Brexit: Marinha Real britânica deve aumentar controle de zonas de pesca se não houver acordo


Às vésperas do fim do prazo para fechar um acordo comercial pós-Brexit com a União Europeia, os navios da Marinha Real estão prontos para proteger as zonas de pesca britânicas, onde tensões podem surgir se as negociações fracassarem. O navio ‘Grace 1’, em foto de 4 de julho, ancorado próximo a uma embarcação da Marinha Real Britânica na costa de Gibraltar, território britânico ultramarino.
Marcos Moreno/AP
O negociador europeu Michel Barnier se reuniu com seu homólogo britânico David Frost em Bruxelas neste sábado (12) para as discussões finais antes da esperada decisão deste domingo (13) sobre o destino das negociações pós-Brexit.
As discussões entre as equipes de negociação continuaram na noite de sábado e podem seguir no domingo, disseram fontes próximas às negociações.
Brexit: acordo comercial Reino Unido-União Europeia tem ‘forte possibilidade’ de não sair
Se nenhum acordo for alcançado, o Reino Unido, que deixou formalmente a União Europeia (UE) em 31 de janeiro de 2020, mas continua a cumprir as regras do bloco durante um período de transição que termina em 31 de dezembro, irá recuperar o controle total das águas de seus países em 1º de janeiro de 2021.
Quatro navios de 80 metros de comprimento estão prontos para impedir que os navios da União Europeia entrem nas águas do Reino Unido se não houver um novo acordo sobre direitos de pesca, um dos pontos mais difíceis nas negociações comerciais do Brexit.
O Ministério da Defesa britânico confirmou que os navios estão de prontidão, dizendo que “realizou um intenso planejamento e preparações para garantir que a Defesa esteja pronta para vários cenários no final do período de transição”, de acordo com uma porta-voz do ministério.
Esta implantação evoca memórias ruins das guerras com a Islândia pelos direitos de pesca no Atlântico Norte, que durou quase 20 anos, antes de finalmente encontrar um assentamento na década de 1970.
“Adequado”
Os preparativos para um “Brexit sem acordo” se aceleraram nos últimos dias em ambos os lados do Canal da Mancha, com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, mostrando pessimismo sobre o resultado das negociações.
Este bloco de negociações incide sobre três temas: a pesca, a resolução de litígios no futuro acordo e as garantias exigidas de Londres pela União Europeia em termos de concorrência.
No caso de um “no deal”, o comércio dos dois lados corre-se o risco de serem efetivadas as regras exclusivas da Organização Mundial do Comércio (OMC), sinônimo de direitos aduaneiros e cotas.
A pesca tem sido uma das áreas de tensão nas negociações comerciais. Apesar do seu peso económico desprezível, o assunto é crucial para vários Estados-Membros do bloco europeu (França, Espanha, Bélgica, Países Baixos, Dinamarca, Irlanda), cujos pescadores pretendem manter o acesso às águas britânicas, repletas de peixes.
O almirante aposentado Alan West, ex-chefe do Estado-Maior Naval, achou por bem se preparar para possíveis tensões nas águas britânicas. “É totalmente apropriado para a Marinha Real proteger nossas águas se a posição é que somos um estado soberano e o governo não quer ver barcos pesqueiros de outro país lá”, disse ele à BBC.
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