Família diz que bebê ‘nasceu morto’ após mãe esperar 5 dias por vaga no litoral de SP: ‘Negligentes’


Pai da criança relata que a bolsa da esposa se rompeu e que eles foram até o Hospital de Bertioga para realizar o parto, mas precisaram esperar por vaga. Maria estava grávida de 32 semanas quando a bolsa estourou
Arquivo Pessoal
A família da doméstica Maria José do Sacramento Barros Freire, de 40 anos, afirma que a filha dela ‘nasceu morta’ após cinco dias de espera por uma vaga em maternidade de Bertioga, no litoral de São Paulo. Em entrevista ao G1 nesta quinta-feira (17), o pai da criança, Moizes Braz Freire, de 50 anos, pediu justiça. “Foram negligentes, estamos muito abatidos”, desabafa.
O ajudante geral relata que, no último dia 10, a bolsa da esposa se rompeu e eles foram até o Hospital de Bertioga para realizar o parto. Ainda de acordo com Freire, chegando ao local, ele foi informado de que não havia vaga e aconselhado a levar a esposa para outra cidade. Sem condições de levá-la, na situação em que Maria estava, ele aguardou a vaga.
Freire explica que a esposa, grávida de 32 semanas, ficou na enfermaria até que surgisse vaga para fazer o parto. No período de cinco dias, a família temia que o bebê não resistisse. Apenas nesta terça-feira (15) foi realizada a cesárea, mas a criança já estava morta.
“Minha mulher ficou toda inchada, sofreu muito. O neném parou dentro da barriga, ela só sentiu dor”, lamenta o pai .
Marido de Maria alega que tomará providências em relação ao caso
Arquivo Pessoal
O ajudante conta que a esposa tem dois filhos de um antigo casamento, a mais nova de 22 anos. Essa terceira gravidez teve intercorrências na última semana, e ela chegou a ter um sangramento forte, sendo levada ao hospital da cidade. Maria foi liberada e, pouco tempo depois, a bolsa se rompeu. Após o parto, a paciente segue no hospital aguardando a recuperação para ter alta.
O pai da menina explica que pretende tomar providências, mas vai aguardar a esposa sair do hospital para registrar um boletim de ocorrência do caso. Ele conta que velou o corpo da filha, que se chamaria Mirian, em uma cerimônia rápida, no mesmo dia da cesárea. A menina foi sepultada no Cemitério Municipal de Bertioga.
Passar por essa situação fez com que ele decidisse denunciar e relatar o que ocorreu. “Minha esposa está muito abatida, estava tudo pronto para ela, tudo novinho. O que aconteceu comigo pode acontecer com outras famílias, então, decidi contar. A gente quer justiça”, conclui. No atestado de óbito, consta que houve deslocamento prematuro da placenta, doença hipertensiva específica na gravidez e anoxia fetal.
Hospital
Em nota, o INTS, responsável pela gestão do Hospital Municipal de Bertioga, informou que a paciente esteve internada por duas vezes na unidade, e recebeu atendimento multidisciplinar em ambas, sendo realizados todos os exames necessários. Na primeira, em 29 de novembro, seis dias após apresentar melhora, a paciente recebeu alta. A segunda internação ocorreu no dia 10 de dezembro.
Por se tratar de um caso de alta complexidade, foi solicitada, na mesma data, transferência para outra unidade, por meio da Central de Regulação do Estado (Cross), já que a UTI do hospital é destinada exclusivamente a pacientes com Covid-19. O INTS alega que, apesar dos recorrentes pedidos e atualizações sobre o caso, a vaga não foi cedida pela Cross. Por isso, a paciente, enquanto aguardava transferência, permaneceu internada, recebendo os cuidados médicos e realizando diariamente exames de acompanhamento.
No dia 15 de dezembro, foi diagnosticada uma bradicardia fetal com descolamento da placenta. Por isso, decidiu-se por uma cirurgia cesariana de emergência. Infelizmente, foi constatado que houve óbito fetal antes da cirurgia, em decorrência do descolamento da placenta e pré-eclampsia grave. Após estabilização, a paciente foi cuidada física e psicologicamente pela equipe médica, de enfermagem, assistente social e psicóloga. O Hospital Municipal de Bertioga lamenta o ocorrido e segue à disposição da família para quaisquer outras informações.
Também em nota, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que verificará junto ao Núcleo de Regulação da Baixada Santista, e também na Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde (Cross), se de fato houve pedido, bem como eventuais desdobramentos.
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