Antônio Simonetti busca honrar a tradição da família no cultivo de laranjas, com um olhar para a inovação


O produtor rural atua em São Paulo e Minas Gerais e é presidente da Associação Brasileira de Citros de Mesa.
“Na nossa veia corre suco de laranja”. É assim que Antônio Carlos Simonetti resume a história da família com a produção de cítricos, que começou com o avô de quem herda o nome e está sendo escrita há mais de 70 anos.
“Meu avô se chamava Antônio e meu pai Luiz Carlos. Juntaram os dois para formar quem eu sou, mas tudo começou com meu avô. Ele teve início lá em Limeira, em um lugar que hoje se tornou o bairro Antônio Simonetti. Ele formava e comercializava mudas de laranja. Depois começou a plantar, assim como os irmãos dele”. De lá pra cá muita coisa mudou, é claro, mas a dedicação da família — que se divide entre as propriedades de Aguaí/SP e Minduri/MG — continua a mesma.
O pai se dedica à abertura de áreas de plantio e da parte estrutural necessária para implantação de pomares. Junto com as irmãs, as agrônomas Daniele e Fabiana, Antônio se responsabiliza pela parte fitossanitária do trabalho no campo e também pela comercialização das frutas. “Antigamente um pouquinho de laranja era muito. Você trabalhava, ganhava dinheiro e não tinha tanta doença, tanta praga. Hoje você tem de ser muito profissional no que você faz, muito atuante. É preciso estar presente e se modernizar com tecnologias, com adensamento, com produtividade. Hoje o custo é muito alto e se não tiver produtividade você não consegue atingir seus objetivos”, diz.
“Nessa história toda de 70 anos com a citricultura, tivemos momentos de alegria e de tristeza. Quando surgiu a pinta preta foi um transtorno para a gente, teve muito problema. Na época de 2000 houve uma crise na citricultura em que perdemos boa parte do patrimônio. Estamos no ano de 2020, e eu demorei 20 anos para recuperar o patrimônio que perdi no ano de 2000”, explica Antônio. Um dos segredos para superar a crise foi focar investimentos no aumento da produtividade.
Se na época do avô eram 300 plantas por hectare e com o pai de Antônio o número passou para 400 ou 500, hoje ele e as irmãs têm como meta em torno de 800 plantas por hectare. O investimento é maior, mas vale a pena. Com volume de quase 1 milhão de plantas espalhadas entre São Paulo e Minas, a produção do grupo Simonetti Citrus está em 700 mil caixas por safra. A estimativa para os próximos cinco anos é atingir dois milhões de caixas.
Se na época do avô eram 300 plantas por hectare e com o pai de Antônio o número passou para 400 ou 500, hoje ele e as irmãs têm como meta em torno de 800 plantas por hectare.
Reprodução
Para conseguir esses resultados, buscar boas referências e se atualizar constantemente é fundamental. “Eu estive visitando cinco países, conhecendo a citricultura no mundo. No Chile, na Argentina, no Peru, na Espanha e nos Estados Unidos (na Califórnia e na Flórida). Buscando novas tecnologias, conhecendo novos materiais genéticos. Você tem que estar dedicado ao campo, escolhendo material genético de boa procedência, escolhendo mudas sadias, fazendo todo o manejo para ter uma produtividade boa e se manter no mercado”
Eleito presidente da Associação Brasileira dos Citros de Mesa, Ântonio se esforça para viabilizar não só o presente, mas garantir o futuro do cultivo de cítricos no Brasil. “O que for preciso fazer por uma citricultura melhor, eu sempre estarei pronto e me desafiando. Pensando na próxima geração, no meu filho, eu quero uma citricultura sustentável para a nossa vida e para continuarmos a ser o maior produtor de laranja do mundo”, diz. Essas atualizações passam pela certificação criteriosa dos produtores e atitudes como diminuir consumo de água e o uso de produtos químicos.
“Isso que a gente está implementando, com resultados muito positivos. O adubo que a gente usa contém 50% de matéria orgânica, e diminui em 50% o uso de adubo químico. Melhora a estrutura do solo, e quando eu dou vida para o meu solo eu tenho uma planta mais resistente à seca, mais resistente à praga. Hoje, para controlar a pior doença da citricultura que é o greening, a gente coloca uma cigarrinha. Um inseto para controlar outro inseto”, conta Antônio com entusiasmo.
“A gente tem de estar acompanhando a tecnologia no dia a dia, aperfeiçoando, adaptando, fazendo. Eu sempre vinha com meu avô trabalhar na fazenda com uma D10. Não tinha ar condicionado, não era automática. Hoje não, em uma picape S10 o câmbio é automático, tem ar condicionado, tem toda a tecnologia no pacote. Você liga o 4×4 e enfrenta todos os terrenos”, exemplifica.
Apesar do olhar para o novo, Simonetti não deixa a tradição de lado. Isso vale tanto para a camionete Chevrolet Brasil 1963, que comprou e cuida com carinho para realizar um dos sonhos de infância, quanto em relação aos valores que aprendeu.
Apesar do olhar para o novo, Simonetti não deixa a tradição de lado.
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“A humildade e a honestidade vêm sempre em primeiro lugar, meu avô sempre falava. Os meus funcionários, por exemplo. A comida que eu como e a água que eu bebo, todo mundo come, todo mundo bebe. Isso tá na índole. Na hora em que se fala da família Simonetti, a gente carrega no peito os elogios que a gente tem como citricultores que movimentam, com muita paixão no coração, tudo o que a gente faz”.
Nome: Antônio Carlos Simonetti
Cidade e estado: Aguaí, São Paulo
Com o que trabalha no agro? Citricultura
Marca: Simonetti Citrus
Produtividade: 700 mil caixas por safra
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