Cassio Gonzalez: pecuarista e advogado de Campinas se divide entre o campo e a cidade


Assim como o Chevrolet Trailblazer, o entrevistado dessa semana de Na Estrada com quem faz” vai bem em dois terrenos: dos tribunais no asfalto à terra e lama dos currais Cassio Gonzalez: pecuarista e advogado de Campinas se divide entre o campo e a cidade
Cassio Gonzalez nasceu e foi criado no campo. Parte da quinta geração da família no trabalho com pecuária, brincou, andou muito à cavalo e colocou a mão na massa enquanto ainda estava crescendo — vacinando, capando e pesando o gado. A diferença para os seus antepassados é que, depois de se formar em Direito, ele passou a viver uma vida dupla, dividida entre a fazenda e a cidade.

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“Eu brinco que eu sou rural metropolitano, né? Porque quando você fala que cria gado em Campinas, São Paulo, todo mundo ri e acha que você tá mentindo”, diz Cassio. “Minha rotina é louca, porque do mesmo jeito que eu tiro o paletó, tem que ter uma botina no carro para caso aconteça algum problema aqui. E vice-versa. Eu não tenho um dia igual ao outro, e isso pra mim me faz bem. Me sinto feliz porque consigo conciliar duas paixões”, diz o produtor.
A primeira paixão, claro, foi o campo. “Minha mãe conta que quando eu tinha uns 4, 5 anos, tinha que trancar todas as portas de casa porque quando dava cinco horas da manhã eu pegava meu copinho e ia para o curral para tirar leite junto com os funcionários”, lembra. “Nós somos pequenos pecuaristas do Estado de São Paulo. A gente faz desde a inseminação e a cruza industrial, monitorando os touros com as nossas matrizes, a cria, a engorda, a recria ou à venda para abate. Abatemos aproximadamente umas 120 cabeças ano e vendemos boi gordo para frigoríficos da região”. Na outra propriedade da família, em Santa Cruz das Palmeiras, cultivam cana, tratam mudas, têm bancos de sementes e produzem créditos de carbono.

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“Entre idas e vindas, fui identificando também essa paixão pelo Direito. Essa questão de sempre ter um olhar mais especialista, mais técnico, pra relação humana. Hoje eu advogo na área civil, ambiental e temos um braço de serviços no Sindicato Rural de Campinas. A gente tem um conhecimento do campo que pode aplicar também no mundo da advocacia: questões ambientais, questões rurais, trabalhistas, vinculadas ao direito”, afirma Cassio.
“O empresário do agronegócio hoje tem esse caráter empreendedor. Ele tem que buscar vencer os desafios diminuindo as barreiras que tem no mercado, na sociedade, na região, buscando otimizar sua produção para conseguir manter a sua estrutura, o seu negócio”. Nesse sentido, além de diversificar a atuação, a inovação é grande aliada. “Tanto o pequeno quanto o grande produtor, atualmente, tem se atrelado muito à tecnologia para ajudar a reduzir seus custos, a utilizar os seus ganhos, a fazer um uso mais racional do solo, a ganhar percentual de carcaça na carne do boi, a fazer um manejo mais sustentável em toda a propriedade”, diz.
“Acaba influenciando até na vida dos funcionários. O pessoal aqui, todos os funcionários tem estudo, concluíram até o segundo grau. Eles conseguem ter um acesso à informação mais rápido, todo mundo tem internet em casa, fazem cursos profissionalizantes. Acaba desenvolvendo não só o nosso funcionário como a família dele. É uma mudança cultural”.
Essa conectividade também é imprescindível para quem, como Cássio, se divide entre a cidade e o campo. “Uma das principais ferramentas para desenvolver a pecuária hoje, no estágio em que a gente se encontra, de fato é um veículo que abranja todas as nossas necessidades. Eu preciso de um carro que saia do escritório e vá para o barro; do barro, vai buscar criança na escola; da criança na escola, para o balé; do balé para o escritório e depois para o Curral. E tendo a conectividade dentro do veículo, me proporciona um ganho de tempo: enquanto estou indo do escritório para a fazenda, estou conectado, falando com cliente, recebendo ligação de fornecedor. Você acaba maximizando o seu tempo, se organizando mais e isso te ajuda a ter uma qualidade de vida melhor”.
A qualidade de vida a que ele se refere, inclusive, tem a ver com chegar em casa e aproveitar momentos junto com as filhas. Ele as vê como a possível continuidade da tradição da família no agronegócio. “Estou preparando a sexta geração da família. Elas vem pra fazenda e crescem fazendo as mesmas coisas que eu fazia. É um amor de família que permanece, e que a gente continua a desenvolver”.

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• Nome: Cássio de Oliveira Gonzalez
• Idade: 41 anos
• Cidade e estado: Campinas, São Paulo
• Com o que trabalha no agro? Pecuária de corte
• Produção: 120 cabeças de gado ao ano

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