Líderes se poupam em debate de SP; condenação de Doria fica de lado

Líderes se poupam em debate de SP; condenação de Doria fica de lado

GERAL -   


Líderes nas principais pesquisas de intenção de voto, o ex-prefeito paulistano João Doria (PSDB) e o empresário Paulo Skaf (MDB) evitaram trocar ataques no debate entre candidatos ao governo de São Paulo realizado na noite desta sexta-feira (24) pela RedeTV e a revista "IstoÉ".

A condenação de Doria em primeira instância à suspensão de seus direitos políticos, dada pela Justiça paulista horas antes, também foi ignorada por Skaf e por Márcio França (PSB), atual governador de São Paulo. Foi citada apenas por Luiz Marinho (PT) e por Lisete Arelaro (PSOL), que apenas mencionaram o tema.

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Doria foi condenado à suspensão de seus direitos políticos por quatro anos. Segundo a Justiça, ele usou os símbolos do programa "Cidade Linda" para fins de promoção pessoal. Ele só ficará inelegível, em tese, se for condenado em segunda instância, e o julgamento ainda não tem data para acontecer. A defesa do candidato afirma que ele irá recorrer.

Sem embates entre Skaf e Doria, e com França se limitando a fazer críticas indiretas aos dois adversários, coube a Luiz Marinho aumentar o tom do debate com trocas de acusações contra Doria e o PSDB e defesas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à Presidência e preso pela Lava Jato.

Já aos jornalistas Boris Casoy e Mariana Godoy, mediadores do debate, coube reforçar as regras do programa e controlar os ânimos da plateia, dos candidatos e até de um dos jornalistas participantes.

Além de Doria, França, Skaf, Marinho e Lisete, participaram do encontro desta noite Marcelo Cândido (PDT) e Rodrigo Tavares (PRTB).

Candidatos respondem perguntas de eleitores no 1º bloco

"Prefiro falar de emprego"

A pouca disposição de Doria e Skaf em criticarem temas polêmicos de suas trajetórias ficou evidente com duas perguntas feitas pelo jornalista Reinaldo Azevedo, da RedeTV. 

Primeiro, Azevedo perguntou ao tucano, com comentário do emedebista, sobre a promessa que fez de não deixar a Prefeitura de São Paulo no meio do mandato. Doria disse que aceitou o desafio de dar sequência à gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) no estado e que Bruno Covas, seu vice e hoje prefeito, cumpriria sua "missão" no município. Skaf evitou fazer críticas diretas ao tucano, dizendo apenas que cada um "deve assumir suas responsabilidades".

Depois, Azevedo perguntou a Skaf se o emedebista usava a estrutura da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), entidade que presidiu, para fazer política. Doria fez o comentário após a resposta de Skaf e disse: "Prefiro falar de geração de emprego."

Ao contrário do debate na Band no último dia 16, também não houve confronto direto entre Doria e o governador Márcio França, que disputa com o tucano o posto de apadrinhado de Alckmin.

França optou por fazer críticas veladas, em respostas a outros candidatos, ao fato de Doria ter deixado a prefeitura de São Paulo e defender privatizações. O candidato do PSB também fez um breve ataque a Skaf ao lembrar que o Rio de Janeiro é governado pelo MDB: "Você que está em casa, você se sente mais seguro aqui ou acha que se sente mais seguro no Rio de Janeiro? Que é governado pelo MDB do Paulo Skaf?"

Candidatos fazem perguntas uns aos outros no 3º bloco

Petista e tucano concentram embates

Os principais embates ficaram por conta de Doria e Marinho, mais pelo antagonismo PT x PSDB do que por divergências nas propostas de ambos para o governo de São Paulo.

Já no primeiro bloco, Doria disse que o PT "entende" de crime organizado, acusação retribuída por Marinho mais adiante no programa. Depois, na réplica de uma pergunta sobre violência contra a mulher, o petista afirmou que Doria fazia "propaganda de mulheres nuas" quando foi presidente da Embratur, nos anos 80. O tucano respondeu que seu passado não o condenava e que o PT só sabia "destruir, roubar e mentir".

Marinho acabou ganhando um minuto de direito de resposta por conta da declaração de Doria. Aproveitou o tempo para defender Lula, atacar Alckmin e mencionar a condenação judicial contra o ex-prefeito.

A defesa de Lula, aliás, ocupou boa parte do tempo de Marinho. O candidato do PT chegou a falar de propostas do partido na disputa presidencial, como a revogação de medidas do governo de Michel Temer (MDB).

Candidato de Bolsonaro comete gafe em debate e pede desculpas: "sou humano"

Debate tem gafe, confusão e broncas

O segundo encontro entre os candidatos ao governo paulista também foi palco de deslize e confusões. Rodrigo Tavares, que congelou nos segundos finais de seu comentário a uma resposta do candidato Luiz Marinho, assumiu a gafe e pediu desculpas pela falha.

"Gostaria de pedir desculpas para a plateia e dizer que sou humano e passível de erro", assumiu minutos após congelar durante uma resposta e encerrá-la com um: "Nós sim, nós não, nós sim, nós não... Não sei".

Já a candidata Lisete Arelaro foi protagonista de uma confusão envolvendo o jornalista Boris Casoy e os candidatos Paulo Skaf e João Doria. Ao ser perguntada por Boris a quem direcionaria uma pergunta, ela respondeu: "eu escolho o candidato do Temer", fazendo alusão ao atual presidente, Michel Temer (MDB).

Após segundos de silêncio, Boris replicou: "Candidato do quê?". Lisete insistiu: "Do Temer. Paulo Skaf". Ao fundo, foi possível ouvir risos e aplausos da plateia, e o apresentador interveio. "Por favor, não se manifestem. Temos que manter as regras do debate. Depois a senhora ataca. Escolha um dos candidatos", disse o jornalista.

Veja Álbum de fotos

No segundo bloco, Boris já havia repreendido o jornalista Reinaldo Azevedo, que rebateu Márcio França após ouvir resposta a uma pergunta sua. "Não, não pode, Reinaldo, por favor, vamos continuar", disse o apresentador. "Está fora das regras do debate, Reinaldo."

Mariana Godoy, colega de Boris e de Amanda Klein na mediação, também repreendeu a plateia após manifestações de apoio a Doria e vaias a Marinho. "Sem manifestações, por favor, agora, infelizmente a gente tem seguranças na plateia também. Eu não gostaria de ter que pedir que os nossos seguranças identificassem as pessoas que estão se manifestando e pedir que as retirassem, por favor. Não se manifestem. Aguardem o intervalo", alertou Mariana.

O próximo encontro entre candidatos ao governo de São Paulo será no dia 16, organizado pela TV Gazeta e pelo jornal "O Estado de S.Paulo". UOL , Folha de S. Paulo e SBT promovem o seu debate no dia 19, às 18 horas.

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