Auxílio emergencial: DF registra maior desigualdade de renda do país durante pandemia


Pesquisa compara receita das famílias em todas capitais. Em Brasília, benefício amenizou disparidade entre ricos e pobres em 7,6%; no entanto, DF permanece campeão em desigualdade, seguido por São Paulo e Rio de Janeiro. No DF, auxílio emergencial representou, em média, 40% do rendimento mensal dos beneficiados.
Divulgação
O Distrito Federal registrou a maior desigualdade de renda do país durante o pagamento do auxílio emergencial do governo federal, destinado à população com perdas em decorrência da pandemia da Covid-19. O cenário foi identificado por um grupo de pesquisadores no estudo Desigualdade nas Metrópoles, que compara a receita das famílias em todas as capitais brasileiras.
Auxílio Emergencial: Caixa paga última parcela a 4,8 milhões
DF se mantém com maior PIB per capita do país, diz IBGE
Na pesquisa, a distribuição de renda foi avaliada em valores de 0 a 1, onde zero quer dizer uma situação de completo equilíbrio – em que todos receberiam o mesmo salário – já o valor um, significa total desigualdade.
No DF, o índice foi de 0,543 em agosto deste ano, período analisado na pesquisa. O número representa uma redução de 7,2% na disparidade financeira entre os moradores de Brasília em comparação com a média de rendimentos de 2019 e é o pior resultado do país, seguido por São Paulo e Rio de Janeiro (saiba mais abaixo).
O levantamento, divulgado na quarta-feira (16), foi realizado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), pelo Observatório das Metrópoles e a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mudança no país
Notas de R$ 50, em imagem de arquivo
TV Globo/ Reprodução
No ano passado, as maiores diferenças de rendimentos entre ricos e pobres foram registradas em João Pessoa (PB), com 0,595, em Recife (PE), onde a taxa ficou em 0,588 e em Aracaju (SE), com 0,587. Já em agosto deste ano, devido à redução das desigualdades nessas capitais, a lista passou a ser liderada pelo DF, seguido de São Paulo (0,523) e Rio de Janeiro (0,517).
O estudo aponta que o maior impacto do auxílio na disparidade financeira entre os moradores ocorreu em Macapá (-31%), na Grande São Luís (-29%) e em Maceió (-27%).
Além do DF, que tem a segunda menor redução da desigualdade durante os repasses emergenciais, com – 7%, estão entre os resultados menos expressivos a capital de Florianópolis (- 6,4%) – com o pior resultado do país – e São Paulo (- 8,6%).
Um dos autores do estudo, André Salata, explica que os resultados no DF é devido à capital ter a maior renda do país. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita é de R$ 85.661, índice 2,5 vezes maior que média nacional.
“O DF tem uma renda muito alta em função da estrutura do serviço público, dos cargos de alta remuneração concentrados. Ao mesmo tempo, essa estrutura gera muita desigualdade. De um lado o núcleo de cargos públicos e de outro lado tem um setor de serviço de baixa qualificação”, explica o pesquisados.
“A renda é muito alta na média do DF, mas é muito mal distribuída, por isso a desigualdade acentuada”, diz André Salata.
Retrocesso à vista
Apesar de apresentar o menor impacto da desigualdade de renda no DF, sem o auxílio emergencial, a taxa de pobreza, que ficou em 13,7% neste ano, seria de 23,6%, de acordo com as estimativas do estudo. No ano passado, essa taxa foi de 12,2%.
Em agosto, mês analisado no estudo, os beneficiados pelo auxílio recebiam os maiores valores do programa, de R$ 600 a R$ 1,2 mil. Esse repasse representou, em média, 40,7% do rendimento familiar dos beneficiados.
No entanto, os valores mudaram, sendo anunciado, em setembro, o valor de R$ 300 a R$ 600, com última parcela em dezembro deste ano. Para André Salata, a desigualdade deve ficar mais acentuada nos próximos meses.
“O auxílio protegeu a renda dos mais vulneráveis. Com o fim dele, essa parcela da população vai ficar mais exposta a essa crise do mercado de trabalho. Dificilmente vão se recuperar”, apontou.
“A tendência é que essas pessoas percam uma parte importante dos rendimentos e uma parte delas pode cair na linha de pobreza”, diz o pesquisador.
Tramitam no Congresso Nacional propostas de prorrogação do auxílio emergencial em 2021. A previsão é de que a análise do tema ocorra em 2021.
VÍDEOS: Como será o trabalho após a pandemia?
Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.
Adicionar aos favoritos o Link permanente.