Corpo de travesti morta em São Paulo chega a Fortaleza e é velado na casa de familiares; parentes pedem justiça


Kareen Victória, 18 anos, foi espancada e morta em um hotel em Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Karen pretendia retornar para o Ceará no dia 20 deste mês.
Arquivo pessoal
O corpo da travesti cearense Kareen Victória, 18 anos, espancada até a morte em um hotel em Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo, chegou na noite desta sexta-feira (11) em Fortaleza em um translado. O velório da vítima ocorre na casa de familiares, no Bairro Jardim Guanabara.
Rua de Fortaleza homenageia Dandara dos Santos e será a 1ª do Ceará com nome de uma travesti
Artista questiona a memória travesti por meio de outdoors espalhados por avenidas de Fortaleza
Para que o translado fosse pago e o corpo da vítima chegasse ao estado de origem, a família realizou uma campanha virtual para conseguir arrecadar o dinheiro necessário. O sepultamento de Kareen acontece neste domingo (13).
Momentos antes do crime acontecer, a vítima chegou a gravar um vídeo informando que estava em um hotel e enviou para os familiares. Em outro vídeo, feito após Kareen ser ferida, a jovem aparece caída no chão e desacordada, enquanto uma amiga relata que ela foi agredida por um cliente que não quis pagar o programa.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Militar foi acionada, por volta de 12h40, para atender a ocorrência de desentendimento envolvendo três pessoas, em um hotel na Avenida Parada Pinto. Conforme o órgão, uma equipe do Samu compareceu ao local e constatou o óbito da vítima.
O agressor e a amiga da vítima foram presos em flagrante e encaminhados até a distrital. Foram solicitados exames periciais. O boletim de ocorrência foi registrado no 38º DP no Bairro Vila Amalia, como homicídio, furto e lesão corporal.
Familiares da vítima pedem justiça pelo crime que vitimou a jovem Kareen Victória e agradecem a ajuda que receberam para que o corpo viesse de São Paulo para Fortaleza. “Eu queria dizer muito obrigada a todos que ajudaram. Muitas pessoas mandaram valores altos. Muito obrigada, eu fico muito agradecida. Eu quero pedir justiça”, afirma Alessandra, irmã da vítima.
Vítima trabalhava como garota de programa
Kareen viajou para São Paulo em agosto para trabalhar como garota de programa. Ela pretendia voltar ao Ceará no dia 20 deste mês. Segundo Alessandra, a irmã estava no hotel na companhia de um amiga e um cliente, quando a colega dela pegou o celular do cliente e colocou dentro da bolsa de Kareen sem ela perceber. Ao sentir falta do aparelho, o suspeito encontrou o celular e iniciou as agressões.
Alessandra afirma que Kareen foi agredida dentro do quatro, depois o corpo dela foi arrastado e abandonado na recepção do estabelecimento. A amiga e o suspeito foram presos.
Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) mostram que o Ceará é o segundo Estado com mais mortes de pessoas trans no período janeiro a 31 de outubro de 2020, com 19 casos, ficando atrás apenas de São Paulo, que registrou 21 assassinatos travestis e transexuais no mesmo período.
Adicionar aos favoritos o Link permanente.