árabe, pede a formação de uma frente comum com Israel por causa de sua hostilidade compartilhada em relação ao Irã.</p><p>O governo americano espera levantar mais de 50 bilhões de dólares em projetos de infraestrutura, educação, turismo e comércio para os palestinos.</p><p>Os convidados incluem ministros das finanças dos países árabes do Golfo, o secretário do Tesouro americano Steven Manuchin e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Christine Lagarde.</p><p>A Autoridade Palestina decidiu boicotar a reunião e seu primeiro-ministro, Mohamed Shtayeh, criticou a ausência de uma menção ao fim da ocupação israelense.</p><p>Centenas de palestinos protestaram na segunda-feira na Cisjordânia ocupada contra a conferência do Bahrein. Perto de Hebron, alguns deles sentaram-se em torno de um caixão com a inscrição “Não ao acordo do século”, uma expressão pejorativa que faz referência às propostas de paz de Donald Trump.</p><p>A administração americana diz que pretende aplicar uma nova abordagem para acabar com o conflito, com um plano que pode ser revelado em novembro, depois das legislativas em Israel.</p><p>Segundo autoridades americanas, o plano não mencionará a solução de “dois Estados”, um israelense e outro palestino.</p><p>Israel, que estará presente no Bahrein, criticou a liderança palestina. “Eu não entendo como os palestinos rejeitaram o plano antes mesmo de saber o que ele contém”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.</p><p>O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta terça-feira aos membros das Nações Unidas que continuem financiando a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), na abertura de outra conferência de arrecadação de fundos para essa entidade do organismo internacional.</p><p>A Autoridade Palestina enfrenta sérias dificuldades financeiras. Israel congelou parte dos impostos alfandegários que deve aos palestinos, justificando que a soma congelada corresponde à quantidade de ajuda dada pela Autoridade às famílias de palestinos presos ou mortos por terem cometido ataques contra Israel.</p><p>Antes da reunião no Bahrein, a Liga Árabe reiterou seu compromisso de entregar 100 milhões de dólares por mês aos palestinos, mas não especificou de que maneira.</p><p>A promessa de grandes investimentos em favor dos palestinos veio depois que Washington congelou mais de 500 milhões de ajuda, parou de financiar a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA) e tomou inúmeras decisões em favor de Israel.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense.