Grupo de indígenas deixam terminal de ônibus desativado, em Florianópolis

Após a saída, órgãos públicos fizeram a limpeza do local, retiraram as ligações de energia elétrica, estruturas de banheiros e higienização do ambiente

Um grupo de aproximadamente 150 indígenas da tribo Kaigang deixou o antigo Terminal de Integração do Saco dos Limões (Tisac), em Florianópolis, na última sexta-feira (20). Eles haviam feito pedidos para que fosse construída uma casa de passagem, contudo a medida não foi atendida pela Prefeitura.

Local é ocupado há quatro anos pelos indígenas Kaigang. Uma criança de oito anos foi atropelada próximo ao local. – Foto: Divulgação\ND

Após a saída, órgãos públicos fizeram a limpeza do local, retiraram as ligações de energia elétrica, estruturas de banheiros e higienização do ambiente. Segundo Sandro Maurício Silveira, presidente da Associação de Moradores do Saco dos Limões (Amosac), os indígenas deixaram o local por conta própria, em virtude da pandemia de coronavírus. A fonte não informou o responsável pelo transporte e realocação dos indígenas, mas atestou que os mesmo foram para suas aldeias no Paraná e no Rio Grande do Sul.

Em nota, a Prefeitura de Florianópolis informou que não foi notificada sobre a saída dos indígenas do Tisac. “Lamentamos a não-comunicação formal do ocorrido, impossibilitando quaisquer articulações com a comunidade presente no espaço”.

Polícia esteve no local

De acordo com o tenente-coronel Dhiogo Cidral, comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar, a delegacia recebeu uma denúncia possível invasão no sábado (21).

Chegando ao local, foi constatada a presença de dois caminhões, que descarregavam materiais que poderiam ser para a construção de um acampamento.

“Fizemos a abordagem e eles se retiraram do local, mas ameaçaram que iriam aparecer mais 100 pessoas”, diz o tenente-coronel. Depois do ocorrido, a Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital) finalizou a limpeza e o isolamento do lugar.

Associação de moradores se manifesta

Em 2017, uma ação do Ministério Público Federal (MPF) condenou o Município de Florianópolis, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a União a construírem uma casa de passagem.

Segundo Sandro Maurício Silveira, presidente da Associação de Moradores do Saco dos Limões (Amosac), “a situação atual é a mesma de quatro anos atrás. O local que eles habitam é precário, é desumano”.

As reivindicações em construir a casa de passagem na área do Tisac foram rejeitadas em votação do Conselho da Cidade. Isso ocorreu pois o Tisac fica localizado em área de preservação. A Prefeitura Municipal assinou um termo de compromisso atestando que iria construir o espaço, porém até então não houve sinalização do local reservado para isso.

As más condições de convivência já acarretaram em um atropelamento de uma criança indígena neste ano. Além disso, o terminal desativado não proporcionava um ambiente seguro, sendo um local de frequente problemas com drogas, bebidas e prostituição. Por isso, as iniciativas da Amosac foram na direção de “proporcionar um local mais seguro e apropriado”.

Segundo o Ministério Público Federal, o local já contava com banheiros entupidos e vazamentos de fossa, que causavam diarreias nas crianças e causavam contaminação de água potável.