Comunidade de Paraisópolis, em SP, conta com a arte para tentar trazer leveza durante a pandemia

O pavilhão social de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, tem centralizado ações sociais durante a pandemia, sem deixar de estimular a cultura na comunidade. Paraisópolis aposta na arte para deixar o dia a dia mais leve
Já são mais de nove longos meses de pandemia no Brasil. Em São Paulo, moradores da comunidade de Paraisópolis encontraram na arte uma forma de deixar o dia a dia um pouco mais leve.
A bateria mirim teve que combinar a distância como seria a exibição, e foi um sucesso.
“Se eu não conseguia dar aula presencial, eu colocava no grupo do projeto e eles foram treinando, e hoje foi a prova viva que eles estudaram”, conta Acácio Reis, fundador da Unidos de Paraisópolis e mestre de bateria.
“É muito legal, tocar, dá vontade de sair pulando, correndo, dançando”, diz Julia Moraes Silva, de 8 anos.
E o coral quase não conseguiu ensaiar, o que valorizou ainda mais a apresentação das crianças.
Foi tudo no mesmo local em que famílias sem renda recebem ajuda para comer. Só num dia foram distribuídas cinco mil refeições. O pavilhão social de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, tem centralizado ações sociais durante a pandemia, sem deixar de estimular a cultura na comunidade.
A arte, por lá, às vezes surge de forma espontânea. Tem parede livre? O artista plástico Robson Araújo ocupa: “Eu tento levar cores para as pessoas.” Uma arte que já ganhou a cidade.
Na virada cultural paulistana deste ano, quase toda online, se apresentaram o balé e a Orquestra Sinfônica de Paraisópolis.
“Foi difícil, mas eu acho que problemas estão aí para serem superados, para serem resolvidos, obstáculos a serem suplantados”, diz o regente Paulo Rydlewski.
Os moradores têm consciência de que estão fazendo história ao enfrentar com união as dificuldades da pandemia. Uma mobilização que tem sido observada por um outro brasileiro, que também fez história.
Painéis com a trajetória do ex-presidente Juscelino Kubitschek foram espalhados pelo pavilhão. Alessandro Octaviani, cofundador da Fundação Brasil Meu Amor e professor de Direito Econômico, diz que a mostra inspira a luta da comunidade.
“Juscelino veio de uma família pobre e chegou à Presidência do país. Então, o Brasil é um país aberto a esse tipo de oportunidades. É isso que essa exposição está tentando trazer aqui para essa molecada que anda por aqui”, afirma.
E tem muitos exemplos na própria comunidade. Como Gilson, líder comunitário que faz parte da terceira geração da família em Paraisópolis, e Acácio, o mestre da bateria que é músico formado e escolheu voltar ao bairro onde foi criado.
“Através da música eu pude viajar para fora do Brasil, dar aula de ritmos brasileiros, e voltei para Paraisópolis para dar aquilo que eu recebi. É uma prestação de contas”, conta Acácio.
“Nós precisamos ter um melhor normal. Não um novo normal. A gente tem dado exemplo e feito a nossa parte com alegria, com amor e com cultura, trazendo possibilidade para as pessoas, onde antes as pessoas só viam dificuldades”, diz Gilson Rodrigues.
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