Rohani proclama que 'complô' dos EUA contra Irã 'nunca' triunfará

<p>O presidente iraniano, Hassan Rohani, proclamou nesta segunda-feira (11) que o “complô” americano contra a República Islâmica fracassará, em um discurso para marcar o 40º aniversário da Revolução, celebrado por uma multidão no centro de Teerã.</p><p>Desde às 08h30 (03h00 de Brasília) os moradores da capital começaram a chegar à Praça Azadi (“Liberdade”), onde Rohani fez um discurso sob uma incessante chuva, que no árido país é considerada uma bênção.</p><p>”A presença do povo nas ruas de toda a República Islâmica do Irã (…) significa que o inimigo não alcançará nunca os seus objetivos diabólicos”, disse Rohani à multidão, depois de denunciar um “complô” dos Estados Unidos, dos “sionistas” e dos Estados “reacionários” do Oriente Médio contra o Irã.</p><p>O comparecimento aumentou de hora em hora durante toda a manhã. Multidões de todas as idades se reuniam apesar da chuva diante dos pontos das diferentes instituições estatais ou semi-governamentais onde ofereciam chá.</p><p>O 22 bahman do calendário iraniano, feriado, comemora a derrubada do regime do xá Mohammad Reza Pahlavi há 40 anos, 10 dias depois do triunfal retorno do exílio do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica do Irã.</p><p>Mulheres usando chador, crianças com balões, homens de roupas escuras, basijs (milícias islâmicas) uniformizadas e clérigos com turbantes desfilavam pela praça, sobrevoada por um helicóptero.</p><p>Duas réplicas de mísseis balísticos, de fabricação local, eram exibidas em uma rua. Não muito longe também era possível ver réplicas de mísseis de cruzeiro.</p><p>- ‘Morte aos Estados Unidos’ -</p><p>A multidão agitava bandeiras com as cores nacionais – verde, branco e vermelho -, que também adornavam a torre Azadi, monumento emblemático de Teerã inaugurado em 1971 por Mohammad Reza Pahlavi por ocasião dos festejos dos 2.500 anos do nascimento do império persa.</p><p>Em meio aos guarda-chuvas via-se cartazes do guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei.</p><p>”Morte aos Estados Unidos, “Abaixo a Inglaterra”, “Morte a Israel”, “Pisoteamos os Estados Unidos”, “40 anos de desafios”, “40 anos de derrotas para os Estados Unidos”, “Israel não viverá mais de 25 anos”, podia-se ler.</p><p>A República Islâmica celebra o seu 40º aniversário com um programa bem estabelecido: como nos anos anteriores, as comemorações da Praça Azadi incluirão balões, flores lançadas de helicópteros, coros, uma aterrissagem de paraquedas, orações, discursos e slogans revolucionários, indica o programa oficial.</p><p>A televisão estatal transmitia imagens da multidão reunida em Teerã e em várias cidades iranianas, e advertiu sobre a desinformação “de alguns meios de comunicação estrangeiros hostis”.</p><p>O marco dos 40 anos – sinônimo de maturidade – é simbólico no mundo muçulmano: é a idade que, segundo a tradição, Maomé recebeu a revelação divina e começou a transmitir o Alcorão.</p><p>- ‘Pedaços de madeira nas rodas’ -</p><p>Para o Irã, este aniversário ocorre em um período de dificuldades econômicas e tensões renovadas com os Estados Unidos.</p><p>Os benefícios comerciais e financeiros esperados com o acordo sobre o programa nuclear assinado em 2015 com as grandes potências não se concretizaram, e o país sofre pelo restabelecimento das sanções americanas subsequentes a sua retirada do acordo, em 2018.</p><p>Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia iraniana entrou em recessão em 2018 e o PIB do país cairá 3,6% em 2019.</p><p>A retirada dos Estados Unidos do acordo e a política abertamente hostil do presidente Donald Trump alimentaram o aumento das tensões com Washington.</p><p>”Estamos aqui para apoiar a República Islâmica”, declarou à AFP um aposentado da função pública. “Existem problemas, somos como um ciclista que colocaram um pedaço de madeira nas rodas”.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense