Extração ilegal ameaça Serra do Curral, patrimônio natural de Belo Horizonte


O MG2 exibe esta semana uma série de reportagens sobre a Serra do Curral. Parque da Serra do Curral, em Belo Horizonte.
Breno Pataro / Acervo PBH / Divulgação
Na terceira reportagem especial do MG2 sobre as ameaças à Serra do Curral, símbolo de Belo Horizonte, um projeto de mineração preocupa moradores e ambientalistas. Um outro empreendimento virou alvo de investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Estadual.
Serra do Curral, na Grande BH, tenta se recuperar de anos de exploração de minério de ferro
Serra do Curral, símbolo de Belo Horizonte, é ameaçada pela mineração e ocupação irregular
Um pedaço da Serra foi devastado entre Sabará, Belo Horizonte e Raposos. Investigações da Polícia Federal mostram que o minério foi retirado sem licença da União.
Segundo o inquérito, a responsável foi a empresa Boa Vista, que mais tarde passou a se chamar Gute Sicht. Foram quase 300 mil toneladas de minério de ferro usurpados em três meses deste ano.
Mas a PF descobriu que outra mineradora estava por trás da exploração ilegal: a Fleurs Global.
Ela atua na região desde 2018 de maneira questionada por ambientalistas. Ela tem apenas termos de ajustamento de conduta (TAC) concedidos pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad).
O primeiro TAC que autorizou a atividade da empresa foi assinado em julho de 2019, depois que a mineradora já tinha sido autuada ou multada nove vezes.
Uma outra investigação, do Ministério Público, também aponta extração ilegal de minério e ainda a contaminação do Rio das Velhas pela Fleurs.
A Justiça Federal chegou a determinar a suspensão das atividades da mineradora em outubro, mas a empresa já conseguiu uma decisão pra continuar beneficiando minério.
A Serra do Curral pode receber um novo projeto de mineração. Ele já está em processo de licenciamento. O Complexo Minerário Serra do Taquaril, da Tamisa, pode escavar tanto que a poeira pode chegar no centro de Belo Horizonte.
A Tamisa pretende explorar uma área que tem 1,250 hectares. O projeto prevê três cavas. Segundo o projeto, não há previsão de barragens e a quantidade de minério explorada cai de mais de meio bilhão de toneladas para 41 milhões de toneladas.
Mas ambientalistas ainda desconfiam do projeto.
A Tamisa informou que o estudo de impacto ambiental mostra que não há risco para o abastecimento e água. Ela disse ainda que o empreendimento não vai afetar o ar da cidade e que se houver alternativas tecnológicas, poderá iniciar um novo licenciamento da estaca zero.
A Semad informou que a mineradora apresentou projeto atualizado e que a proposta de compensação ambiental foi aprovada.
O Ibram informou que empreendimentos que mostrem compromisso com a mineração devem ser visto de forma positiva.
Sobre a Fleurs Global, a Semad informou que a TAC que permitia operação da empresa foi cancelado. A empresa Gute Sicht não se manifestou sobre o assunto.
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