EUA executam mais um preso antes de Trump deixar a Casa Branca


Caso de Alfred Bourgeois foi a 10ª aplicação de pena de morte no âmbito federal em 2020. Até a posse de Joe Biden, em 20 de janeiro, outros 3 detentos devem ser executados. Alfred Bourgeois foi condenado à pena de morte em 2004 por matar a própria filha de 2 anos, em 2002
Federal Bureau of Prisons/AFP
Os Estados Unidos executaram nesta sexta-feira (11) o décimo detento de penitenciárias federais no ano após o presidente Donald Trump dar aval para prosseguir com uma série de sentenças capitais antes de deixar o cargo. O republicano rompeu a tradição secular de suspendê-las durante a transição.
Alfred Bourgeois, um homem negro condenado à morte pelo assassinato de sua filha de 2 anos, recebeu uma injeção letal em uma prisão na cidade de Terre Haute, no estado de Indiana, um dia depois que outro condenado, Brandon Bernard, foi executado no local.
Governo Trump apressa execuções de condenados à morte semanas antes de deixar poder
SANDRA COHEN: Trump acelera execuções de presos enquanto analisa perdão presidencial para amigos
O ex-caminhoneiro Bourgeois estava com a guarda da filha no verão de 2002, quando abusou da criança até ela bater a cabeça contra o para-brisa do veículo e morrer. Ele foi julgado por um tribunal federal e condenado em 2004. Desde então, estava no corredor da morte.
Os advogados de Bourgeois pediram à Suprema Corte americana para intervir, alegando que o réu sofria de deficiência mental.
Esta foi a 17ª execução em 2020 nos Estados Unidos, a décima na esfera federal, a mais alta em mais de um século, desde 1896.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) expressou nesta sexta “preocupação” com a série de execuções no país.
“Durante décadas, a CIDH apontou a pena de morte como um desafio crítico aos direitos humanos”, afirmou o órgão, que lembrou que os Estados Unidos são “o único país do Ocidente que executa condenados”.
Pena de morte
Nos Estados Unidos, execuções federais são reservadas a determinados tipos de crime, que são julgados em tribunais federais. Elas costumam ser mais raras do que as execuções estaduais, que são aplicadas em crimes julgados por tribunais locais nos 28 estados que permitem a pena de morte.
As execuções federais deste ano, iniciadas em julho, são as primeiras desde 2003. Antes de Trump, somente três condenados haviam sido executados na chamada “era moderna” da pena de morte federal, iniciada em 1988, quando a prática foi restabelecida depois de ter sido proibida em 1972.
Sete execuções federais ocorreram antes da eleição de 3 de novembro, quando Trump perdeu para Joe Biden. O democrata promete trabalhar com o Congresso para acabar com a pena de morte no âmbito federal.
Próximas execuções
Brandon Bernard foi morto em 10 de dezembro de 2020 por injeção letal na penitenciária federal de Terre Haute, no Estado de Indiana
Defesa de Brandon Bernard/Divulgação
Depois de Bourgeois e Bernard, outras três execuções estão previstas até 20 de janeiro, data da posse de Biden.
Lisa Montgomery deve ser executada em 12 de janeiro, depois que a data inicial, 8 de dezembro, foi adiada porque seus advogados contraíram Covid-19.
Lisa Montgomery será executada em 12 de janeiro
Reuters/BBC
Ela foi condenada por estrangular, em 2004, Bobbie Jo Stinnett, que tinha 23 anos e estava grávida de 8 meses. Montgomery cortou a barriga de Stinnett e sequestrou o bebê prematuro.
Montgomery será a primeira mulher executada pelo governo federal em 67 anos. Seus advogados dizem que ela sofreu estupro e abusos na infância que resultaram em graves distúrbios mentais.
Corey Johnson deverá ser executado em 14 de janeiro; e Dustin Higgs, no dia seguinte.
Rumo à Casa Branca: A derrota de Trump na Suprema Corte
Adicionar aos favoritos o Link permanente.