<p>Onze mulheres barrigas de aluguel, acusadas de tráfico de seres humanos no Camboja, foram libertadas sob fiança e após prometerem não vender seus bebês, informaram nesta quarta-feira autoridades locais.</p><p>As mulheres, presas durante uma operação policial em novembro em Phnom Penh, foram soltas no mês passado “depois que se comprometeram a não abandonar seus bebês”, disse à AFP Chou Bun Eng, vice-presidente da Comissão contra o tráfico de seres humanos.</p><p>”Algumas já deram à luz”, acrescentou, observando que as jovens mães se recusaram a revelar a identidade das pessoas a quem deveriam entregar os bebês.</p><p>Há alguns meses, 32 barrigas de aluguel contratadas por casais chineses haviam sido libertadas sob fiança após assumirem o mesmo compromisso.</p><p>O Camboja proíbe, desde 2016, o recurso à barriga de aluguel com fins lucrativos, mas ainda não adotou uma lei específica sobre o assunto.</p><p>As autoridades estão perseguindo as mães e os intermediários que se beneficiam de um comércio muito lucrativo.</p><p>Em 2017, uma enfermeira australiana foi condenada a 18 meses de prisão por ter atuado como intermediária e, finalmente, libertada no final de 2018.</p><p>”É escandaloso que o governo cambojano considere a barriga de aluguel como tráfico de seres humanos”, disse à AFP Sam Everingham, fundador da ONG Families Through Surrogacy.</p><p>A flexibilização da lei do filho único na China provocou um aumento na procura por barrigas de aluguel.</p><p>Quase 90 milhões de mulheres estão autorizadas a ter um segundo filho, mas muitas não podem mais ser mães.</p><p>Uma vez que a barriga de aluguel é ilegal na China, os chineses ricos recorrem a países vizinhos.</p><p>Os chineses estão dispostos a pagar “entre 40.000 e 100.000 dólares para ter um filho”, explica Mariam Kukunashvili, diretora da New Life Global Network, uma agência internacional de barriga de aluguel com sede na Geórgia, que se retirou do Camboja após a proibição.</p><p>A gestante pode receber entre “10.000 e 15.000 dólares”, uma fortuna no Camboja, acrescentou.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense