Funcionários de abrigo para idosos do estado reclamam de abandono e salários atrasados

Mais de 200 idosos vivem no abrigo Cristo Redentor, na Zona Norte. Os relatos apontam falta de banho nos internos, sujeira nas dependências e infestação de ratos e baratas. Idosos convivem com infestação de baratas, em abrigo do estado
Funcionários e pacientes do abrigo Cristo Redentor, em Higienópolis, na Zona Norte do Rio, estão convivendo com o abandono da unidade, que deveria ser de responsabilidade do governo do estado.
Cerca de 220 idosos vivem no local. Segundo relatos, o abrigo não conta com funcionários suficientes para atender os pacientes. Além disso, os trabalhadores que ainda atendem no local estão com salários e benefícios atrasados.
“Não temos de onde tirar passagem, não temos de onde nem tirar comida pra levar pra trabalhar, pra comer no trabalho. Tá bem complicado. Sabe lá quando é que vai cair na conta”, comentou um funcionário que não quis se identificar.
Outra reclamação é em relação a conservação. Banheiros e espaços de convivência estão sujos e uma infestação de ratos e baratas tomou conta do abrigo.
Idosos sem tomar banho
A falta de funcionários na unidade faz com que os idosos não recebam o atendimento adequado. Muitos ficam sem tomar seus remédios na hora certa ou passam alguns dias sem tomar banho. A situação nos finais de semana é ainda pior, segundo os trabalhadores.
“Onde pode deixar as idosas aqui tudo sozinha, sem tomar remédio. Muitas são psiquiátricas, tem que tomar remédio na hora certa. Ninguém comeu, nem trocou fralda nem nada, tem ninguém aqui no pavilhão”, afirmou um trabalhador.
Os problemas são tantos que os idosos que deveriam receber a ajuda do estado, passaram a ajudar nas despesas do local.
“Tem idoso lá que chega a ajudar a gente, financeiramente. O que não é o correto. Os benefícios são deles, caso eles precisem de qualquer medicamento. Mas eles também ficam preocupados com a gente, porque é nítido, a gente chegar com uma preocupação, a gente dar o nosso melhor, porque eles não têm nada a ver com isso”.
“Mas tem hora que a gente não aguenta, o funcionário senta, chora, pra falar que não tem nada pra comer dentro de casa, mas não deixa de ir”, disse o trabalhador.
Nova direção
O abrigo Cristo Redentor era administrado pela organização social Geração da Hora, mas na última semana os funcionários receberam um comunicado informando que a gestão da unidade passaria a ser da OS Ecos.
“Os atrasos de pagamento são recorrentes, esse tempo todo que eu tenho de casa, nunca aconteceu de o pagamento cair no quinto dia útil, nem muito menos no próprio mês”, contou um trabalhador.
Alguns funcionários que foram demitidos há mais de seis meses ainda não receberam o valor da rescisão.
O que dizem os envolvidos
Em nota, a Secretaria Estadual de Direitos Humanos afirmou que vai pagar os salários atrasados na próxima sexta-feira (18).
Além disso, eles disseram que os valores de vale transporte e alimentação, além de todo o custeio da unidade, serão pagos até fevereiro do ano que vem.
A OS Ecos, que assumiu o abrigo nessa semana, disse que está fazendo o orçamento para uma dedetização do local. A ideia é que o serviço possa ser feito na semana que vem.
A OS afirmou ainda que uma equipe esteve no local para avaliar as necessidades mais urgentes do abrigo e que material de limpeza e higiene pessoal já estão disponíveis no estoque.
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