Criança que tem só ‘meio coração’ interna para realizar cateterismo após pedir em carta para o Papai Noel, em Goiânia


Maria Júlia Fontenele Neves, de 11 anos, tem uma cardiopatia grave e já passou por oito cirurgias. Hospital particular da capital vai realizar o procedimento de graça. Menina que pediu exame de Natal ganha exame de graça em hospital particular
A estudante Maria Júlia Fontenele Neves, de 11 anos, internou em um hospital particular de Goiânia para realizar um cateterismo após pedir o procedimento em uma carta ao Papai Noel. Ela tem uma cardiopatia grave, conhecida como síndrome do “meio coração”, e já passou por oito cirurgias.
“Estou muito feliz, cheio de esperança para dar tudo certo. Vai ficar tudo bem”, disse Maria Júlia.
A estudante internou no Hospital da Criança no sábado (12). O hospital se sensibilizou com a história e vai realizar o cateterismo de graça. Maria Júlia está passando por uma série de exames e o cateterismo está marcado para a próxima terça-feira (15). A mãe da menina, Arilene Maria Fontenele, de 41 anos, lutava para conseguir o procedimento na rede pública deste setembro.
“Eu estou tão feliz, tão feliz que nem estou cabendo dentro de mim mesma de tanta felicidade porque a minha filha só quer ficar boa”, disse a mãe.
Ao G1, a mãe da menina disse na manhã deste domingo (13), que Maria Júlia já fez exames de sangue, raio-x e está tomando medicação. Ela disse ainda que a filha foi recebida com ‘festa’ no hospital e está sendo tratada como princesa.
“Ela está muito feliz e cheia de esperança. Terça-feira vai fazer o tão sonhado cateterismo”, disse.
Criança que tem só ‘meio coração’ interna para realizar cateterismo após pedir em carta para o Papai Noel, em Goiânia Criança que tem só ‘meio coração’ interna para realizar cateterismo após pedir em carta para o Papai Noel, em Goiânia
Reprodução/TV Anhanguera
Pedido ao Papai Noel
Todas as semanas, a família de Maria Júlia percorria quase 200 km de Cidade Ocidental a Goiânia, em busca de respostas do procedimento pela rede pública. Segundo a mãe da menina, o tratamento na rede particular custa cerca de R$ 150 mil, valor que a família não tinha condições de pagar.
Em entrevista à TV Anhanguera, Maria Júlia explicou que escreveu a carta ao Papai Noel porque estava difícil ir ao hospital todas as semanas. Ela disse que quer ser curada.
“É muito complicado, porque toda vez que a gente vai não acontece nada, aí escrevi a carta. Meu pedido é para ficar curada e não precisar ficar indo ao hospital todo dia”, contou.
Menina escreve carta pedindo cateterismo, em Cidade Ocidental
Reprodução/TV Anhanguera
Maria Júlia escreveu a carta na última terça-feira (8) e decidiu colocá-la na árvore de Natal da família. A mãe da menina disse que todos os anos decora a árvore com meias do Papai Noel para que a filha coloque um pedido. Segundo Arilene, o deste ano a surpreendeu.
“Não acreditei. Ela já está sem esperança, porque toda semana eu falo que vai dar certo e não conseguimos”, comentou.
A coordenadora da Associação Amigos do Coração, Marta Camargo, ficou sabendo da história de Maria Júlia e publicou a carta nas redes sociais, com a autorização da mãe da menina.
“Quando ela me enviou a cartinha, eu entrei em prantos e pedi a autorização para divulgar. A repercussão tem sido grande. Hoje, não é dinheiro que ela precisa, mas sim do exame”, disse.
Síndrome do ‘meio coração’
De acordo com a Coordenadora do departamento de cardiologia pediátrica da Sociedade Goiana de Pediatria, Mirna de Sousa, Maria Júlia tem uma cardiopatia grave chamada Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo (SHCE), também conhecida como “meio coração”. Segundo a médica, o caso de Maria Júlia é grave.
Mirna de Sousa explicou que só o cateterismo poderá indicar o que está provocando os inchaços pelo corpo da menina e, por isso, ela precisa realizar o procedimento com urgência, para que os médicos possam planejar um tratamento adequado.
“Ela não está bem. Ela tem uma cardiopatia complexa, já foi submetida a várias cirurgias. Não há uma possibilidade de cura, mas a gente consegue longevidade e qualidade de vida com tratamento. O cateterismo vai descobrir o que está acontecendo para que a gente consiga definir o melhor tratamento para ela”, explicou.
Conforme a médica, quanto mais cedo houver o diagnóstico, melhor será para o tratamento. Ela explicou que a demora pode prejudicar a situação de Maria Júlia ainda mais.
“No momento, não há risco de vida, mas o futuro dela é perigoso. O risco maior é de redução de tempo e piora da qualidade de vida”, afirmou.
Peregrinação em busca do tratamento
Segundo a mãe de Maria Júlia, o pedido do procedimento foi feito durante uma consulta, no último dia 25 de agosto. No primeiro dia de setembro, a família viajou a Goiânia e foi encaminhada para o Hospital Materno Infantil (HMI).
A menina recebeu um encaminhamento para o Hugol e chegou a ser internada, no próprio HMI, para receber os medicamentos necessários antes do cateterismo, mas, no dia seguinte, segundo Arilene, a família foi informada que o procedimento não seria realizado.
A mãe de Maria Júlia contou que o HMI pediu que a paciente voltasse na outra semana, no dia 8 de setembro, para que realizasse o cateterismo nessa data. Ao chegar na capital, a família foi informada que a unidade estava sem óxido nítrico, um dos equipamentos usados no procedimento. Desde então, a família viaja até Goiânia semanalmente em busca de respostas.
“Começamos a ir diversas vezes para Goiânia, todas as terças. Já estamos no fim do ano e nada, é muito complicado”, disse a mãe.
A Central de Regulação de Goiânia informou à TV Anhanguera, na noite de quinta-feira (10), que não havia pedidos no sistema da regulação e que o procedimento é de responsabilidade do Hugol.
Em nota, o Hugol informou, ao meio-dia de sexta-feira (11), que não recebeu encaminhamento oficial da paciente via regulação. Disse ainda que Maria Júlia precisa de um “cateterismo não convencional, com o uso de óxido nítrico, para fins de diagnóstico e planejamento de futuro tratamento” e que é necessário ela seja “regulada oficialmente ao Hugol”.
Maria Júlia Fontenele Neves, de 11 anos, pede cateterismo de presente de Natal, em Cidade Ocidental
Reprodução/TV Anhanguera
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