Funcionárias de hotel fazenda trocam recepção por lavoura e contribuem para prêmio nacional de melhor café


Elas precisaram trabalhar na colheita no período em que o hotel estava fechado durante a pandemia da Covid-19. Os grãos que elas ajudaram a colher foram avaliados em um concurso nacional que incentiva participação de mulheres na cafeicultura. Funcionárias durante a colheita de café em hotel de Valença
Divulgação/Hotel Fazenda Florença
Como consequência da pandemia da Covid-19, oito funcionárias de um hotel fazenda no distrito de Conservatória, em Valença, no Sul do Rio de Janeiro, como muitos brasileiros, precisaram se reiventar. Trocaram a função de camareiras e recepcionistas pela lavoura, colhendo grãos de café.
No auge da pandemia, com a implantação dos decretos de fechamento de hotéis e pousadas na região, o medo delas era perder o emprego. Para não precisar demiti-las, o dono do estabelecimento resolveu aproveitar as mulheres em outro setor.
“No período de colheita, que este ano foi em março, nós costumamos contratar pessoas de fora por três meses para a colheita de café. Mas nesse caso, por que contratar se podíamos continuar com as nossas funcionárias? Não é um trabalho pesado, como capinar, é algo que requer dedicação e capricho. E isso foi feito”, explicou o proprietário do hotel fazenda, Paulo Roberto dos Santos.
Essa mudança temporária de função rendeu às mulheres uma gratificação e tanto. O hotel venceu um concurso nacional que incentiva a participação de mulheres na cafeicultura regional. Os grãos colhidos por elas passam por uma bancada de jurados, que avaliaram a qualidade do café.
O estabelecimento ganhou o prêmio de melhor café natural do Estado do Rio de Janeiro. A premiação aconteceu de forma online, no inicio de dezembro.
Para o dono do estabelecimento, a vitória foi conquistada por muitas mãos. “O título não é só da fazenda, ele é delas”, disse Paulo Roberto.
Se precisar, volto para colher café
Mulheres agricultoras de Valença comemoram prêmio nacional de melhor café
Divulgação/Secretaria de Agricultura do Rio de Janeiro
Funcionária do hotel fazenda há 14 anos, Josiane Pereira Duque, de 37 anos, foi uma das mulheres que aceitou o desafio.
“Saber que o resultado do nosso trabalho foi essa premiação me deixa muito feliz. Não tenho nem palavras, fico emocionada. Hoje, voltei a trabalhar como atendente no restaurante, mas se precisar, volto para colher café”.
Segundo dados da Secretaria de Agricultura, a produção de cafés no estado do Rio reúne 2.644 cafeicultores — a maioria de pequenos produtores — e gera uma receita anual de R$ 75,8 milhões a partir dos grãos cultivados na região fluminense.
Funcionárias durante a colheita de café em hotel fazenda de Valença antes da pandemia
Divulgação/Hotel Fazenda Florença
Funcionários separando os grãos de café em hotel fazenda de Valença
Divulgação/Hotel Fazenda Florença
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