Funcionários do Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, reclamam de salários atrasados e falta de insumos


Os trabalhadores da unidade hospitalar, que passou para a administração do município em agosto, dizem que sofrem ameaças. Segundo relatos, o hospital não tem itens básicos como luvas e esparadrapo, por exemplo. Prefeitura de Caxias nega falta de material. Funcionários do Hospital de Saracuruna denunciam falta de material
Os funcionários do Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, dizem estar com salários atrasados desde a troca na administração da unidade, em agosto, quando o Estado repassou à prefeitura a gestão do local.
Segundo relatos, o hospital também não tem itens básicos para atender a população, como luvas, esparadrapos e fraldas, por exemplo.
Os trabalhadores dizem ainda que a atual gestão da Prefeitura de Duque de Caxias constrange os funcionários que fazem qualquer tipo de reclamação.
“Nós nunca sabemos quando vamos receber, nem quanto vamos receber. Eles não justificam o dinheiro que é tirado do nosso salário. Eles não repassam o INSS”, disse um funcionário que não quis se identificar.
“A prefeitura está transformando o hospital em uma ditadura. Se você contesta alguma coisa corre o risco de ser mandado embora”, afirmou outro trabalhador.
Transferência de gestão
O Hospital Adão Pereira Nunes, conhecido também como Hospital de Saracuruna, vem enfrentando problemas há muito tempo.
Em julho, o governo do estado anunciou que a gestão da unidade seria entregue ao poder municipal. O problema é que funcionários que tinham valores para receber da antiga administração não conseguem nem mesmo uma previsão.
Hospital Adão Pereira Nunes
Reprodução/ TV Globo
Um mês antes da troca no comando do hospital, profissionais denunciaram que estavam com os salários atrasados.
No último dia 10, a Prefeitura de Duque de Caxias suspendeu consultas e exames ambulatoriais para pacientes com suspeita de Covid-19 no Hospital Adão Pereira Nunes.
Mesmo diante de um aumento no número de casos em todo o estado, a Secretaria Municipal de Saúde do município disse que a medida visa manter os serviços essenciais prestados e preservar os demais pacientes, além de otimizar os leitos de UTI para casos de alta complexidade.
Investimento de R$ 22 milhões
Em contato com o sindicato da categoria, os advogados da IABAS, ong contratada pelo governo estadual para gerir a unidade, disseram que foram gastos R$ 22 milhões na expansão do hospital.
Segundo os advogados, esse investimento impossibilitou o pagamento de parte dos salários e de verbas indenizatórias dos trabalhadores. Ainda de acordo com a IABAS, esse valor foi aplicado na construção de 52 leitos de UTI para atender pacientes com a Covid-19.
“Nós questionamos por que usar o valor dos trabalhadores, podendo usar o valor do estado, uma vez que é direito dos trabalhadores receber suas verbas indenizatórias através da reserva do provisionamento. Eles responderam que por conta da pandemia, não tinham tempo hábil de fazer. Agora, nós estamos sem pagamentos, sem verba indenizatória e o estado anunciou que não atenderão mais paciente de Covid 19 lá no Adão Pereira Nunes”, disse um membro do sindicato.
O que dizem os envolvidos
A Secretaria de Saúde de Duque de Caxias negou que falte material no Hospital Adão Pereira Nunes e disse que o pagamento dos funcionários será feito essa semana.
Sobre os casos de Covid-19, a secretaria informou que decidiu dar esse atendimento em outras unidades, deixando o Hospital de Saracuruna para casos de trauma, ortopedia e maternidade de alto risco.
A secretaria disse ainda que tem ambulâncias disponíveis para transportar pacientes com suspeita de covid-19.
O Iabas informou que espera o repasse da Secretaria Estadual de Saúde para fazer os pagamentos dos funcionários demitidos.
Já a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro disse que os contratos com a IABAS estão na Justiça e que estão colaborando com as investigações.
VÍDEOS: Os mais assistidos no G1 nos últimos dias
Adicionar aos favoritos o Link permanente.