Ana Paula Henkel: ‘Governadores batendo boca mostra que não há preparação para a vacina no Brasil’

Nesta sexta-feira, o governador do Goiás, Ronaldo Caiado (DEM) afirmou, sem citar nomes, que “nenhum estado vai fazer politicagem e escolher quem vai viver ou morrer de Covid-19“. A fala foi lida como uma indireta ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que anunciou na última semana que o estado todo será vacinado com a CoronaVac a partir de 25 de janeiro de 2021. Doria utilizou suas redes sociais para rebater e informar que “Goiás é um dos 12 estados brasileiros que já manifestaram interesse na CoronaVac”. Para a comentarista Ana Paula Henkel, do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, “os governadores batendo boca todos os dias mostra que não há certeza e preparação adequada” para a vacinação no Brasil. Por isso, defende que a população faça perguntas.

“Venho acompanhando muito de perto, e a gente vê constantemente governadores batendo boca com a Anvisa, com o governo federal, agentes políticos querendo tomar o protagonismo na pandemia… Ninguém sabe direito quando a vacina vai sair, quando o vírus vai se atenuar na sociedade, se o lockdown funciona… E até agora, o que nós vimos, é que poucos ainda colocam a ciência no debate intelectualmente honesto sobre Covid e a pandemia. Se aparece um desses agentes políticos e demanda que a vacina seja obrigatória, é nele que você vai confiar? Ou em um órgão oficial ou no governo federal? Mais uma vez, uma sociedade que não questiona está fadada à tirania. Esses governadores batendo boca todos os dias mostra que não há certeza e preparação adequada e que precisamos fazer perguntas sim”, afirmou a ex-jogadora de vôlei.

O também comentarista Augusto Nunes pontuou que os prefeitos estão querendo negociar as vacinas, mas que as prefeituras estão quebradas. “A maioria das cidades está quebrada e quer fazer convênio com vacina. Acho muito estranho marcar data cívica para a vacina. O que querem os passageiros do barco chamado Brasil? Que a população se entenda, vamos nos aproximar, fazer com que se chegue a um porto seguro”, disse Augusto. O Ministério da Saúde negou, nesta noite, as declarações feitas por Caiado. Em nota, a pasta reiterou que, em nenhum momento, “se manifestou sobre confisco ou requerimento de vacinas adquiridas pelos estados” e informou que a vacinação contra a Covid-19 no Brasil será coordenada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Assista ao programa na íntegra: 

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