O Dia

– Unidade que capacitava as prostitutas em confecção de chapelaria, adereços e corte e costura mudou a vida de várias mulheres –

Rio – A unidade Praça da Bandeira da Faetec, que atende a Vila Mimosa, será fechada por falta de recursos para a manutenção do prédio. O governo do estado não paga mais a luz, cortada em 29 de junho. A dívida com a Light, que varia de R$ 1,9 mil a R$ 2,6 mil por mês, chegou a R$ 5,6 mil.

A responsabilidade de pagar a conta foi para a Associação de Moradores do Condomínio e Amigos da Vila Mimosa (Amocavim). As meninas já tinham o encargo do aluguel do prédio, de R$ 1,2 mil. A falta de luz já havia adiado o início das aulas do dia 29 de agosto para a segunda-feira, dia 12. Como a conta não foi paga, os cursos foram cancelados.

Na unidade, inaugurada em 2007, funcionava o projeto profissionalizante Dama das Camélias. A iniciativa surgiu em 2000 para capacitar as prostitutas na confecção de chapelaria, adereços, corte e costura para o Carnaval. Centenas de mulheres se profissionalizaram e mudaram de vida.

Os cursos serão remanejados para a Faetec da Central do Brasil, mas os alunos terão que encontrar vagas em outras unidades. Caso não consigam, as matrículas estão podem ser cancelamento. Além disso, o caminho para a Central passa por áreas perigosas.

“Na minha opinião, sabe porque eles (Faetec) colocaram na Central? Para a gente desistir. Eles não querem assumir o ônus de acabar e cancelar os cursos”, disse um estudante, que não quis se identificar. “Penso em deixar o celular e as coisas caras em casa. Vamos procurar formar grupos para não andarmos sozinhos”, afirmou outro aluno.

Outra desvantagem é que, ao estudar perto da Vila, as moças podiam assistir às aulas e voltar ao trabalho. Além disso, os professores da unidade da Praça da Bandeira já eram conhecidos da comunidade e evitavam perguntas indiscretas.

Em março, O DIA já havia noticiado a redução no número de cursos da unidade de 11 para apenas quatro. Na época, já havia desentendimentos entre a associação e a Faetec, que tinha afastado da coordenação da unidade a assistente social Cleide Almeida, pessoa de confiança das meninas.

Procurada pela reportagem, a Faetec informou que o fechamento é devido à “alta evasão e de uma redução de 60% na procura por novas matrículas”, além dos custos de manutenção. Em nota enviada pela assessoria, a instituição acrescentou que todos os professores e profissionais serão aproveitados nas unidades Central do Brasil e Mangueira.

Fonte: O Dia