<p>As declarações de Donald Trump nesta quinta-feira (28) de que ele acredita em Kim Jong Un quando diz que não sabia nada sobre a tortura do estudante americano Otto Warmbier na Coreia do Norte desencadeou uma série de reações negativas nos Estados Unidos.</p><p>O presidente americano aparentemente apoiou a posição do líder norte-coreano no caso de Warmbier, um estudante que morreu quando voltou da Coreia do Norte em 2017.</p><p>Um juiz norte-americano ordenou que Pyongyang, em 2018, pagasse uma indenização de 501 milhões de dólares pela morte de Warmbier- que foi libertado pela Coreia do Norte em coma e morreu dias depois nos Estados Unidos -, considerando que o universitário provavelmente foi submetido a tortura.</p><p>”Ele conhecia muito bem o caso, mas descobriu mais tarde”, disse Trump sobre Kim na conclusão de sua cúpula nuclear em Hanói, acrescentando que, quando Warmbier foi detido, ele foi seguido por “algumas coisas horríveis”.</p><p>Kim “me disse que não tinha ouvido nada sobre isso, e acredito em sua palavra”, disse o presidente, que vem desenvolvendo um relacionamento próximo com Kim no âmbito de seu diálogo para a desnuclearização da península coreana.</p><p>Seus comentários sobre Warmbier levantaram uma onda de condenação entre os congressistas democratas, que veem no gesto o mais recente exemplo do presidente de aceitar as negações de líderes autocráticos como o russo Vladimir Putin ou o príncipe saudita Mohamed bin Salman.</p><p>A presidente da Câmara dos Representantes e líder da maioria democrata, Nancy Pelosi, disse que achava que havia algo “errado” no presidente se ele escolhesse “rufiões” como Putin ou Kim em vez da comunidade de inteligência americana.</p><p>”A falsa prisão de Otto Warmbier e o brutal assassinato foram incidentes internacionais, é claro que Kim sabia disso”, disse no Twitter o senador Mark Warner, o principal democrata do Comitê de Inteligência do Senado.</p><p>”Aparentemente, o presidente dos Estados Unidos é o único que acredita nessa mentira tão óbvia”, acrescentou.</p><p>Warmbier, um estudante da Universidade da Virgínia, viajou para a Coreia do Norte, mas não voltou para casa. Ele foi preso naquele país acusado de crimes contra o Estado por supostamente remover um sinal em apoio ao líder Kim Jong Un.</p><p>Quando finalmente voltou aos Estados Unidos em 2017, após 17 meses de prisão, ele foi conectado a um tubo de alimentação e emitiu ruídos incompreensíveis, como observado na decisão judicial. Ele ficou cego e surdo, e seus olhos estavam inchados e alguns dias depois ele morreu.</p><p>A Coreia do Norte negou maus-tratos a Warmbier e disse que contraiu botulismo enquanto estava detido.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense