Câmara dos Deputados da Espanha aprova projeto que descriminaliza a eutanásia


Texto agora vai ao Senado. Projeto enfrenta oposição dos partidos conservadores e da Igreja Católica. Uma pesquisa de opinião aponta que 90% dos espanhóis são favoráveis ao texto. Protesto contra o projeto de eutanásia em Madri, em 17 de dezembro de 2020
Susana Vera/Reuters
A Câmara dos Deputados da Espanha aprovou a legalização da eutanásia para os pacientes com doenças graves nesta quinta-feira (17).
O projeto de lei agora será encaminhado ao Senado. A proposta pode ser enviada de volta aos deputados para que seja revista ou aprovada.
Veja um vídeo sobre projeto semelhante em Portugal.
Parlamento de Portugal aprova projetos de lei que permitem a eutanásia
O texto enfrentou oposição de políticos conservadores e de grupos religiosos.
O projeto permite que as pessoas com doenças sérias e incuráveis ou debilitantes que causem sofrimento insuportável.
Foram 198 votos favoráveis e 138 contrários.
Se o texto for tornado lei, a Espanha será o quarto país na União Europeia a legalizar a prática, atrás da Bélgica, Luxemburgo e Holanda.
Os partidos de direita, como o Vox e o Partido Popular, são contra a proposta, que é de autoria da coalizão de esquerda que governa o país.
“A lei da eutanásia é uma derrota para a civilização e uma vitória para a cultura da morte, para aqueles que acreditam que algumas vidas valem mais que outras”, disse o líder do Vox, Santiago Abascal.
Do lado de fora, manifestantes diziam que esse é o “governo da morte”.
Crime com pena de 10 anos
Na Espanha, ajudar uma pessoa a morrer é um crime passível de punição com 10 anos de prisão. A maioria (90%) dos espanhóis são a favor da descriminalização, de acordo com uma pesquisa de opinião.
Eutanásia é uma espécie de suicídio assistido por um médico.
O processo é considerado homicídio pela Igreja Católica, que durante muitos anos foi a entidade que ditava as normas morais na Espanha.
O Vaticano publicou um documento no qual afirma que os políticos que apoiam essas leis são cúmplices em homicídios.
Há discussões semelhantes em países como Portugal e Nova Zelândia.
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