Comerciante morta em assalto falou sobre escrever biografia um mês antes do crime: ‘Ela amava a vida’, diz sobrinha


Marilda de Fatima Vieira Raphael, de 58 anos, morreu durante assalto na noite do dia 25 de novembro, na rodovia Edgard Máximo Zambotto, em Campo Limpo Paulista (SP). Marilda Raphael era comerciante e tinha uma loja de roupas pela internet em Várzea Paulista
Arquivo Pessoal/ Renata Marangon
Registrar experiências e as dificuldades já enfrentadas para ajudar outras pessoas era um dos sonhos da comerciante Marilda de Fatima Vieira Raphael, de 58 anos. Segundo a sobrinha dela, esse desejo foi revelado 30 dias antes de a tia morrer durante um assalto que ocorreu em Campo Limpo Paulista (SP).
O latrocínio ocorreu na rodovia Edgard Máximo Zambotto, na noite do dia 25 de novembro. Marilda estava com o marido na moto quando ambos foram abordados por dois assaltantes. Um dos suspeitos de praticar o crime foi preso dois dias depois em Jundiaí (SP).
Em entrevista ao G1, a psicóloga e empreendedora, Renata Marangon, de 47 anos, conta que a Marilda morava em Várzea Paulista (SP) e tinha uma loja de roupas. Ambas conversavam frequentemente e compartilhavam histórias, conselhos e o amor pelo empreendedorismo.
Mesmo que a saudade desperte lembranças, Renata diz que pretende guardar os bons momentos que ficaram marcados na família.
“Antes dessa tragédia, ela me mandou um áudio dizendo que acordou cheia de ideias e queria escrever uma biografia dela para inspirar outras mulheres empresárias. Ela também queria fazer uma carta de agradecimento às clientes dela que teve todos esses anos, pois fechou a loja física e estava trabalhando online”, explica Renata.
Renata Marangon com a tia, Marilda Raphael, em Várzea Paulista
Arquivo Pessoal/ Renata Marangon
O planejamento da biografia e da carta seria feito aos poucos, de acordo com a sobrinha. Renata mora em Roma, na Itália, e mesmo com distância e o fuso horário, ela não deixava de conversar com a tia. Segundo ela, Marilda sempre esteve presente nos momentos mais importantes.
“Ela era como minha irmã mais velha. Era 11 anos mais velha do que eu, me levava no circo, em passeio e viagens quando eu era criança. Foi minha madrinha de casamento e com ela que aprendi a empreender”, lembra.
Renata conta que soube da morte da tia pelo irmão que mora em Orlando, nos Estados Unidos. Já era de madrugada quando ele ligou e relatou o que ocorreu.
“Parecia muito surreal. Foi um desespero interno e só me vinha a pergunta: ‘Como vou viver sem ela?’.”
Renata Marangon visitou os tios pela última vez em 2019
Arquivo Pessoal/ Renata Marangon
Renata e o irmão acompanharam o velório por videochamada, já que ambos não conseguiriam chegar a tempo. A última vez que Renata esteve no Brasil foi entre junho e agosto de 2019, e Marilda planejava uma viagem para Roma em 2021.
“Ela foi em paz, estava linda no caixão, como se estivesse dormindo. Sinto que nosso coração está em paz. A dor da perda é grande, mas a honra de tê-la ao nosso lado nessa vida foi um enorme prazer.”
‘Ela amava a vida’
Marilda foi casada por 40 anos, tinha dois filhos e três netos. Para conquistar o próprio negócio, ela trabalhou em uma loja no centro de Jundiaí (SP) e isso a inspirou em ir mais longe, conta a sobrinha.
“Como empreendedora, ela era visionária, ousada, não tinha medo de arriscar e era apaixonada pela moda. Adorava explorar novas possibilidades e era muito segura, entendia de negócios. Eu a classifico como uma empreendera de super sucesso, um exemplo a ser seguido”, lembra Renata.
De acordo com Renata, o sorriso radiante da tia que está presente nas fotos da família era parte do cotidiano das pessoas que a conheciam.
“Ela era uma mulher incrível, cheia de sabedoria e sempre tinha a palavra certa para falar. Era feliz, alegre e amava a vida. Amava viajar, conhecer lugares, experimentar novas comidas. Ela era a alma da família, tudo girava em torno dela. Ela sempre tomava frente de todas as situações, organizava tudo que fosse preciso”, relata a sobrinha.
Renata é psicóloga e, segundo ela, o luto tem quatro fases. A primeira é a fase de negação, a segunda é de revolta, a terceira é de dor e depressão, e a última é da saudade. Para ela, o que mais doí quando alguém morre é não ter a chance de se despedir, dessa forma, buscou orientar a família.
“Ela foi tirada de nós de uma forma bruta e covarde, mas não deixei meu coração se render ao mesmo nível de quem fez isso. Não senti raiva ou revolta de ninguém, sei que a Justiça será feita.”
Última viagem
Viajar de moto era uma das paixões recentes de Marilda e do marido. O casal gostava de visitar cidades próximas aos finais de semana e sempre acompanhado de amigos.
No dia em que ocorreu o assalto, ambos estavam voltando de uma viagem na qual percorreram dois mil quilômetros. Eles foram para Ouro Preto, em Minas Gerais, e depois estiveram em Paraty e Ubatuba. Segundo a sobrinha, era a primeira vez que fizeram um trajeto como este.
Marilda e o esposo estavam voltando de viagem quando ocorreu o assalto, em Campo Limpo Paulista
Arquivo Pessoal/ Renata Marangon
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