Jornal Floripa - Wada confirma esquema de doping supervisionado pelo governo em Sochi

Wada confirma esquema de doping supervisionado pelo governo em Sochi

Esportes -    

Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) divulgou nesta segunda-feira um relatório confirmando a existência de um sofisticado esquema de manipulação do controle antidoping nos Jogos de Inverno de Sochi 2014. O documento de 103 páginas confirma as denúncias do ex-diretor do laboratório nacional antidoping russo, Grigory Rodchenkov, de que a manipulação de amostras tinha total apoio das autoridades locais. Segundo a investigação, liderada pelo professor e advogado esportivo Richard McLaren, a fraude era diretamente controlada e supervisionada pelo Ministério do Esporte da Rússia, com assistência de laboratórios de Sochi e Moscou e agências governamentais como a FSB, nome dado à antiga agência de espionagem KGB. McLaren garantiu que as principais conclusões do relatório foram comprovadas e apelidou a política de "método do desaparecimento positivo", visto que todos os resultados adversos eram eliminados. McLaren confirmou que os testes positivos, em todos as modalidades, foram passados para o vice-ministro do esporte, Yuri Nagornykh, que decidiu quem iria ser beneficiado. Na opinião do professor, seria impossível que Vitaly Mutko, o Ministro do Esporte, não tivesse conhecimento do esquema dada sua dimensão. - Tenho confiança inabalável no relatório. O sistema foi criado depois da Olimpíada de 2010 e funcionou até 2014. Isso permitiu a transformação de um resultado positivo para um negócio, supervisionado pelo vice-ministro do esporte. O Ministério do Esporte, Rusada (Agência Antidoping Russa) e o FSB estavam envolvidos nesse processo - disse. Em maio, Rodchenkov revelou um esquema de manipulação de amostras de atletas do país nos Jogos de Inverno de Sochi 2014. Em uma operação realizada durante as madrugadas ao longo da competição, frascos com urina “contaminada” eram esvaziados e preenchidos com urina “pura”, dos próprios atletas, colhidas meses antes. Segundo Rodchenkov, as ações dos peritos antidopagem envolvidos na fraude era feita em conluio com agentes da inteligência do país, o que evidencia a existência de uma anuência estatal à prática ilegal. A estratégia teria sido armada pelo governo para garantir a hegemonia dos anfitriões no evento. Na ocasião, a Rússia liderou o quadro de medalhas, com 13 ouros e 33 pódios. Rodchenkov afirmou que ao menos 100 amostras de urina teriam sido adulteradas em laboratório. Nenhum atleta foi flagrado em exames realizados durante competição. Mas, de acordo com o ex-diretor, pelo menos 15 russos que foram medalhistas teriam competido sob o efeito de substâncias proibidas. McLaren não divulgou nomes dos atletas envolvidos ou especificou as modalidades eles que disputaram em Sochi, mas afirmou que o "método do desaparecimento positivo" contemplou vários esportes, tanto de inverno quanto de verão. No gráfico abaixo, publicado no relatório, é possível observar os esportes que mais teriam feito uso desse conveniente desaparecimento de amostras. O atletismo lidera com folga, e o levantamento de peso também tem uma participação significativa. Diante desta informação, o professor foi questionado se faria algum tipo de recomendação ao Comitê Olímpico Internacional (COI) em referência aos Jogos do Rio 2016 e de Pyeongchang 2018. McLaren afirmou que não entraria neste mérito e que se conteria em apresentar fatos e suas descobertas. As acusações da promoção de uma política generalizada de doping começaram pelo atletismo do país após exibição de um documentário, produção em parceria da emissora alemã ARD e do jornal britânico “The Sunday Times”. Nele foi revelado o doping institucionalizado na Federação de Atletismo do país (Araf), em esquema acobertado por oficiais da Federação Internacional (IAAF). Como consequência, e só permitiu que representantes do país pleiteassem a vagas se passassem por uma rígida avaliação e competissem sob a bandeira neutra do COI. Paralelamente a isso, a Corte Arbitral do Esporte , incluindo a bicampeã olímpica Yelena Isinbayeva, para competirem na Rio 2016. O COI mostrou-se flexível quanto ao uso da bandeira do país, mas expandiu a necessidade de inscrição individualizada para atletas de todos os esportes olímpicos – o mesmo ocorreu com atletas do Quênia.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2016/07/wada-confirma-esquema-de-doping-supervisionado-por-ministro-em-sochi.html

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