Análise: minorias ainda precisam lutar por direito ao voto na sólida democracia dos EUA

Desde a eleição do primeiro presidente do país, criou-se a ideia de que o voto é um privilégio e não um direito. Em 2020, muitas pessoas estão reclamando de dificuldades para votar e governos do Texas e da Flórida, por exemplo, dificultam ainda mais o processo. Rumo à Casa Branca: Direito ao voto
Ao pensar nos Estados Unidos é comum a associação com um país absolutamente democrático, com instituições democráticas sólidas. Mas, dentro dessa democracia, as minorias ainda precisam lutar pelo direito ao voto em muitas situações, em muitos estados.
Desde que George Washington, o primeiro presidente, foi eleito, criou-se a ideia de que o voto é um privilégio e não um direito. Naquela época, as únicas pessoas que tinham direito a votar eram as que tinham mais propriedades, mais terras, maior poder aquisitivo.
Tanto que em estados como Nova Jersey, no final do século 18, a mulher podia votar, se fosse separada e tivesse uma propriedade em seu nome. Muita gente acha que a mulher só adquiriu o direito ao voto nos EUA a partir de 1920, mas não é bem assim (depois essa lei de Nova Jersey foi mudada e as mulheres perderam o direito, só recuperando bem mais tarde).
O próprio ato de 1965, a lei daquele ano que garantiu o amplo direito da comunidade negra ao voto, depois da luta pelos direitos civis de Martin Luther King, tem que ser renovado pelo Congresso de tempos em tempos. Ele foi renovado em 1970, 1975, 1982 e em 2006. E terá que ser renovado em 2030.
Isso quer dizer que mesmo a lei dos direitos civis é revisada de tempos em tempos pelo Congresso americano. Não é um direito conquistado absoluto.
Em 2020 essa preocupação vem a tona porque muitas pessoas estão reclamando de dificuldades para votar.
O governo do Texas, esta semana, passou uma medida que permite que as autoridades retirem as urnas das cidades e agora só haverá uma urna por condado. Então, se o eleitor do condado X quiser votar, ele vai ter que dirigir até 40 minutos, como foi o caso de um casal que deu entrevista a uma emissora, para conseguir chegar até uma urna. Há pessoas que estão enfrentando filas de até 11 horas.
Já na Flórida, foi alterada uma lei sobre o direito ao voto para ex-detentos. E este pode ser um problema de cunho partidário, porque a maioria dos afetados por essa medida é um grupo que tende a votar nos democratas.
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