Com fechamento de fábrica da Mercedes-Benz, Iracemápolis prevê arrecadar 5% menos com imposto sobre serviços


Multinacional anunciou férias coletivas para os 370 funcionários e estuda programa de demissão voluntária. Empresários da cidade de 24 mil habitantes já preveem prejuízos. Comerciantes calculam impacto do fechamento da fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis
A Prefeitura de Iracemápolis (SP) prevê uma redução de 5% na arrecadação com Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) com o fechamento da fábrica de produção de automóveis da Mercedes-Benz na cidade, anunciado nesta quinta-feira (17).
Segundo a administração, a queda ocorre porque a multinacional é uma grande contratadora de serviços. A redução prevista pode variar conforme o mês em que a empresa encerrará as atividades, diz o governo municipal.
Em 2020, a arrecadação total de ISSQN na cidade está em R$ 6,2 milhões. Desse montante, a Mercedes-Benz responde por 8,4%, o que corresponde a cerca de R$ 520,8 mil.
Em relação ao repasse de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), feito ao município pelo Governo do Estado, não haverá impacto significativo para o exercício de 2021, na previsão da prefeitura.
Planta da Mercedes-Benz em Iracemápolis
Divulgação
“O encerramento das atividades da montadora poderá surtir efeito a partir de 2022, mas não é possível precisar valores, uma vez que o fator determinante para calcular o repasse de ICMS é o desempenho de todas as empresas do município, e não só o da Mercedes-Benz”, aponta a administração.
Em 2019, a Mercedes-Benz representou cerca de 11% da movimentação de ICMS na cidade. Em 2020, como o Exercício ainda não foi concluído, não é possível informar valores, porem, é sabido que o valor diminuirá por conta da crise econômica no país.
“A estimativa de repasse de ICMS para 2020 é de R$ 20,8 milhões. Já a estimativa de repasse para 2021 é de R$ 20,4 milhões, uma queda percentual de 1,9%”, detalha o governo municipal.
Por enquanto, os 370 funcionários vão entrar em férias coletivas. Para anunciar o fechamento, a empresa diz ter levado em conta vários fatores, inclusive a situação econômica no Brasil, agravada pela pandemia de coronavírus.
Montagem do Classe C na fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis, SP
Luciana de Oliveira/G1

Inaugurada há quatro anos, a unidade é responsável pela produção de dois modelos da marca. Agora, o volume de automóveis será transferido pra outras fábricas da produção global.
A Mercedes informou ainda estar buscando alternativa para os 370 funcionários da unidade, como a possibilidade de um programa de demissão voluntária.
Com a medida, a Mercedes-Benz encerra a produção de carros no Brasil, mas segue fabricando caminhões e chassis de ônibus no país. As férias coletivas dos trabalhadores da unidade de Iracemápolis começam na próxima segunda-feira.
Reflexos na economia local
A notícia pegou de surpresa os moradores da cidade de 24 mil habitantes. Empresários já calculam o impacto do fechamento para a economia local.
Dono de um restaurante onde 25% dos clientes são funcionários da fábrica de veículos, João Elizandro Silveira já avalia os reflexos do anúncio.
“A gente tem que repensar. Não corte de funcionários, mas sim produção de alimento. A gente vai tá reduzindo devido a isso […] A gente vai esperar as primeiras semanas de janeiro pra gente tá vendo quanto, mas vai dar um impacto de uns 25% a menos, sim”, analisa.
Dono de restaurante, João Elizandro Silveira (à esq.) estima que terá prejuízo de 25% com fechamento de fábrica
Clausio Tavoloni/ EPTV
O empresário Mario Laerte Olivatto tem uma empresa de fretamento e chegou a transportar 140 funcionários da montadora por dia. Nos últimos meses, esse número foi caindo até chegar à situação de não ser mais viável renovar o contrato no mês passado.
“Eu mesmo acumulei muita divida ali. Eles começaram a cotar preço, preço lá embaixo. Eu fui parando por motivo de preço, preço muito baixo […] Lá atrás eu já ouvia o comentário, o pessoal falando pra mim. As empresas que eu trabalhava eram terceiras. Então, eles falavam pra mim: ‘tá diminuindo funcionários, então vai diminuir isso, aquilo”, relata.
Pressentindo a perda, ele buscou alternativas para não ficar sem renda.
“Tive que vender tudo, né? […] Agora eu já tô caindo pra outro ramo, que é o transporte de caminhão. Porque com van já não dá mais. Pra mim ali foi um baque. Foi difícil”.
O que diz o sindicato
Para o Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira e Região, o fechamento da fábrica também pode impactar na economia de outras cidades.
“Os 370 trabalhadores, sem falar dos terceirizados, eles estão em vários municípios, estão em Piracicaba (SP), estão em Santa Bárbara d’Oeste (SP), estão em Rio Claro (SP), aqui em Limeira (SP), vieram alguns de Juiz de Fora (MG), outros de São Bernardo (SP). Então, é todo um conjunto de cidades que sofrem, né? A avaliação nossa é de extrema surpresa”, diz o presidente da entidade, José Carlos Pinto de Oliveira.
Na semana que vem, o sindicato vai fazer uma assembleia para discutir com os funcionários o que fazer diante do fechamento.
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