<p>A União Europeia (UE) e o Mercosul alcançaram, nesta sexta-feira (28), um acordo comercial após 20 anos de negociações, um pacto “sem precedentes”, que agora inicia um caminho para adoção que não promete ser simples.</p><p>”O Mercosul conseguiu hoje em Bruxelas concluir as negociações (…) com a UE, um acordo sem precedentes para os dois blocos e um dos mais importantes na história em nível mundial”, celebrou o governo da Argentina, país que exerce a presidência pro-tempore do bloco sul-americano.</p><p>O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, celebrou também um “momento histórico”, um “forte sinal” de apoio ao comércio mundial baseado em normas, “em meio às tensões comerciais internacionais”.</p><p>Iniciadas em 1999, as negociações entraram na reta final na quarta-feira à noite, quando os chanceleres de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai se uniram com os comissários europeus de Comércio e Agricultura para solucionar os pontos pendentes.</p><p>Tudo isso num contexto de pressão crescente da UE, onde os agricultores, preocupados com a entrada da carne bovina do Mercosul, lançaram alertas. Os líderes da França, Irlanda, Bélgica e Polônia enviaram uma carta a Juncker, para expressar sua “profunda preocupação”.</p><p>Os líderes de sete países europeus, incluindo Espanha, Alemanha e Portugal, responderam com outra carta a Juncker para expressar os benefícios de um acordo, conclamando ambas as partes a “fazer algumas concessões finais”.</p><p>O comissário europeu de Agricultura, Phil Hogan, garantiu nesta sexta-feira que os produtos agropecuários do Mercosul contarão com “cotas cuidadosamente geridas para garantir que não haja risco de que nenhum produto inunde o mercado da UE”.</p><p>- Longo caminho -</p><p>Os últimos dias foram marcados pelos desentendimentos entre os líderes da França, Emmanuel Macron, e da Alemanha, Angela Merkel, com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, por conta de sua política ambiental.</p><p>”O clima caminha junto com as questões sociais e comerciais, eu não quero fazer acordos comerciais com pessoas que não seguem o Acordo de Paris [sobre o clima de 2015]”, afirmou na quinta-feira o presidente francês.</p><p>Merkel, a princípio favorável ao tratado, não poupou críticas na quarta-feira ao desmatamento no Brasil. Bolsonaro respondeu dizendo que a Alemanha “tem muito o que aprender” com seu país sobre o meio ambiente.</p><p>Após o acordo desta sexta, é aberto um período para verificar o texto juridicamente e traduzi-lo para as diferentes línguas, antes da sua assinatura final, que deve ser garantida pelos 28 países da UE e os quatro do Mercosul.</p><p>Este requisito não é trivial, dado o atual contexto de pressão na Europa. Em 2016, a região belga da Valônia quase impediu a assinatura do acordo comercial fechado com o Canadá.</p><p>Em seguida, o texto deve ser validado no Parlamento Europeu, onde, após as eleições europeias, os movimentos ambientalistas ocupam um papel crucial na maioria pró-UE.</p><p>O acordo comercial que permite a redução de tarifas em setores como o automobilístico ou a agricultura entre os dois blocos é um dos maiores já fechados pela UE, criando um mercado de 770 milhões de consumidores.</p><p>O comércio entre os países europeus e os do Mercosul subiu em 2018 a quase 88 bilhões de euros, com a balança comercial ligeiramente favorável aos europeus em cerca de 2,5 bilhões de euros.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense