Audiência pública debate reclamações de familiares sobre falta de informação de pacientes internados no Into-AC


A mesma queixa é feita por médicos de fora da unidade que tiveram pacientes transferidos para o Into e que dizem ter dificuldade de conseguir acesso a informações e ao interior do hospital. Audiência foi proposta pelo deputado Jenilson Leite, da Comissão de Saúde da Aleac, e ocorreu por videoconferência. Familiares reclamam de falta de informação de pacientes internados no Into-AC
Júnior Aguiar / Secom
Por conta de reclamações de familiares de pacientes internados no Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into) com Covid-19 sobre dificuldades de receber informações atualizadas sobre o quadro clínico dos mesmos, uma audiência pública debateu o assunto nesta sexta-feira (11).
O objetivo foi buscar uma forma de melhorar essa situação na unidade, que é referência no atendimento de pacientes com a infecção na capital acreana.
A mesma queixa é feita por médicos do Acre que reclamam de dificuldades de acesso ao interior da unidade e de obter informações sobre seus pacientes que precisaram ser transferidos para o Into.
A audiência foi proposta pelo deputado Jenilson Leite, da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), e ocorreu por videoconferência.
Além dos deputados e familiares de pacientes internados, estiveram presentes o secretário de Saúde, Alysson Bestene, promotor de Saúde do Acre, Gláucio Ney Shiroma, e representantes do Conselho Regional de Medicina e do Sindicato dos Médicos.
Ao todo, o Into possui 100 leitos de enfermaria e 50 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo boletim assistencial divulgado nessa quinta-feira (10) pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), a unidade tem 106 pacientes internados e está com 75% de ocupação das enfermarias e 62% de UTIs.
“Temos tido muitas reclamações de familiares de pacientes que têm poucas informações ou não consideram essas informações adequadas dos pacientes que internam no Into-Acre. As vezes aquela pessoa que está lá dentro acaba indo a óbito por uma série de questões da doença e a falta da relação médico com a família acabam causando posteriormente o adoecimento da família. Além disso, outra pauta da audiência é a dificuldade de acesso, por parte de profissionais médicos do Acre, ao interior do hospital Into”, afirmou o deputado Jenilson Leite.
Relato de familiar de paciente
“Meu pai entrou andando no Into e eu fui buscá-lo em um saco para colocar no caixão, sem saber o que aconteceu com ele lá dentro”. Esse foi o retado de Júlio Henrique, filho de um paciente que morreu no último dia 7 de julho com a Covid-19 em julho deste ano.
Durante a audiência, o rapaz contou que a família só tinha notícias sobre o patriarca uma vez por dia, o que era muito difícil, já que eles ficavam o dia todo aguardando para saber como o paciente estava.
“No período em que meu pai ficou internado, no final de junho, a gente teve muita dificuldade de acesso às informações. Foi uma situação muito penosa para mim e para minha família. Nós recebíamos a cada 24h um boletim sobre o estado de saúde dele, mas as vezes ocorria de ser até mais de 24h. Quem ligava nos primeiros dias era assistente social, com informações desencontradas. Um dia dizia que ele estava melhor, mas no outro já dizia que não. Meu pai ficou mais ou menos uma semana internado, onde foi intubado e isso não era passado para a gente”, contou.
Mudanças após reclamações
O diretor técnico do Into, Hilton Picceli, disse que a unidade, desde que foi implantada, passou por várias adaptações nos protocolos de atendimento justamente para melhorar.
Ele afirmou que as queixas tratadas na audiência já foram tema de reuniões com o CRM-AC e também com o Ministério Público e Sesacre e que, desde então, uma série de mudanças foram aplicadas.
Entre as mudanças está que os pacientes que estão em condições de andar e falar possam usar um telefone da unidade para ligar para sua família diariamente. Além disso, eles podem avisar o horário que vão estar no banho de sol para que seus parentes possam visitá-los e, mesmo que a uma distância segurança, possam se ver.
“Nós criamos dentro do hospital de campanha uma sala onde a empresa vai ter um ou dois aparelhos de celular para que esses pacientes possam ligar para seus familiares e darem informações diariamente. Isso vai ser instituído a parti de hoje [sexta, 11]. Dessa maneira, eles vão ter contato todo dia e ter a possibilidade de ver no dia a dia lá no banho de sol. Assim, esperamos diminuir o número de queixas e trazer uma qualidade melhor de atenção às famílias”, afirmou o diretor.
Com relação ao acesso dos médicos de fora da unidade a pacientes que foram transferidos para a unidade, o diretor afirmou que desde que essas reclamações começaram a chegar, ele disponibilizou seu contato pessoal para que esses profissionais possam ligar e marcar horários de visita.
“Nós tivemos algumas dificuldades de acesso, isso foi fato, e conseguimos contornar em discussão com o CRM. Pedi que meu contato pessoal fosse disponibilizado para todos os colegas médicos que tenham interesse em ir fazer visita social. Então, só peço que me liguem para que eu possa agendar um horário para que aquele colega seja atendido e acompanhado. Isso funcionou bem e tem sido uma rotina já há um tempo”, disse Picceli.
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