Donos de lotes em Santa Rita do Passa Quatro descobrem hipoteca e têm prejuízos com taxas de juros


De acordo com a legislação, todo empreendimento imobiliário deste tipo tem que entregar para a prefeitura parte dos terrenos em caução, como garantia de que tudo será feito conforme planejado. Após conclusão das obras, construtora deve pagar uma taxa para o cartório, o que ainda não aconteceu. Compradores de lotes em Santa Rita do Passa Quatro reclamam de prejuízo
Compradores de lotes no Recanto dos Pássaros, em Santa Rita do Passa Quatro (SP), estão com dificuldades em realizar o sonho da casa própria.
As compras dos terrenos foram feitas em 2017, mas eles não conseguem começar as construções porque parte dos lotes está hipotecada. Além disso, os compradores reclamam dos altos índices de juros cobrados.
Empreendimento
Compradores de lotes em Santa Rita do Passa Quatro reclamam de prejuízo
Nilson Porcel/EPTV
De acordo com a legislação, todo empreendimento imobiliário deste tipo tem que entregar para a prefeitura parte dos lotes em caução, como garantia de que tudo será feito conforme planejado.
No Recanto dos Pássaros, dos 413 lotes vendidos, 207 ficaram sob caução até o fim da obra. Depois que tudo ficou pronto, a prefeitura efetuou a liberação dos terrenos em hipoteca.
Agora, para que todos os lotes estejam de fato liberados para os clientes, a construtora precisa pagar uma taxa para o cartório. Os advogados que representam parte dos compradores dizem que isso ainda não foi feito.
“A maioria dos compradores aqui vai procurar financiamentos junto à Caixa Econômica ou até mesmo financiamentos particulares. No entanto, quando há apresentação dessa documentação, ele é barrado porque consta ainda essa hipoteca”, explicou o advogado Fábio Gusman Palhares .
Dono da construtora, Wellington Camaro diz que para liberar documentação tem que pagar cerca de R$ 3 mil, mas que o cartório está cobrado R$ 86 mil
Nilson Porcel/EPTV
O dono da construtora, Wellington Camaro, se defende dizendo que para liberar a documentação tem que pagar um valor de cerca de R$ 3 mil, mas que o cartório está cobrado R$ 86 mil.
“Nós já protocolamos, fizemos o pedido e entramos com advogado requerendo isso e o cartório não concordou, ele quer forçar nós a pagar os R$ 86 mil dessa taxa que custa R$ 2.930”, disse.
Pesadelo
Thamires Peixoto de Oliveira gastou dinheiro com taxas e descobriu que lote está hipotecado
Nilson Porcel/EPTV
Apesar de toda a infraestrutura do novo bairro estar pronta e de algumas obras até terem começado, muitos compradores estão frustrados.
A professora Thamires Peixoto de Oliveira deu entrada nos papéis para financiar a construção de uma casa de dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Ela gastou dinheiro com taxas, mas descobriu que o lote que comprou está hipotecado.
“A intenção era construir, não ficar pagando porque já sabia que o valor aumentaria e eu não teria condições de arcar com esse valor. Eu tinha feito projetos, já tinha encaminhado tudo, pago as taxas. Fiz um plano de interiores com a arquiteta. Então, foi muito dinheiro investido para ter essa perda. Porque com a hipoteca eu não consigo fazer o financiamento”, disse a professora.
Juros
A empresária Thais Peixoto Ferreira reclama dos juros aplicados nas prestações do terreno
Nilson Porcel/EPTV
A empresária Thais Peixoto Ferreira, também compradora do lote, reclama dos juros aplicados nas prestações do terreno. Ela disse que levou um susto quando pagou mais uma parcela no dia 20 de novembro.
“O valor de quitação de cerca de R$ 34 mil foi para R$ 47 mil. Sendo assim, não consigo dar continuidade ao projeto, porque eu teria que fazer um novo, pagar um novo valor, diminuir o tamanho da casa e aí eu teria uma grande perda, porque são praticamente R$ 12 mil a mais em apenas três meses”, desabafou.
O dono da construtora disse que não juros, que os valores são a reposição inflacionária. “Tudo que nós cobramos está em contrato. As pessoas quando assinaram, souberam do que estava assinando e não é juros o que elas estão falando, é a correção do IGPM e isso é o governo que define todos os anos. E, esse ano, está batendo quase 25%”, declarou Camargo.
Cartório
Procurado pela produção da EPTV, o Cartório de Registro de Imóveis e Anexos de Santa Rita do Passa Quatro disse que os oficiais estão agindo conforme a lei e que aguarda decisão judicial para determinar qual o valor que será cobrado.
Compradores de lotes em Santa Rita do Passa Quatro reclamam de prejuízo
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