Com cidade contrariando restrição estadual, lojas de Mogi das Cruzes abrem normalmente neste sábado

Em Suzano, apesar das restrições da fase vermelha, diversos estabelecimentos não essenciais abriram as portas na região central. Com cidade contrariando restrição estadual, lojas de Mogi abrem normalmente neste sábado
Neste sábado (26), primeiro após o Natal, o Alto Tietê vive o segundo dia de restrição do comércio, conforme orientação do Governo do Estado de São Paulo, que solicitou que as cidades retrocedessem para a fase vermelha do Plano SP, temporariamente, entre os dias 25 e 27 de dezembro.
Em Mogi das Cruzes, um decreto manteve a cidade na fase amarela e, por isso, muitas lojas abriram as portas normalmente. No entanto, em Suzano, embora a cidade tenha decidido seguir as recomendações estaduais, diversos estabelecimentos não essenciais foram flagrados em funcionamento.
Cidades do Alto Tietê têm posicionamentos diferentes sobre recomendação do estado para restrições da fase vermelha
O Mohamad Issa tem um comércio de material de construção no centro de Mogi e também é diretor da Associação Comercial da cidade. Para ele, essa confusão de fase gera insegurança para o consumidor e, consequentemente, reflete no movimento das lojas.
“Prejudica muito porque muitos comerciantes se prepararam, de repente, pra ceia, para o Natal nos últimos dias, para atender a demanda. Nessa épocas de festividade, a parte de restaurante e alimento é muito forte, as encomendas. De repente, a dois dias da época de natal, decretam o vermelho. Isso acaba prejudicando os comerciantes, porque foram desavisados”, comenta.
“Como que faz com aquele recurso que ele investiu nessas datas? Além do mais, tem que devolver o dinheiro para as pessoas que fizeram a reserva. A mercadoria que ele comprou já não consegue mais devolver, porque é alimento. Por exemplo, churrascaria compra carne. Como que vai devolver carne para o açougue? Pizzaria compra massa, fermento, queijo. Como que vai devolver? Arcar mais esse prejuízo é muito difícil”, completa Mohamad.
Quem tem comércio na cidade concorda. O Caiubi de Souza, por exemplo, diz que falta organização. “A gestão está confusa, você imagina o consumidor, né? As coisas têm que ser feitas com critério, com tempo. Acho que isso é necessário. É uma medida assim de imediato, então nós do comércio não temos como nos preparar. Acho que a ação tem que partir deles, para que a gente seguir com cautela, com os critérios da prevenção”.
O Edmilson Pinheiro é técnico em manutenção e não sabia dessa contradição das fases. Ele foi até a loja de material de construção, porque sabe que o serviço é essencial e estaria aberto mesmo na vermelha. Porém, ele acredita que está faltando transparência do que está acontecendo.
“Tem que ser verdadeiro, né? O povo tem que saber o que está acontecendo. Se não, você não toma esse cuidado devido. Acho que deveria falar como está para as pessoas tomarem os cuidados devidos”, aponta o consumidor.
Das 10 cidades da região, Mogi das Cruze é a única cidade que está na fase amarela do Plano São Paulo, por uma decisão da Prefeitura. Mesmo com a orientação do Sincomércio para que as lojas atendam como se estivessem na fase vermelha, muitas preferiram abrir as portas, neste que é o primeiro sábado pós-natal.
A decisão do Comitê Gestor de Retomada Gradativa das Atividades Econômicas em deixar a cidade continuar na fase amarela agradou quem resolveu sair de casa neste sábado, como foi o caso da dona de casa Rosa Rodrigues. Ela concorda com a abertura das lojas.
“Tem que abrir, pois como os lojistas vão sobreviver, né? Acho que tem que entrar no bom senso. Seguir os protocolos, mas com bom senso. Aqui em Mogi a gente viu que tem muito baile funk, muita aglomeração. Tem que ver tudo isso, não só as lojas. Tem que ver um geral, né? Tem que ser geral. Não pode punir alguns e deixar os outros”.
Assim como a consumidora, o diretor da ACMC acredita que a fiscalização deve estar atenta às aglomerações que mais trazem danos à saúde pública, como é o caso das festas e bailes. Na noite de Natal, um pancadão incomodou moradores na região do Parque Olímpico.
“O comércio não tem que pagar um preço que não é dele. Eu acho que a situação da pandemia, da aglomeração, é segurança pública. Tem que coibir os bailes funk, coibir grandes eventos e não o pequeno comércio, que não tem aglomeração. É um, dois ou três que entram e saem, compram, vão embora. Ninguém entra no comércio para ficar. Ninguém entra no comércio para aglomerar. Entra para comprar e vai embora”, diz Issa.
Suzano
No centro de Suzano, na Rua Francisco Glicério, diversas lojas que não oferecem serviços essenciais estavam abertas no início da tarde de sábado (26). Os consumidores estavam circulando pelas ruas, inclusive, sem máscara, e entrando nos estabelecimentos.
Logo que o Governo do Estado orientou o retorno para a fase vermelha, a Prefeitura de Suzano informou que seguiria a recomendação. Por esse motivo, diferente do que ocorre em Mogi, As lojas teriam que estar fechadas. Uma viatura da Guarda Civil Municipal chegou a ser vista na região, mas nada foi feito.
Questionada, a Prefeitura disse em nota que fez um trabalho de orientação com os comerciantes e órgãos competentes sobre as mudanças temporárias determinadas pelo Governo do Estado, de permanecer na fase vermelha até domingo (27). Informou também que o departamento de fiscalização de posturas acompanha a situação e está nas ruas para orientar os comércios.
Assista a mais notícias
Adicionar aos favoritos o Link permanente.