Candidato bolsonarista perde eleição para procurador-geral do MP do Rio

Em meio a um clima de tensão, o Ministério Público do Rio de Janeiro elegeu, nesta sexta-feira, 11, o promotor Luciano Mattos para o cargo de procurador-geral de Justiça, posto mais alto do órgão hoje ocupado por Eduardo Gussem, cujo mandato termina no fim do ano. Mattos recebeu 546 votos (31,92%). Em segundo lugar, ficou a procuradora Leila Machado Costa, com 501 votos (29,29%), seguida do Virgilio Panagiotis Stavridis, com 427 votos (24,97%). Pelo rito tradicional, o novo chefe do MP-RJ deveria ser nomeado a partir de uma lista tríplice com os três nomes mais bem colocados. No entanto, o governador em exercício Cláudio Castro (PSC), alvo de denúncias de corrupção e aliado do presidente Jair Bolsonaro, ainda não confirmou se fará ou não a escolha deste modo.

Marcelo Rocha Monteiro, procurador de Justiça e um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), chegou em quarto lugar: 143 votos (8,36%). Depois, em quinto, aparece o também procurador Ertulei Laureano Matos, com 93 votos (5,43%). A lista tríplice será enviada a Claudio Castro em 1º de janeiro de 2021. A posse está marcada para o dia 15 do mesmo mês. O mandato é de dois anos. Luciano Mattos faz parte do MP-RJ desde 1995. Está lotado na Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Meio Ambiente do Núcleo Niterói. Ele teve o apoio do ex-procurador-geral Marfan Martins Vieira.

O MP denunciou à Justiça, por exemplo, o esquema da rachadinha envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e investiga o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes, entre outros crimes. Antes da votação, promotores e procuradores de Justiça estavam incomodados com a possibilidade de o governador não seguir a a tradição, principalmente se o bolsonarista Marcelo Rocha Monteiro estivesse entre o mais votado.

Em suas redes sociais, Marcelo Rocha Monteiro aparece em fotos com Flávio Bolsonaro, filho mais velho da família. Flávio é apontado pelo MP-RJ como líder de uma quadrilha que desviava parte dos salários dos funcionários de seu gabinete quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, que está em prisão domiciliar, foi acusado de ser o operador. A mãe e a ex-mulher do miliciano Adriano da Nóbrega, o capitão Adriano, morto em fevereiro, estavam nomeadas e participaram da fraude, segundo o MP-RJ.

O outro filho de Jair Bolsonaro, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) também é alvo do Ministério Público fluminense. Ele é suspeito de nomear funcionários fantasmas em seu gabinete na Câmara Municipal. Flávio e Carlos sempre negaram irregularidades. Nos bastidores, Marcelo Rocha Monteiro teve o apoio dos Bolsonaro.

Marcelo Rocha Monteiro está no MP-RJ desde 1988. É lotado na 4ª Procuradoria de Justiça de Habeas Corpus. É coautor do livro “O inquérito do fim do mundo”, que fala sobre as investigações das fake news que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem como alvo os Bolsonaro. Marcelo é professor de Direito Penal na Universidade do Estado do Rio (Uerj). Em entrevista a VEJA em 11 de setembro, ele disse que foi estimulado a concorrer por amigos promotores e que suas ideias sobre segurança pública “coincidem com as de Bolsonaro”.

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