Acidentes em rodovias: Campinas tem queda de 20% nos casos, mas aumento de 5% em mortes


Dados do Infosiga mostram que 57 pessoas perderam a vida entre janeiro e setembro em estradas dentro dos limites da metrópole; concessionária fala em aumento de ‘imprudência’. Acidente com motociclista na Rodovia Dom Pedro I (SP-065), em Campinas.
Marcos Gregio
Com grande impacto da pandemia do novo coronavírus, que diminuiu o fluxo de veículos por alguns meses, as rodovias que cortam Campinas (SP) registraram uma queda de 20% no total do acidentes neste ano. Por outro lado, dados do Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga-SP) apontam aumento de 5% nas mortes nas estradas que cortam a metrópole.
Na avaliação de uma concessionária, um dos fatores que explicam o aumento na gravidade dos casos está relacionado a imprudência de alguns motoristas, principalmente por excesso de velocidade.
Segundo o Infosiga, entre janeiro e setembro deste ano, 713 acidentes (incluindo os fatais) foram registrados em estradas no trecho de Campinas. Como efeito de comparação, no mesmo período de 2019, o sistema aponta 896 casos.
Motociclistas são 66,6% dos mortos em acidentes em setembro
Em relação aos óbitos, 57 pessoas perderam a vida nas rodovias, incluindo atropelamentos, nos nove primeiros meses de 2020. No ano anterior, apesar do maior volume de ocorrências, foram 54 mortes.
Pelos dados do Infosiga, as estradas que registraram mais mortes dentro dos limites da metrópole foram a Rodovia D. Pedro I (SP-065) e a Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), cada uma com 12 casos entre janeiro a setembro. Por outro lado, a Via Anhanguera (SP-330) teve uma redução de 65% nos óbitos – foram 7, contra 20 do mesmo período do ano anterior.
Mortes em acidentes nas rodovias – Campinas
O que diz a Autoban?
O G1 procurou a Autoban, que administra o sistema Anhanguera-Bandeirantes, para comentar os números de acidentes e mortes. Em nota, a concessionária destaca que há diferença de metodologia na contabilização de vítimas nas rodovias em relação ao Infosiga.
‘Enquanto a concessionária registra apenas os óbitos que ocorreram de fato na rodovia, o Infosiga leva em consideração o estado de saúde das vítimas nos hospitais. Pode acontecer, por exemplo, de uma vítima ser removida como grave pelo resgate da concessionária e vir a óbito no hospital. Para os registros da concessionária, não constará o óbito”, explica, em nota, a Autoban.
Motociclista morre em acidente com carreta na Rodovia Anhanguera, em Campinas
Polícia Militar Rodoviária/Divulgação
Apesar da metodologia diferente, a concessionária também identifica cenário parecido: queda no total de ocorrências, mas aumento nas mortes.
“Em relação à Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), a concessionária registrou, em 2019, de janeiro a setembro, 353 acidentes e 6 vítimas fatais. No mesmo período deste ano, foram 238 acidentes (redução de 33%) e 10 vítimas fatais”.
Entre as mortes, houve aumento nos casos de atropelamentos (3 contra 1, de 2019). “Sobre os atropelamentos em específico, dos três fatais registrados no trecho de Campinas da Rodovia dos Bandeirantes, dois aconteceram em locais próximos à passarela ou viadutos com dispositivo de travessia”, informa a Autoban.
“Vale ressaltar que as rodovias do Sistema Anhanguera-Bandeirantes atendem aos requisitos de segurança viária previstos nas normas e legislações rodoviárias, bem como o contrato de concessão assinado com o Poder Concedente. Além disso, CCR Autoban, em parceria com o policiamento rodoviário e ARTESP (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), realiza diversas campanhas de segurança ao dirigir, com o intuito de ressaltar a importância da adoção do comportamento seguro”, completa a concessionária.
O que diz a Rota das Bandeiras?
Responsável por administrar o Corredor D. Pedro, a Rota das Bandeiras também apresenta uma divergência em relação aos registros apresentados pelo Infosiga, mas também identifica alta nos casos com mortes.
“A Concessionária Rota das Bandeiras registrou 11 mortes no trecho de Campinas da rodovia D. Pedro I (SP-065) no período de janeiro a setembro deste ano, além de uma fatalidade no anel viário Magalhães Teixeira (SP-083). No mesmo período do ano passado, foram seis ocorrências na D. Pedro I”, informa, em nota.
Segundo a concessionária, um dos motivos para maior gravidade dos acidentes, mesmo com o menor fluxo no ano, é a imprudência de alguns motoristas.
“Todos os acidentes registrados no Corredor Dom Pedro são avaliados e, durante este período de quarentena, com a diminuição do volume de tráfego e consequente aumento da fluidez do tráfego, foi verificado o crescimento dos casos de imprudência. Este é um dos motivos para maior gravidade dos acidentes neste ano, ainda que o número total de ocorrências no trecho tenha sofrido forte redução – queda de 25%, passando de 365 para 272 acidentes. A queda é, inclusive, maior do que a retração de tráfego no local – média de 17%”, destaca a Rota.
Entre os casos de imprudência está o excesso de velocidade. De acordo com a concessionária, apenas no trecho entre Itatiba (SP) e Campinas (SP) da Rodovia D. Pedro I (SP-065), a Polícia Militar Rodoviária registrou 17.583 infrações, numero 129% maior que o do mesmo período de 2019, quando foram aplicadas 7.656 multas.
“Além do constante trabalho de análise dos pontos com maior incidência de ocorrências para a implantação de dispositivos de segurança, a Concessionária intensificou suas campanhas de segurança viária de orientação aos motoristas e pedestres, com programas como o Por Cima do Risco, realizado em bairros lindeiros à rodovia”, completa a Rota.
Mortes no trânsito de Campinas
Os dados do Infosiga mostram que no acumulado do ano, entre janeiro e setembro, foram registradas 105 mortes no trânsito de Campinas, um aumento de 14,1% em relação ao mesmo período de 2019, quando foram contabilizados 92 óbitos.
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