Covid-19: DF e RJ lideram proporção de infectados no país, aponta estudo

Levantamento mostra que 24% da população da capital federal e do Rio de Janeiro já tiveram contato com vírus – são os maiores percentuais do país. Segundo pesquisa, situação da pandemia no Brasil ‘se deteriorou fortemente nas últimas duas semanas’. População do DF com uso de máscaras faciais
TV Globo/Reprodução
O Distrito Federal ocupa o 1º lugar no ranking nacional que compara o percentual de moradores que já tiveram contato com o novo coronavírus. O índice chega a 24%.
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A posição é dividida com o estado do Rio de Janeiro, que apresenta o mesmo percentual. Os dados são de uma nota técnica emitida por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Brasília (UnB), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade Federal da Bahia (Uneb) e da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ-MG), divulgados na sexta-feira (11).
De acordo com o estudo, “a situação no Brasil se deteriorou fortemente nas últimas duas semanas, e o início de uma segunda onda de crescimento de casos já é evidente em quase todos os estados, de forma particularmente preocupante nas regiões mais populosas do país” (veja detalhes mais abaixo).
A pesquisa é realizada com base nos números divulgados pelas secretarias estaduais de saúde até a última quinta-feira (10). O percentual de contaminados leva em conta também os casos de pessoas assintomáticas, por meio do cruzamento de dados demográficos.
Apesar de dividirem a mesma proporção de infectados, o Rio de Janeiro tem um maior número absoluto de contaminados, já que a população do estado – que chega a 6,7 milhões de habitantes – é mais que o dobro da de Brasília, que está na casa dos 3 milhões de habitantes.
Veja a tabela completa:
Estimativa do percentual da população já infectada pelo vírus SARS-CoV-2, incluindo casos assintomáticos, em cada unidade da federação
Reprodução/UFSJ, IFBA, UNIFESP e UNEB
Segunda onda
O número de pessoas que tiveram contato com o vírus é um dos dados monitorados para analisar os riscos de uma segunda onda de contaminação, por demonstrar a parcela da população que ainda está vulnerável. Estima-se que a “imunidade de rebanho”, que indica a resistência ao vírus, seja de pelo menos 60% a 70% da população.
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No estudo, os pesquisadores afirmam que a situação de imunidade ideal ainda está “muito longe de ser atingida” e alerta para a importância do isolamento social.
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Breno Esaki/Agência Saúde
“O quadro é particularmente preocupante pois espera-se dificuldades em adotar medidas mais duras de mitigação da pandemia, como o fechamento de atividades não essenciais, única arma efetiva até termos uma grande parcela da população vacinada, o que ainda levará boa parte do próximo ano para ocorrer”, aponta o documento.
Após a retomada do crescimento dos casos de Covid-19 na capital federal, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), decretou a restrição do horário de funcionamento de bares e restaurantes. Desde 1º de dezembro, os estabelecimentos devem encerrar as atividades às 23h.
No entanto, equipes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) flagraram desrespeito aos protocolos de segurança estabelecidos para os bares. Entre 4 e 7 de dezembro, peritos do órgão constataram irregularidades em três regiões inspecionadas: Guará II, Lago Sul e Asa Sul.
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MPDFT/Divulgação
Mortes
De acordo com a nota técnica dos pesquisadores, o DF tem o segundo maior número de mortes confirmadas por Covid-19 para cada milhão de habitantes: 1.323. Conforme os pesquisadores, esse número “reflete o estágio atual da pandemia, e quão eficazes foram as medidas de mitigação em cada estado”.
Até o final de novembro, Brasília apresentava o maior índice. Agora, o estado com os maiores números é o Rio de Janeiro, com 1.356 vítimas por milhão de moradores.
Entre as maiores proporções de óbito de infectados no país está outro estado do Centro-Oeste, Mato Grosso, com 1.184 óbitos por milhão.
Coronavírus no DF
Nesta sexta-feira (11), a Secretaria de Saúde do Distrito Federal confirmou mais 831 novos casos de Covid-19. O total de infectados chega a 237.945 desde o início da pandemia.
O número de pessoas que não estavam consideradas recuperadas, ou seja, com risco potencial de transmitir a doença, era de 9.180 em 1º de novembro. Em primeiro de dezembro, subiu para 11.041.
Na sexta, chegou a 11.645. Estes dados são apenas dos casos com diagnóstico, sem contar as pessoas que não fizeram o teste.
A Secretaria de Saúde considera como “recuperado” o caso confirmado de Covid-19 com mais de 14 dias de início de sintomas, e que não evoluiu a óbito. O total de mortes no DF chegava a 4.051, na sexta-feira.
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