Chacina em Araquari foi armadilha feita por facção criminosa, conclui polícia

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A chacina que chocou Araquari, no Norte do Estado, em dezembro do ano passado, completou dois meses no último dia 6 de fevereiro e, nesta terça-feira (11), a Polícia Civil concluiu o inquérito que apontou 10 responsáveis pelas mortes de cinco pessoas. Outras duas vítimas ficaram feridas.

 

Chacina aconteceu em área de ocupação no Centro da cidade – Foto: Ricardo Alves/NDTV

Dos participantes na chacina apontados na investigação, nove foram indiciados e um não foi identificado. O delegado conta que a polícia conseguiu identificar o apelido que ele utiliza na facção, mas não a identidade do suspeito.

Conhecido como “Andy”, ele continua foragido, assim como outros quatro participantes da ação. Um dos suspeitos foi preso durante a investigação e quatro foram presos durante a Operação Narcos.

De acordo com a investigação, todos os envolvidos eram integrantes de uma facção criminosa catarinense que atua na região, e os suspeitos marcaram uma reunião como armadilha para cometer os crimes.

O delegado responsável pelo caso, Thiago Escudeiro, já havia adiantado no dia do crime que a motivação seria o comércio de drogas no local sem a autorização da facção.

Durante as investigações, a motivação ficou comprovada, garante o delegado. “Eles não tinham autorização da facção para vender drogas no local. Além disso, uma das vítimas já estava desafiando o comando da facção, estava vendendo drogas sem pagar o ‘dízimo’ e ainda queria pleitear o retorno dele a um cargo de maior relevância dentro da organização”, conta.

O delegado explica, ainda, que o grupo simulou uma reunião que, supostamente, teria como objetivo “acertar” a dívida pela falta de pagamento do “dízimo” para a cúpula da facção. “Mas, na verdade, o encontro serviu para executar as pessoas que estavam no local. Foi uma armadilha”, diz.

Ainda de acordo com o delegado, um dos líderes da facção foi pessoalmente ao local para executar o desafeto. “Eles usaram isso como uma forma de aviso para que outros que pensassem em fazer o comércio sem autorização ou desafiar o poder da facção soubessem das consequências”, explica o delegado.

Ele conta, também, que parte dos envolvidos participou da execução como maneira de “quitar dívidas” com a facção, então, a missão de execução funcionou como quitação dessa dívida.

Indiciados podem ter participado de 15 homicídios na cidade em 2019

O delegado explica que todos os indiciados neste inquérito também são investigados pela participação nos 16 homicídios (exceto o assassinato da empresária Cátia Regina) e quatro tentativas que foram registradas no município em 2019.

“Todos esses crimes têm relação com a facção, mesmo aqueles em que eles não foram diretamente os executores”, ressalta. Todos os indiciados já possuem mandados de prisão expedidos.

No entanto, o delegado não descarta a participação de outras pessoas na chacina. “A facção possui muita rotatividade, especialmente com relação à cúpula. Há linhas de investigação que podem apontar o envolvimento de outras quatro pessoas que a gente não consegue ter certeza de qual cargo eles tinham na época do crime”, diz.

Dos que participaram das execuções, o delegado conta que seis ocupam cargos de cúpula da facção e os outros são os responsáveis diretos por cumprir as missões do comando.

O delegado pede, ainda, que quem tiver informações que possam auxiliar a identificação do “Andy” e a localização de suspeitos pode realizar denúncia anônima por meio do 181, da Polícia Civil.


Fonte: Com Agências