Jornal Floripa - Design Rio: Ilha das Flores, a saga dos imigrantes na Baía de Guanabara

Design Rio: Ilha das Flores, a saga dos imigrantes na Baía de Guanabara

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A jornada entre países da Europa e o Brasil era longa e exaustiva e não acabava com a chegada ao Porto do Rio de Janeiro. Entre 1883 e 1966, cerca de 500 mil imigrantes fizeram o mesmo percurso: depois de desembarcarem no Rio e passarem por inspeção sanitária, seguiam em batelões (embarcações de fundo chato, próprias para operação próxima às margens e em águas mais rasas) para uma ilhota do outro lado da Baía de Guanabara, em São Gonçalo. Após receberem roupas de cama e sabão, eles eram divididos entre os quatro alojamentos coletivos, onde permaneciam em média oito dias antes de partirem para suas novas vidas e empregos, geralmente em fazendas e fábricas de outras partes do país. Ali, nessa pequena ilha, funcionou até o século XX a Hospedaria da Ilha das Flores, um conjunto de prédios com dormitórios, enfermaria, refeitório, necrotério e muito verde, com capacidade para abrigar três mil pessoas. Propriedade da Marinha desde 1968, a ilha (que foi aterrada e ligada ao continente em 1985) foi transformada num Centro de Memória da Imigração em 2012 e, ontem, ganhou o primeiro Museu da Imigração do estado. No evento, foi lançado um selo comemorativo. O museu usa a tecnologia para contar a saga de imigrantes que passaram por lá. — O espaço nos ajuda a compreender a riqueza da diversidade da sociedade brasileira. Queremos contar as histórias dos imigrantes que por aqui passaram e também ajudar o visitante a entender o processo de imigração, iniciado na época do Império — explica o almirante José Luiz Corrêa da Silva, responsável pelo Centro de Memória da Imigração. Fugindo da pobreza, de conflitos políticos ou das guerras, os imigrantes chegavam ao país em busca de uma nova chance. A maioria veio de países da Europa como Itália, Espanha, Portugal, Alemanha e Croácia. O historiador e professor da Uerj Luís Reznik conta que eles ficavam na ilha para se recuperar da longa viagem de navio, em uma espécie de “quarentena”, para que não fossem contaminados pelas doenças que existiam na cidade do Rio, como a febre amarela. — Parte desses imigrantes que chega entre 1883 e 1890 é direcionada para colônias no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Nos primeiro 20 anos, houve grande ingresso de italianos, espanhóis e portugueses. Depois, temos ainda alemães. Uma curiosidade: quase todos os alemães que chegaram ao país naquele época entraram via hospedaria — conta Reznik, coordenador do museu e do grupo de pesquisa do Centro de Memória da Imigração. Cinco telas de TV, com equipamentos de áudio, vão transmitir depoimentos e exibir fotos e documentos como passaportes e certidões de nascimento. — Já na entrada, o visitante carimba um passaporte, que recria a sensação de se estar viajando — explica o designer Daniel Morena, da 32 Bits, que assina o design da mostra. — Dentro, há um muro de caixas de arquivo, que serve como suporte para uma projeção. Cada caixa representa uma pessoa que passou por lá. Quem for à Ilha das Flores poderá ver de perto os prédios antigos — estão lá parte do primeiro alojamento, de 1883, e os três alojamentos de 1907, além de algumas casas de funcionários e da capela, de 1940 — e admirar a praia onde os estrangeiros desembarcavam. O cais ainda está no mesmo local. O prédio de recepção dos estrangeiros hoje abriga a sede do Complexo Militar da Ilha das Flores. — Quando a hospedaria foi criada, em 1883, só existia um prédio de alojamento, para cerca de mil pessoas. Mas o fluxo para o Brasil cresceu muito, tanto que em 1883 a hospedaria recebeu sete mil imigrantes. Em 1890, foram 60 mil. Então, houve a necessidade de ampliar as acomodações. Na década de 90 do século XIX, foram erguidas algumas construções de madeira. Em 1907, construiu-se, em alvenaria, três grandes alojamentos e, com isso, a hospedaria aumentou sua capacidade para até três mil imigrantes ao dia — relata Reznik. A ilha sedia hoje uma unidade dos Fuzileiros Navais. O museu, que ainda apresenta as várias facetas do lugar, é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/design-rio-ilha-das-flores-saga-dos-imigrantes-na-baia-de-guanabara-19774986

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