O antigomobilismo estará presente na área militar do desfile que celebra a Independência do Brasil. Entre os carros, há três jipes com muita história para contar. O primeiro é estreante entre os automóveis do 7 de setembro: é o Jeep nacional 1983, produzido pela Ford, de Egídio Pelúcio.

Como amante declarado dos jipes e grande colecionador deste modelo, não poderia ser diferente que ele tivesse um exemplar militar do carro. No entanto, a sua compra foi por acaso.

Ele adquiriu o modelo há cinco anos, mas a carroceria expunha um exterior civil. Só percebeu que se tratava de um modelo originalmente militar quando colocou lado a lado com o resto de sua coleção.

O curioso, segundo ele, é que enquanto muitos pegam carros civis e transformam em militares, este fugiu completamente à regra. Entre os detalhes que diferenciam as duas categorias está o motor, que tem menos potência porém mais torque.

Distingue-se também pelo parabrisa, todos eles são basculantes, para facilitar a visibilidade dos militares durante as operações. A viatura também tem um farol de blackout, destinado para leitura de mapa, sem "denunciar" a posição dos inimigos.

Para recuperar as feições militares, deu uma nova cor e novo desenho à carroceria, incluindo inclusive o Cruzeiro do Sul. Essa constelação é o símbolo máximo do País e está presente na bandeira do Brasil, no selo nacional e ainda no Brasão de Armas nacional, sendo citado também em nosso hino.

O processo de restauração e resgate da história rendeu seis meses de atividades. Tempo curto, ainda mais se comparado ao período em que ele ficou estacionado esperando para ser consertado. A escolha em fazer agora foi motivada pelo convite para desfilar. E, na quarta, Egídio está ansioso para mostrar o resultado durante a sua participação no 7 de setembro.

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Fora os desfiles, Eduardo faz questão de ir aos encontros de carros antigos com o seu Jeep 1942 e também de realizar longas viagens com ele (Fotos: Thiago Gadelha) 

Longa estrada

Outro destaque do desfile é o americano 1942 do colecionador Eduardo Viana. Esta será a sua terceira participação, mas essa raridade não fica estacionada apenas para esta ocasião especial. Ao contrário, ele viaja muito a bordo de seu jipe e, para completar, de forma severa, sem nenhuma pena.

Em 2014, por exemplo, passou seis dias andando pelo litoral e na serra cearense. No ano seguinte, resolveu aumentar o percurso e "arrodeou" o Estado em dez dias, cerca de 2.500 km, acompanhado de outros colecionadores, um deles o Pelúcio. Já neste ano, no fim de julho, foi para um pouco mais longe: para os Lençóis Maranhenses e batizou o projeto com os companheiros jipeiros de "Rota das Emoções de Jeep". O trajeto foi em média de 2.800 km completado em somente um semana.

O caminhar é a passos pouco mais lentos, até porque carro antigo tem seu próprio ritmo. No entanto, ele não o deixou na mão nenhuma vez. Este Jeep já está em sua posse há doze anos e, antes de começar a se aventurar em viagens, passeios e encontros, fez uma reforma completa, do chassi até a pintura. "Eu tinha um civil, mas sempre tive uma paixão por jipe militar por conta do meu pai, que foi ex-combatente. Então, vivi momentos de militar", relembra.

Entre as suas particularidades está o rádio que ele incorporou, conseguiu com um colecionador de modelos militares do sul do País, e o qual ainda funciona perfeitamente.

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Há quase 40 anos José Luís participa tanto dos desfiles como de outros eventos militares, sempre com o seu Jeep americano 1942, que tem desde 1979

Cadeira cativa

Se você acompanha de perto o desfile, certamente já viu o carro do João Luís de Araújo. Desde 1980 ele participa com seu Jeep 1942 americano.

O veículo pertenceu ao seu irmão, ex-militar, e depois passou às mãos de João em 1979. Como homenagem, colocou a matrícula do Exército dele como a numeração do carro e cuidou dele como membro da família. "Eu não vou abrir jamais dessa minha batalha de continuar com esse jipe fazendo desfiles para o Exército brasileiro", ressalta.

Para deixá-lo mais original, caracterizado para a Segunda Guerra, incorporou uma metralhadora P50 com a caixa de munição e um fuzil 762. Mas, claro, tudo é réplica. Além disso, ainda tem os rádios e pintou o Cruzeiro do Sul, apesar dele ser americano.

Fonte: diariodonordeste