Campos de futebol públicos em Piracicaba acumulam problemas de manutenção


Menino de 8 anos morreu na última sexta-feira (11) no campo do Jardim Tóquio após acidente com trave; prefeitura diz que responsabilidade do local era de uma associação. Campos de futebol públicos em Piracicaba acumulam problemas com falta de manutenção
Após a morte de um menino de 8 anos por um acidente com uma trave de futebol em um campo, em Piracicaba (SP), a reportagem da EPTV, afiliada TV Globo, percorreu outros locais para verificar as condições. Alguns campos acumulam problemas de manutenção.
Na área de lazer da Rua do Porto, local utilizado por moradores para caminhadas, as quadras com mato alto e as traves enferrujadas e frouxas denunciam a falta de manutenção. Moradores da região dizem que não veem a prefeitura fazendo manutenção há pelo menos um ano.
Já na região Sul, o campo do bairro Água Branca tem portões fechados e é cercado, mas está com vários pontos de arrombamento no alambrado. A grama também está alta e as traves mostram que não há manutenção frequente.
Já no campo do Jardim Sol Nascente, na região Leste da cidade, o alambrado está quebrado em vários pontos e tem ferro retorcido. As tabelas de basquete estão velhas e as caixas de energia abertas.
O metalúrgico Paulo César Pereira leva o filho no local para brincar aos finais de semana e diz que sente falta da manutenção do espaço. “Tem que cuidar também, passar, fiscalizar, fazer as regularidades que tem que ser feitas”, disse.
Campo de futebol em Piracicaba sem manutenção
Marília Rastelli/EPTV
Sobre os problemas nos campos pela cidade, a prefeitura informou que faz periodicamente a manutenção dos 30 campos de grama e dos 110 campos de areia. A administração também disse que vai averiguar e fazer os reparos necessários.
Investigação
A Polícia Civil vai investigar a morte do garoto e apurar melhor o que aconteceu. A área da prefeitura fica no Jardim Tóquio e a manutenção seria responsabilidade de uma associação esportiva. A investigação está no 3º Distrito Policial (DP).
Segundo relatos de pessoas que estavam no local, a trave caiu sobre o menino e atingiu a cabeça dele. Miguel morreu no final da tarde de sexta-feira (11). O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e socorreu o garoto para a Unidade de Pronto Atendimento da Vila Cristina, mas ele já chegou sem vida ao local. O enterro foi no sábado (12).
Uma equipe da EPTV constatou no local que, além das traves, há bancos, alambrados e vidros danificados. A babá do garoto relatou que a trave já não estava mais fixa no chão quando ocorreu o acidente e que, como ela já tinha se soltado, foi colocada encostada em um alambrado.
Trave que atingiu o garoto em campo de Piracicaba
Ronaldo Oliveira/ EPTV
Em nota, a associação esportiva responsável diz que o espaço foi fechado por conta da pandemia, mas o local era frequentemente alvo de vandalismo. O campo foi reaberto a pedido dos moradores e uma pessoa ficou responsável por abrir e fechar os portões, mas os cadeados eram frequentemente arrombados.
A associação afirma ainda que as traves corriam risco de cair por conta da ferrugem e que foram deitadas e amarradas com correntes, e diz que os cadeados eram trocados quinzenalmente por conta dos arrombamentos.
O acidente
De acordo com informações do Samu, o menino se pendurou na trave, que caiu sobre ele. O acidente aconteceu por volta de 15h45, na Rua Lins, no Jardim Tóquio.
“Ele estava brincando no campo, aí eu falei assim para ele: ‘não pendura na trave’. A gente estava brincando e no que eu virei para trás ele pendurou, aí a trave caiu e bateu na cabeça dele e ele desmaiou na hora. Eu fiquei desesperada e liguei para a mãe dele, porque eu não tive reação do que fazer”, relatou Aline Daiane José, babá de Miguel.
Trave que atingiu a criança, em campo de futebol de Piracicaba
Pedro Torres/ EPTV
De acordo com a Secretaria de Saúde, os profissionais da unidade fizeram procedimentos para restabelecer a vida da criança, mas não foi possível.
Um boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado pela mãe do garoto no 3º Distrito Policial de Piracicaba. No documento ela relata que trabalha de diarista e deixou o filho com uma amiga enquanto estava no serviço. A amiga foi quem a avisou sobre o acidente, ainda conforme o registro policial.
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