Após ameaças, vereadora trans eleita em BH vai procurar Comissão Interamericana de Direitos Humanos


Duda Salabert denunciou à Polícia Civil ameaças de morte que recebeu por e-mail e que foram muito semelhantes às recebidas por outras políticas transexuais no país. Duda Salabert é a primeira trans da história da Câmara Municipal de BH e foi a vereadora eleita com mais votos em 2020.
Reprodução / Facebook de Duda Salabert
Na próxima terça-feira (15), a vereadora eleita de Belo Horizonte Duda Salabert (PDT) vai participar de uma reunião com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A Antra, Associação Nacional de Travestis e Transexuais, mobilizou o encontro, que também terá a participação da vereadora eleita Benny Briolly, de Niterói (RJ).
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As duas parlamentares transexuais eleitas sofreram ameaças semelhantes, mascaradas pelo mesmo endereço de e-mail. As suspeitas são de que o grupo criminoso, que atua na deep web, usa endereços de mensagens eletrônicas hospedados em servidores internacionais. O local preciso não é divulgado para não prejudicar as investigações.
A reunião vai buscar apoio da Comissão Interamericana para pressionar o país que aloca esse provedor a contribuir com dados que auxiliem a revelar os rastros do criminoso.
A Polícia Civil de Minas Gerais, que apura as ameaças recebidas pela professora e vereadora eleita em Belo Horizonte, confirma que realizou contato com Polícias Civis de outros estados para investigar as semelhanças que existem entre os ataques.
Duda foi a vereadora mais votada da história de Belo Horizonte. Foram 37.613 votos.
As ameaças de morte
Ela relatou, no começo de dezembro, que tem recebido ameaças de morte por e-mail (veja o vídeo abaixo).
Vereadora Duda Salabert denuncia ameaça de morte
E compartilhou as mensagens recebidas: “Eu juro, mas eu juro que vou comprar duas pistolas 9mm no Morro do Engenho, aqui no Rio de Janeiro, vou esperar as aulas presenciais voltarem, vou invadir uma sala de aula do Bernoulli e vou matar todas as vadias, todos os negros (que, infelizmente, serão bem poucos, 1 ou 2 cotistas) e depois vou te matar”.
Na própria sexta-feira (4), Duda compareceu à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher para registrar a denúncia.
“Não vão silenciar minha luta por justiça social. Não vão me intimidar. Serão todos presos!”, declarou Duda.
Selo Duda Salabert
Duda Salabert/Arquivo pessoal
Ela trabalha como professora no Colégio Bernoulli, citado nas mensagens.
O colégio informou que “a questão já foi direcionada às autoridades competentes para que sejam tomadas as providências cabíveis e acompanharemos seus desdobramentos. O Bernoulli ressalta que repudia qualquer tipo de violência, preconceito e ódio”.
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