“Inaceitável” e “equivocada”: entidades catarinenses criticam falas de Bolsonaro sobre o coronavírus

Associações médicas, políticas e empresariais repercutiram o discurso do presidente em rede nacional nesta terça-feira (24)

Bolsonaro
(Foto: Sergio Lima / AFP)

O discurso do presidente Jair Bolsonaro em rede nacional nesta terça-feira (24) à noite motivou uma série de reações de lideranças e entidades políticas, empresariais e médicas. Ao criticar medidas como o fechamento de escolas e atacar governadores que adotaram medidas drásticas contra o coronavírus – como o catarinense Carlos Moisés (PSL) -, Bolsonaro minimizou a pandemia de Covid-19 e recebeu duras críticas.

Os secretários estaduais da Saúde brasileiros emitiram uma carta nesta quarta-feira (25), assinada também pelo catarinense Helton Zeferino, afirmando que assistiram “estarrecidos ao pronunciamento em cadeia nacional do Presidente da República, Jair Bolsonaro”. Os secretários afirmaram que a fala do presidente “dificulta o trabalho de todos, inclusive de seu ministro e técnicos” e trataram o ato como “uma tentativa de desmobilizar a sociedade brasileira”.

Carlos Moisés diz estar “estarrecido” com discurso de Bolsonaro contra quarentena do coronavírus

O mesmo tom dos secretários estaduais de Saúde foi adotado pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Santa Catarina (Cosems/SC). Em carta assinada pelo presidente da entidade, Alexandre Lencina Fagundes, os responsáveis pela saúde nos municípios catarinenses chamaram a fala de Bolsonaro de “equivocada”.

“Diante da manifestação equivocada do Presidente da República, em rede nacional na noite de terça-feira, o Conselho de Secretaria Municipais de Saúde de Santa Catarina- COSEMS/SC, vem a público manifestar total apoio às orientações técnicas da Organização Mundial da Saúde, que guia as práticas de combate ao coronavírus em todos os países”, diz a nota.

A entidade manifestou também solidariedade “às medidas de combate à Covid-19 adotadas pelo Governo do Estado e Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina”.

Fecam diz que presidente “desinforma e deve ser ignorado”

Em uma das notas mais duras contra o presidente, a Federação Catarinense dos Municípios (Fecam) se disse “preocupada com o pronunciamento”. O texto diz que “tal pronunciamento inadequado, gera graves conflitos político-institucionais, riscos à população, falta de unidade institucional e prejuízo à consolidação de estratégias nacionais para enfrentar a pandemia e proteger a vida e a saúde da população brasileira”.

Em outra crítica direta à Bolsonaro, a Fecam diz que os estados e municípios “tomam medidas com coragem e protagonismo”, enquanto no Brasil “em posição inaceitável, o Presidente destoa, desinforma e deve ser ignorado”.

A nota reafirma também o apoio às decisões do Governo de SC em adotar medidas drásticas de isolamento social:

“A cidadania precisa compreender que os sacrifícios antecipatórios são para salvar vidas, proteger pessoas vulneráveis, salvar idosos e exercer a solidariedade que nos cabe como civilização”.

A Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) disse que “está apoiando integralmente as medidas de combate à pandemia do coronavírus”, mas não irá se manifestar sobre as falas de Bolsonaro.

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), cujo presidente acompanhou a comitiva do governo federal nos Estados Unidos e chegou a ser testado para o Covid-19, também disse que não irá comentar o pronunciamento.

Lojistas defendem medidas, mas pedem retomada parcial da economia

Entidades de lojistas e comerciantes em Santa Catarina também se manifestaram nesta quarta-feira (25). O Sindicato do Comércio Varejista de Florianópolis e Região defendeu as medidas do Governo de SC e disse que “os cidadãos catarinenses têm assimilado a necessidade de isolamento em suas casas”.

No entanto, o Sindilojas disse que o fechamento do comércio “oferece grave risco de colapso econômico e social” e defendeu a retomada parcial de atividades. A nota sugere ao governo catarinense a liberação de entregas de e-commerce, a redução do horário de funcionamento do comércio e outras medidas como limitação no número de clientes, controle de distanciamento e obrigatoriedade de higienização, para que as lojas possam funcionar com segurança durante a pandemia.

O mesmo tom foi seguido pelo presidente da Associação Empresarial de Blumenau (Acib), Avelino Lombardi. Ele defendeu as medidas adotadas pelo governador Carlos Moisés, mas pediu uma estratégia para a retomada dos serviços em SC.